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8 de julho de 2019

[Mangá] A Menina do Outro Lado, parte 2


Olá! ♥️

Você aí que está num dia de sol ou num dia chuvoso como o daqui, o que você prefere? Confesso que sinto falta do meu sol, meu céu estrelado e aquele calorzinho. Muitos me chamam de louco por isso, mas é isso aí.

Vamos falar de leitura concluída e impressões de leitura, dessa vez com sobre o segundo livro do mangá "A menina do outro lado", o primeiro lançado pela Darkside.



Foi uma surpresa muito agradável gostar da leitura de um mangá, já que tive meus estranhamentos quando descobri que deve ser lido de trás para frente. Como disse no texto do livro anterior me atrapalhei muitas vezes durante a leitura, mas no fim superei e consegui me encontrar na leitura.

Assim como aconteceu com o primeiro livro consegui ler rapidamente a segunda parte dessa história que traz a dualidade bem e mal, a ideia de como as aparências enganam sim e de como somos julgados constantemente por causa dela. No segundo livro, que começa exatamente de onde terminou o primeiro, novos personagens misteriosos aparecem e podemos observar diálogos bem enigmáticos entre os personagens. Aqui temos mais páginas com imagens e uma quantidade menor de textos. E posso dizer com todas as letras que ele não me impressionou tanto quanto o primeiro.

Não me senti tão comovido, nem me senti envolvido na história. As imagens me incomodaram porque os cenários são mais escuros e a falta de cor me deixou confuso. Sei que mangá é assim, mas não é por isso que vai deixar de me incomodar. 

O que me mantém ligado nessa história é a vontade de saber se de fato a personagem foi tocada e foi amaldiçoada o não. Mas se prepare que nesse segundo livro temos uma surpresa que ao mesmo tempo que irá te fazer questionar o que houve ou não, te deixará impressionado com o que foi feito. Particularmente não imaginava que aquilo poderia ter acontecido. E se você quiser saber o que é "aquilo" deverá ler o mangá. Apesar de não ter tido uma relação tão boa como foi com o primeiro livro eu ainda indico a leitura porque provavelmente há muito o que acontecer e muitas surpresas que tem tudo para impressionar a nós leitores.

Não vou me estender nesse texto porque não acho necessário dizer mais. Estaria fadado a dar spoiler e não quero estragar a leitura. Só aposte na leitura e continue se encantando com a fofura de Shiva e a beleza de Sensei.

Até logo!
♥️

17 de junho de 2019

[Mangá] A menina do Outro Lado, primeiro Mangá lançado pela Darkside


Olá!

Sim, estou de volta! E estou me sentindo um fantasminha camarada. Aquele da turma que aparece vez em quando, mas quando chega é com novidade. Peço desculpas, mas estava finalizando a faculdade e hoje posso dizer com todas as LETRAS que finalmente concluí minha graduação e que sou graduando em Letras. 

Estou de volta para ficar! E enquanto sigo por alguns caminhos desconhecidos, procurando ideias para a nova fase da minha vida sigo falando das leituras que fiz nesse tempo ausente e das coisas que ainda não contei sobre eles. Vamos começar pela grande novidade: LI MEU PRIMEIRO MANGÁ. Isso mesmo!

E se não fosse pela Darkside talvez isso não houvesse acontecido. Obrigado aí, Caveirinha do AMÔ! I Love You muito! ♥️


A menina do outro lado é o primeiro mangá lançado pela editora Darkside e marca a primeira leitura que fiz da história em quadrinhos da cultura Japonesa, lida de trás para frente, um modo peculiar para mim, que "entrei de gaiato no navio". 

Há algum tempo me propus o desafio de ler um pouco de cada coisa, me enveredar por coisas que ainda não li ou que provavelmente não me permitiria por puro conforto.  Isso tem sido muito positivo. A leitura de "A menina do outro lado" foi muito prazerosa mesmo com todas as estranhezas que tive com o modo contrário da narrativa, que foge do habitual. A história traz à tona a dualidade BEM e MAL, representados prelo MUNDO DE FORA e  pelo MUNDO DE DENTRO.

Durante muito tempo o Deus da luz espalhou felicidade a todos, no entanto, o deus das trevas transformava essa felicidade em pura maldade. Certo dia, enfurecido, o Deus da Luz decidiu castigar o deus das trevas tomando tudo dele e transformando-o numa figura de aparência horrenda. Tomado pelo ódio, o deus sombrio espalhou uma maldição pelo reino e isso deixou o Deus da Luz ainda mais enfurecido. Ele decidiu, então, expulsar o deus sombrio do seu reino e criar uma barreira para que ele não mais pudesse habitá-lo e para quem que não atingisse os demais moradores com a maldição. Com o tempo, o deus das trevas começou a ser chamado de forasteiro e o Deus da Luz passou a ser chamado de morador de dentro. Esse acontecimento foi o que deu origem aos dois reinos. 

Atualmente, a pequena Shiva vive com o Sensei, um homem que sofreu a maldição do deus das trevas e assim como ele, adquiriu uma aparência assustadora. Shiva foi abandonada naquele mundo e não sabemos a razão. Mas Sensei protege a garota para que ela não sofra com a sua realidade e para que não corra riscos de se transformar num ser de aparência estranha. Nesse cenário de escuridão em que a claridade da vida não desiste de querer iluminar a vida do sensei - que agora está em perigo -, vamos conhecer uma linda amizade e reafirmar o ditado que nos diz que "as aparências enganam". 
"- Entendeu?
Caso se depare com alguém de fora, sob nenhuma circunstância encoste nele. Fuja imediatamente.
- Por quê?
- Bem... Porque...
Porque, se tocá-lo, será amaldiçoada."
A doçura dessa história me conquistou de cara e mesmo com o clichê de tratar da dualidade do bem e do mal, do claro e do escuro, o mangá nos traz um jeito diferente de abordar esse assunto e nos faz repensar nossos julgamentos em relação ao outro. No infinito cuidado para se proteger o tempo inteiro das mazelas sociais, o ser humano acaba abraçando um molde, que reúne rótulos. Esses rótulos fazem com que ditemos regras sobre as pessoas e transformemos todas elas numa coisa só. Posso trazer um diálogo do pequeno príncipe para exemplificar o que de alguma forma a história pode nos dizer. "É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou". A má aparência de uma pessoa, a sua cor, as tatuagens que ela usa, etc. jamais definirá quem ela é.

Será que sensei é um homem ruim e maldoso por conta de sua aparência?  Ao ler a história, o indigno e maldoso homem que representa o perigo para o sensei tem uma aparência aceitável, desejável, no entanto, tem atitudes e vaidades que fazem dele um ser tão imperfeito como qualquer outro. A doçura do sensei em contraste com a sua imagem pesada é uma grande ironia para quem diz entender  a fundo os mistérios que rondam o entendimento do bem e do mal.


Numa edição bem ao estilo Darkside com toda a qualidade dada por direito, "A menina do outro lado" é uma bela história sobre amizade e sobre como muitas vezes estamos nos enganando com as aparências e julgando sem conhecer o outro. É proposta ao leitor a ser melhor, um questionamento ao sentido do bem e do mal.

Leia, por favor! 
PS: estou terminando a leitura do volume dois. Em breve, uma resenha sobre o segundo livro aqui no blog.

Bjão,
até mais! ♥️

11 de fevereiro de 2019

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, DE JOSÉ SARAMAGO


Olá! ♥️
Como vai?

Se você ainda não leu com certeza já ouviu falar no livro de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, uma das obras portuguesas mais comentadas e aclamadas também no nosso país. Publicado pela primeira vez em 1995 o livro de Saramago é referência para autores mais velhos e os mais jovens também, apesar de narrativa incomum.


Tudo pode acontecer na vida, mas será que você já parou para imaginar como seria se em algum momento, numa atividade comum do seu dia-a-dia, você ficasse cego? Foi o que aconteceu com o rapaz no meio de um trânsito agitado, logo após a luz verde do semáforo liberar a passagem dos automóveis. E além dele, mais tarde, no dia seguinte... outras pessoas terão suas visões esbranquiçadas e nada mais será visto. Ninguém sabe o que está acontecendo, cogitam a hipótese de uma epidemia, mas não há problema algum que possa denunciar a cegueira dessas pessoas. E é no meio dessa agonia que a narrativa se desenrola.
"Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo."
Abrindo mão do formato comum de narrativas, Saramago apresentou uma narrativa atípica, cujos discursos não se distinguem pelo uso de travessão, como de costume. O discurso direto e o indireto se misturam e se juntam ao caos que se faz a vida dos personagens da história tornando um texto muitas vezes confuso e acelerado. Isso devido também ao uso de letras maiúsculas para indicar que alguém está falando na primeira pessoa. Talvez a escolha da narrativa acelerada seja proposital e dialogue perfeitamente com os sentimentos que o leitor tem enquanto ler.

E é quase impossível não sentir-se abafado numa agonia incessante enquanto lê. As descrições e imagens criadas tem um poder catártico e nos insere naquela realidade facilmente, o que permite que o leitor se coloque no lugar do personagem e imagine como seria não ver nada de repente - a sensação não poderia ser mais desesperadora e agoniante. Se essa foi a intenção do autor ele chegou com louvor onde queria. 
"Conta-me como foi, o que sentiste, quando, onde, não, ainda não, espera, a primeira coisa que temos de fazer é falar com um médico dos olhos, conheces algum, Não conheço, nem tu nem eu usamos óculos, E se te levasse ao hospital, Para olhos que não veem, não deve haver serviços de urgência, tens razão, o melhor é irmos directamente a um médico, vou procurar na lista dos telefones, um que tenha consultório perto daqui."
Mas a cegueira da história passa longe de uma cegueira causada por alguma doença. À medida em que você lê percebe uma crítica certeira ao ser humano e seus valores perante a sociedade e ao próxima. É cegueira sobre enxergar e não querer ver, tapar os olhos para as mazelas e para a dura realidade de que o ser humano não é bom o tempo todo e que ele comete erros dos mais leves aos mais graves. A cegueira é completa, no que diz respeito ao outro e às questões políticas. Inclusive, talvez estejamos vivendo essa cegueira - o enxergar apenas o que lhe é conveniente ou enxergar até onde queremos. Cabe aqui um ditado utilizado no texto, é uma grande verdade a que diz que o pior cego foi aquele que não quis ver.
"A mulher do médico compreendeu que não tinha qualquer sentido, se o havia tido alguma vez, continuar com o fingimento de ser cego, está visto que aqui já ninguém se pode salvar, a cegueira também é isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança."
Linguagem não tão fácil de ser lida, um texto necessário e extremamente atual. "Ensaio sobre a cegueira" traz à tona a realidade do ser - imperfeito - humano e muito dos valores que nos são perdidos durante a caminhada pela vida. Uma metáfora que belisca e nos faz sentir a agonia a qual nos permitimos viver de alguma forma.

Bjão,
até mais! ♥️

9 de fevereiro de 2019

Apesar de Tudo: uma história sobre o grande encontro


Olá, ♥️

Sempre que começar a escrever uma resenha de qualquer livro voltado para o público infanto-infantil farei questão de deixar claro o quanto sou apaixonado, o quanto sempre farei questão de indicar (é claro que sendo criterioso nas escolhas também) e o quanto gostaria de que algumas pessoas deixassem seus preconceitos de lado e entendessem que a literatura infanto-juvenil é capaz de nos ensinar: a) sobre como sermos pessoas melhores; b)sobre como podemos educar nossos filhos - para o sim e para o não; e c) sobre como podemos resgatar valores que com o tempo, por alguma razão, perdemos.


Apesar de tudo chegou para mim num momento de correria e foi o último livro que li ano passado. Ele chegou no último dia do ano, depois de um período de puro estresse com o TCC e foi um carinho na alma para todo o caos que vivi e que me provocou exaustão naquele período. Estava precisando ler algo leve e inspirador. E acertei.

Leve e inspirador são duas das características que atribuí muito carinhosamente a esse livro. Grandioso é mais uma característica que não poderia deixar de existir se tratando do livro em questão. Numa edição de capa dura, com ilustrações e texto de Dipacho, publicado pela Companhia das Letrinhas, "Apesar de tudo" nos apresenta o grande encontro de dois pinguins, que mesmo rodeados de tantos outros se sentem sozinhos - e quantas pessoas não se sentem assim, não é mesmo? Nessa caminhada, um dos pinguins acaba encontrado aquele outro ser que chegou para fazer a diferença na vida dele. E quando falo "fazer a diferença" passo longe da dependência, mas sim da importância de se ter o afeto, se sentir coisas boas ao estar com alguém, de se ter um amigo para contar nos momentos felizes e de infortúnios também.

A história não se trata de uma incansável procura, como, por exemplo, aconteceu em "A parte que falta", de Shell Silverstein - livro cuja resenha já foi escrita por mim também. Apesar de tudo é sobre encontros inesperados e valorosos que temos na vida. É sobre as adversidades encontradas durante a caminhada do ser sociável e que também é sentimental.

|Leia a resenha de A Parte que Falta e A Parte que Falta encontra o Grande O|


É sobre laços criados nesses momentos de dificuldades e sobre como resistir e superá-los. É sobre lutar pelo bom convívio e superar as dificuldades que encontramos durante a caminhada. E eu acho isso muito belo, pois vivemos um momento de nossas vidas que a fragilidade dos sentimentos e a não disposição das pessoas são como veneno e acaba por destruir relações que poderiam dar certo se cuidássemos melhor delas e estivéssemos dispostos a lutar por ela também. E a partir disso eu deixo um exemplo de como uma história voltada para o público infanto-juvenil pode nos levar a refletir sobre nossos atos em qualquer momento de nossas vidas. 

Como está sua resistência e sua disposição para lidar com as adversidades encontradas pelo caminho?
Estava sozinho
E te encontrei.
Não sei se fui eu que te encontrei,
ou você que me encontrou.
Mas decidimos caminhar juntos.
Apesar de tudo foi lançado em 2018 no Brasil com tradução de Mell Brites e apesar da quantidade pequena de páginas temos um grande texto, que nos leva a refletir sobre as dificuldades encontradas na nossa caminhada com o outro e nos inspira a querer lutar para viver o reencontro com ele e com os bons sentimentos. 

Espero que você leia e se inspire assim como me senti inspirado e emocionado.
♥️
PS: Não esqueça de contemplar as ilustrações também, é impossível não se apaixonar por esses pinguins. 

Bjão,
até logo! ♥️

4 de fevereiro de 2019

UM ARTISTA DO MUNDO FLUTUANTE, DE KAZUO ISHIGURO


Olá! ♥️
Carnaval ainda nem chegou, então o ano nem começou direito. Vou apresentar mais uma leitura de 2018 e contar para você minhas impressões. Antes, quero deixar claro: ler Kazuo Ishiguro para mim foi um caminho sem volta. Depois que li um livro não quis mais parar e as edições da Companhia das Letras também não deixam a desejar. 


Masuji Ono é um um artista aposentado. Sempre foi apaixonado pela pintura, mas conviveu com o olhar preconceituoso de seu pai em relação a arte. No entanto, apaixonado pelo que fazia, o homem decidiu enfrentá-lo e seguir com seu amor. Masuji foi um pintor renomado e durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço do país, sobretudo ao longo da Segunda Guerra Mundial. E agora enquanto o Japão tenta se recuperar das atrocidades causadas pela guerra, reconstruindo espaços com um olhar esperançoso para o futuro, Ono vive uma vida calma cuidando de sua casa e de seu jardim, além de passar algumas noites bebendo ao lado de velhos amigos e de morar com a filha.  Quando o noivo dela decide não mais casar às vésperas do casamento, Masuji começa a fazer uma viagem pelo passado e revisitar sua vida, analisar seus atos e o que herdou de seus descendentes para compreender quem é nesse momento atual de sua vida.

Ishiguro é o tipo de autor que talvez não atinja com louvor a todos o públicos, mas uma coisa não se pode negar: sua narrativa é reconhecível. O autor tem um jeito especial só dele, então sua personalidade como autor está marcada em cada uma de suas narrativas. Isso faz dele um autor renomado e especial e um dos poucos que conseguem tomar a atenção do seu leitor com um texto reflexivo e poucos diálogos.

Em "Um artista do mundo flutuante", Ishiguro só reafirma sua originalidade e nos apresenta um texto reflexivo que nos leva a um passeio pelas "moradas" de um artista renomado e todas as situações vividas na família, quando ainda era criança, por exemplo, e na vida social e profissional. Característica presente em todas as obras que li do autor, a auto-reflexão como um ato de entender seu momento atual e a pessoa que se tornou está presente no texto, que mais uma vez coloca na mesa questionamentos pertinentes sobre a vida e sobre como nossas atitudes e as atitudes de nossos antepassados podem influenciar nossa vida e nossa personalidade.
"[...] devo dizer que acho difícil entender como qualquer homem que valorize seu amor-próprio procure evitar por longo tempo a responsabilidade de seus atos passados."
Além de trazer à tona o olhar para o passado e a reflexão na forma como atua na vida das filhas o texto de Ishiguro também destaca a questão do preconceito, da mulher submissa, das desigualdades e das problemáticas sociais, já que estamos num cenário pós-guerra, momento de reconstrução no país. O autor também não abre mão do tom nostálgico que é uma marca nas suas histórias.

Quando escrevi resenha dos livros anteriores que fiz a leitura (O Gigante Enterrado e Não me Abandone Jamais) eu falei sobre os capítulos longos e lentos, reflexo das reflexões feitas pelo personagem e pelos importantes detalhes que nos situam no local em que o personagem está. Isso também é presente neste livro e como disse anteriormente não irá agradar a todos os leitores, mas se o novo leitor se permitir embarcar nessa leitura e conhecer esse mundo flutuante de coração aberto vai perceber o quanto a reflexão do personagem vai despertar o desejo da auto-reflexão também.

| Leia a resenha de O Gigante Enterrado |
| Leia a resenha de Não me Abandone Jamais |

Um Artista no Mundo Flutuante é um livro que te provoca a repensar atitudes e fazer uma análise pessoal do seu passado e de suas atitudes naquele período também. É um livro acima de tudo sobre o ser o humanos e suas imperfeições, seu erros, seus acertos e sua luta diária pela sobrevivência num ambiente caótico. 

Bjão,
Di ♥️


29 de janeiro de 2019

RYDER CARROLL EXPLICA O BUJO EM 'O MÉTODO BULLET JOURNAL', PELA EDITORA FONTANAR


Olá!
♥️

Dizem que o ano começa definitivamente após o carnaval. Então, já que o carnaval ainda nem chegou, dá tempo de começar a encontrar maneiras de organizar seu dia-a-dia durante o ano de 2019. E a dica que trouxe para esse momento é fazer a leitura do livro "O Método Bullet Journal", de Ryder Carroll - o também criador do BuJo - e em seguida adotar o método e se organizar.

Ainda não sabe o que é? Então vem comigo.


Sou aquariano e no quesito "não ser organizado" eu me encaixo perfeitamente. Sou muito aleatório e por isso acabo me passando em vários compromissos que deveria comparecer ou simplesmente marcando mil coisas para o mesmo dia. Sendo assim, não dou conta. Mas quando conheci o Bullet Journal comecei a me interessar (já que amo personalizar minhas coisas) e bati o martelo: naquele ano eu iria comprar um caderno e criar meu próprio BuJo. Não virei a melhor pessoa do mundo no quesito organização, mas já evitei muita confusão na minha agenda.

O Bullet Journal é um método utilizado para organizar seu dia, sua semana e seu mês com facilidade e precisão. É um "livro" para chamar de seu. É versátil e nele cabe aquilo que você julga importante e necessário para alcançar suas metas. São páginas que vão sendo preenchidas para registrar o passado, organizar o presente e planejar o futuro, como diz na capa do livro lançado no final do ano passado pela Fontanar.
"O método bullet journal vai ajudar você a realizar mais, trabalhando menos. Ele ajuda a identificar o que é importante e se concentrar nisso, eliminando o que é irrelevante".
Na correria da vida temos uma grande disposição a querer fazer tudo de uma vez só para que possamos dar conta de tudo. Até mesmo daquelas coisas que não são importantes e não merecem seu desgaste nesse momento. É uma realidade na minha vida e é um dos assuntos que o autor e design Ryder Carroll vai abordar no texto desse livro, que nos mostra "o que" é o BuJo e "para que" serve. É um livro muito útil e esclarecedor sobre como produzir seu caderno e acima de tudo, um livro que vai te ajudar a se organizar e priorizar as coisas certas no momento certo do seu dia.

Antes de começar a produzir o meu próprio BuJo pesquisei sobre o método e vi coisas lindas na internet. Até encontrei um livro lançado por outra editora, que mostra como fazer e as partes que você poderia adotar ao longo do ano no seu caderno. Mas, sinceramente, não achei que o livro atendeu minhas expectativas e a maioria de minhas perguntas ficaram sem respostas, que por sinal foram respondidas aqui no livro de Carroll. 

Em O Método Bullet Journal o autor e design - criador do método de organização mais utilizado no mundo nos últimos anos - não joga na mesa modelos e seções para o seu BuJo, mas nos situa sobre o que é, para que serve, quais os benefícios, além de dicas do que também pode ser utilizado. Por isso, o livro é dividido em partes: a preparação, o sistema, a prática, a arte e a conclusão. E ainda podemos contar com páginas de exemplo do que foi dito.


Na primeira parte, o autor nos situa sobre o que é o método e nos conta experiências pessoais e de outras pessoas que começaram a utilizar esse método também. Então, vamos nos deparar com reflexões acerca do que estamos fazendo do nosso tempo, o que estamos priorizando e o que estamos deixando para depois. Uma das partes mais interessantes é quando ele sugere um recorte do que a gente deseja e do que a gente realmente necessita. O que a gente necessita deve ser mantido e o que a gente deseja, pode ser descartado por hora. O autor também nos dirá como é importante que sejamos fiéis a quem somos e ao que queremos, e nos incentivará na busca pelo auto-conhecimento.

Em alguns momentos o livro conta com um Q de auto-ajuda, como aqueles livros empresariais que nos incentivam a ser um grande investidor, por exemplo. Mas acredite, vai valer a pena. No final de tudo você acaba percebendo que isso se faz necessário, pois entender o método e ter um propósito é essencial antes de fazer seu bullet. Quando você compreende que o fazer BuJo está para o planejando de formas pelas quais você correrá atrás dos seus sonhos você faz melhor uso do que tem. 
"Não podemos ser fiéis a nós mesmos se não soubermos o que queremos e, acima de tudo, por que queremos, portanto é aí que devemos começar."
O autor vai dizer também que você pode considerar o Bullet Journal uma espécie de autobiografia viva. Ele lhe permite enxergar com clareza o que a correria da vida tende a encobrir.

Na parte dois, o sistema, nos será apresentada a estrutura: quais partes você deseja para o seu caderno, quais as seções relevantes para o seu planejamento? São partes que lhe ajudarão a estruturar bem de forma a ser melhor visualizado quando você precisar. Uma das características do bullet é a flexibilidade de suas estruturas.
"Você é livre para misturar e combinar as peças, personalizando o sistema de acordo com suas necessidades. Já que é inevitável que elas mudem com o tempo, essa flexibilidade permite que o método permaneça relevante nos mais diferentes momentos de sua vida. A função e a estrutura de seu Bullet Journal evoluem à medida que você evolui". 
Nesse capítulos entenderemos os conceitos chaves, como, por exemplo, o índice, o que são os registros mensais, diários e rápidos, coleções e migrações também. Além disso, nos será explicado o que são os "eventos", as "notas", entre outras coisas. 

Agora que você já conhece as definições e o fazer, bem como a estrutura; e sabe o por que e para que fazer um Bullet Journal, passará para as seguintes partes, aquelas que lhe permitirá praticar e começar a usar seu BuJo. Como isso vai funcionar eu vou deixar para você descobrir quando fizer a leitura. 

O Bullet Journal é um método prático, preciso, estiloso e terapêutico também - por que não? Foi escrito pelo próprio criador do método, o que faz dele um livro mais esclarecedor do que todos os outros sobre o tema. Se você gosta e quer se aprofundar no assunto esse é o livro que indico. Sou daqueles que acreditam que a prática ajuda a melhorar, mas também acho muito necessário que entender sobre o assunto é mais do que necessário. Um norte para onde correr até que finalmente aprendamos a caminhar sozinhos. 

Se você se utiliza do método e gostaria de mostrar posta no IG (pode ser nos stories ou no feed) e me marca para que possa divulgar. O instagram é @vidaeletras. Vou adorar ver os BuJos.

Bjão,
Di ♥️

24 de janeiro de 2019

Floresta Escura, livro de Nicole Krauss


Olá! 
Como vai?

Para continuar com a atualização das resenhas que faltam, dos livros que li ano passado, trago um texto sobre "Floresta Escura", livro da autora Nicole Krauss, lançado pela Companhia das Letras. Assim como aconteceu com a leitura anterior esse livro foi lido pelo método da tentativa - precisei começar e recomeçar até chegar ao fim.


Quando Floresta Escura me foi apresentado o que me chamou atenção foi o nome da autora. Eu sabia que em algum momento ou algum lugar eu já havia escutado alguém falar sobre ela e por isso, mesmo sem lembrar de onde ouvi falar de Nicole Krauss, decidi que iria ler o livro. Acontece que nem mesmo o aclamado nome da autora já publicada em 35 países me fez gostar da leitura. 

O livro traduzido por Sara Grunhagem nos envolve numa narrativa em que os detalhes são super valorizados e os diálogos escassos. Temos aqui dois personagens tentando encontrar sentido para os feitos de suas vidas e que se identificam em capítulos alternados. Jules Epstein é um advogado de 68 anos que decidiu se afastar dos amigos e familiares e agora está escondido. Ele simplesmente desapareceu em Tel Aviv e antes disso fez doação de tudo o que tinha de mais precioso, coisas que foram conquistadas em anos de carreira.

No capítulo seguinte temos a voz de Nicole contando sobre sua própria caminhada como escritora. Passamos então de uma narrativa em terceira pessoa para uma narrativa em primeira. A mulher está presa em um casamento que não está feliz e se vê sem criatividade para escrever. Enquanto tenta a todo o custo escrever uma nova história e pensa seriamente em terminar seu casamento ela se vê tentada a visitar o Hottel Hilton de Tel Aviv onde viveu boa parte de sua infância. Agora ela tem a desculpa de fazer uma pesquisa e escrever uma história sobre aquele lugar. Mas ainda não sabe como fazer isso. Quando encontra o tio no hotel e ele a apresenta a um professor aposentado que quer que ela faça parte de um projeto até então misterioso, a vida da escritora começa a mudar.

Seja pelas angústias que sentem ou pela falta do encontro com quem estão sendo nesse momento da vida, Nicole e Epstein vivem situações de vida semelhantes. Eles vão se encontrar em algum momento - embora isso não fique claro na história - porque neste momento estão se sentindo perdidos, mas ambos têm como destino desejado o Hottel Hilton, o que permite que o leitor suponha que ambos estão caminhando juntos nessa jornada.

Outra história será contada quando um dos personagens citarem Franz Kafka. Claro que a história da vida do famoso autor de "A Metamorfose" não é a história real, mas segundo a narrativa ele não morreu de tuberculose, mas ficou recluso por muito tempo em Israel desconectado de tudo e de todos, assim como acontece com Epstein e Nicole. O propósito é encontrar sentido na frustração que sentem em relação vida ou simplesmente vencer seus demônios?


Deixando transparecer na narrativa a ideia de que a literatura é importante para preservar a história de uma vida ou de um povo - o que eu concordo completamente -, Nicole Krauss nos leva numa caminhada cansativa pela vida de dois personagens complexos e faz a analogia da importância da transformação pela qual o ser humano deve se permitir passar com a "metamorfose" de Kafka. Em que momento da nossa vida devemos nos permitir mudar e buscar novidades na nossa vida? 

"Floresta Negra" não foi uma leitura que me marcou ou que me deixou empolgado. Foi também uma leitura lenta que me cobrei fazer somente porque me propus a começar. Para mim não funcionou mesmo com a presença de frases impactantes e que faz o leitor repensar a vida - que é uma coisa que prezo num texto. Talvez seja o estilo, a narrativa que não dialoga com minha personalidade como leitor ou simplesmente o meu momento de leitura. Seja como for, não é um livro que irá agradar a qualquer um, mas cabe a todo leitor decidir se deseja se aventurar ou não.

Um beijo,
até a próxima!

22 de janeiro de 2019

Aos Dezessete anos, livro de Ava Dellaira, autora de Cartas de amor aos mortos


Olá, ♥️
Estou de volta nesse finalzinho de férias e voltando com a programação normal do blog. Eu estava precisando dessa pausa e estou voltando renovado. Breve o blog será reformulado - pois fará 12 anos -, mas por enquanto vamos de resenha. É de um livro que li no início do ano passado, e que infelizmente não me empolgou tanto quanto eu achei que aconteceria. Então, decidi dar um tempo, reler e só então trazer minha opinião definitiva sobre ele.

Quer saber o que achei da leitura? Só vem!


Aos dezessete anos é o segundo livro da autora de "Cartas de amor aos mortos", e foi o primeiro livro de Ava Dellaira que li. Primeiramente o nome da autora já aclamado me fez ter interesse pela leitura imediatamente; depois a capa do livro tem muito a minha cara; e então, a presença de uma garota negra de cabelos crespos na capa me convenceu de uma vez.  Então eu li.

O livro traz à tona o passado e o presente e a ideia de que o passado diz muito de quem somos hoje. Sendo assim, Angie, uma garota de dezessete anos, caminha pelo passado e refaz os passos de sua mãe Marilyn enquanto ela tinha sua idade. Marilyn foi muito conhecida no passado quando passeava pelos holofotes gravando comerciais e fazendo sessões de fotos publicitárias. No entanto, nada disso agradava a menina. Na adolescência, precisou lidar com a pressão de entrar numa boa faculdade e com a família problemática. E além disso tudo, teve que lidar com o amor. Um amor bonito, mas muito difícil. Ao contrário da mãe, a vida de Angie é muito diferente e mais calma. Sempre muito bem cuidada,  é cercada por muito carinho. Vive seus passeios e suas festas como toda adolescente de sua idade, mas também encara os problemas da vida. E o principal deles é o olhar de estranhamento das pessoas. Tudo isso porque ao contrário da mãe - mulher loira de cabelos claros - Angie é negra de cabelos cacheados. 

Sobre a narrativa do livro.

 Para mim, infelizmente não deu. Eu comecei a ler e li novamente o prefácio e de forma alguma me senti tocado ou preso à leitura. Custei a mudar de página e quando consegui me deparei com uma narrativa leve e agradável, mas com um texto que não me apresentou elementos empolgantes a ponto de me prender na leitura. Entenda: não foi a escrita da autora que achei ruim, mas sim o texto que também não diria ruim, mas que também não tenho como espetacular. Afinal, custou muito para que eu finalmente pudesse me conectar e ter simpatia pela história.

Sobre a questão do racismo presente na história é um destaque que faço positivamente. Gostei muito da forma leve como foi colocada no texto sem ser forçado e que mesmo com toda a sutileza da abordagem não perdeu a força. Achei interessante também como o passado e presente se encontram revelando mais de cada personagem. Foi uma ideia muito bem colocada e justamente por isso acreditei que teria um texto mais interessante. 


O trabalho de capa da Editora Seguinte é espetacular. Dialoga perfeitamente com meu estilo, por isso me atraiu tanto quando finalmente a capa foi divulgada. A questão da fotografia, a garota com seus cabelos cacheados na capa em forma de colagem e a cor azul que traz toda uma leveza visual e que de alguma forma não pretensiosa também dialoga com a leveza da história.

De modo geral esperei mais do livro do que recebi. Para mim não foi uma experiência marcante nem tão boa quanto imaginei que seria. A leitura arrastada e que não me empolgou facilmente tornou toda a leitura do texto cansativa. No entanto, destaco o ponto forte que é a questão da representatividade muito bem colocada e que me deixou satisfeito. Não é um livro que indico de olhos fechados, mas parece que funciona muito bem para os fãs da autora e para qualquer outra pessoa, afinal cada um enxerga as coisas de uma maneira.

Lembre-se: essa é a minha opinião e isso não deve influenciar na sua vontade - ou não - de ler o livro. Então, se quiser ler siga em frente e tire suas próprias conclusões. 

Bjão,
Di ♥️

11 de janeiro de 2019

Algumas Histórias Sobre a Falta, de Maria Luiza Maia


Olá! ♥️
Como vai?

Grandes surpresas nos são reveladas ao longo de nossas vidas, no nosso dia-a-dia, no âmbito profissional e pessoal. Isso também acontece na nossa vida de leitor. Em meio a tantas discussões sobre o que é literatura ou não e a desvalorização dos trabalhos de quem está chegando agora descobrimos talentos e textos que dialogam muito bem com a gente e de certa forma nos conforta porque faz com que não sintamos sozinhos. Uma dessas surpresas com a qual me identifiquei muito é "Algumas histórias sobre a falta", de Maria Luiza Maia.


Uma das maravilhas em relação a esse livro aconteceu muito antes de começar a leitura. Conhecer uma autora jovem da minha cidade (que não é a única para minha felicidade) e poder conversar sobre o livro, sobre os anseios e prazeres da autora é sempre uma experiência única e pude vivê-la mais uma vez. 

"Algumas histórias sobre a falta" é um livro cujos textos se sustentam por si só, mas também se completam. Entre poemas e textos em prosa nos enveredamos numa narrativa em que o íntimo de um personagem é colocado para fora de maneira crua e sincera, tanto que por vezes se confunde com o eu de cada leitor. A experiência é humana, os anseios e medos ditos nas palavras de cada texto é algo que qualquer ser humano já enfrentou ou está vivendo agora - e talvez viverá. Por isso, não é difícil se identificar, não é difícil identificar alguém próximo nas palavras de Luiza e se aprofundar nas complexidades do ser humano que se revela em cada página.

Apoiando-se na figura do vaso, o vazio do eu retratado no texto é colocado à prova durante a narrativa, que como disse ora virá em forma de poesia ora virá como prosa. Timidamente o personagem vai se abrindo, vai se mostrando e vai trabalhando suas inseguranças e mágoas. O personagem revela de si os medos também e insatisfações sobre uma relação amorosa talvez. A metalinguagem também é perceptível na história. Em alguns momentos o "eu" comenta sua experiência com a escrita.
"Passa o dia inteiro com o texto na cabeça, com medo de passar pro papel. Já disse várias vezes que, uma vez que as palavras saem, tornam-se reais.
Tem medo de que tudo se torne real."
Na segunda parte da história, intitulada de "as flores", estamos diante de um personagem aprendendo a caminhar sozinho, a se reerguer das quedas e a olhar para si e para seus atos com mais carinho. O vaso, então, está enchendo, sendo preenchido com flores até florescer e estar completo. E o ambiente no final de tudo é lindo, cheio de cor.
"mas ninguém explica
e eu só me pergunto
como é
esse negócio
de aprender a ser
sozinha"
Não foi difícil me identificar com o livro em questão. Me identifiquei com o primeiro texto logo de cara, senti profundo como aquilo me tocava porque de certa forma dialogava com minhas angústias e inseguranças também. Ler esse livro foi também como traçar um caminho até chegar a mim e a compreensão dos incômodos que me perseguem. Então, percebi que lendo também me revelei e comecei a me despir dos medos de mostrar cada vez mais quem eu sou. Não dá para ignorar leituras assim, ainda que os admiradores da "alta" literatura insistam em querer congelar as letras e grandes histórias, alegando que a literatura não mais existe hoje. 

"Algumas histórias sobre a falta" é catártico. A forma como ele conversa com o leitor, como conduz o leitor a voltar-se para si faz dessa leitura agradável e rica, cheia de pontos a serem analisados e refletidos. Vale muito a pena e eu gostaria que você lesse. É um livro pequeno, porém forte e agradável de ser lido. 
Se quiser saber mais sobre o livro entre em contato com a autora pelo e-mail marialuizamaia@live.com ou através do instagram da autora: @mrluizamaia

Um beijo, até mais!♥️

26 de dezembro de 2018

A PARTE QUE FALTA, DE SHEL SILVERSTEIN, E A IMPORTÂNCIA DE SABER CAMINHAR SOZINHO


Olá!
Feliz Natal para você que se deixa ser preenchida e se deixa ser preenchido pela magia do Natal. Vamos nos preparar para a contagem regressiva para 2019 com pensamentos positivos, mentalizando as melhores coisas que devem nos acontecer no próximo ano.
♥️
Antes de falar sobre os livros de Silverstein gostaria dizer que minha ausência não é definitiva. Como havia dito outras vezes, estava nos últimos momentos da faculdade e em processo de escrita de TCC, o grande motivo para ter me tornado raro tanto aqui no blog como no Instagram esse final de ano. Mas a parte boa é que finalmente apresentei meu trabalho final e ano que vem vou cumprir horários que faltam na faculdade e finalmente fazer minha formatura. Portanto, "vocês não sabem o prazer que é estar de volta".


Quando conheci "A parte que falta" e "A parte que falta encontra o Grande O" estava no quinto semestre da faculdade e os livros foram apresentados pela professora Mônica Carvalho, da disciplina de Literatura Infanto-Juvenil (Obrigado, Mônica!♥️). Deveríamos, naquele período, fazer uma atividade para o final de curso e tivemos esses livros como inspiração. Eu me arrepiei enquanto líamos juntos.

Infelizmente, não consegui mais comprar os livros naquele ano porque a editora já havia fechado as portas. Então, peguei o livro emprestado com a professora e decidi que os leitores da minha cidade, que não conheciam ainda mereciam conhecer essa história, por isso, montei um clube do livro e fiz a leitura deles. Para minha surpresa ninguém conhecia Silverstein até então. Foi outro momento emocionante da minha vida de leitor com as obras do autor.

Mas no início de 2018 a tão amada e querida Companhia das Letras relançou os dois livros para a minha felicidade e para a felicidade de quem leu pela primeira vez e se sensibilizou, como a youtuber Jout Jout que fez muito sucesso com seu vídeo sobre o livro, representando muito bem minha reação quando fiz a primeira leitura dele. 

"A parte que falta" e "A Parte que falta encontra o Grande O" são livros voltados para o público infantil, mas qualquer pessoa que ler pode se emocionar e levar consigo na bagagem de uma vida a mensagem contida no desenvolvimento dos livros. Para um criança, por exemplo, ter o primeiro contato com a história sobre a procura pelo outro talvez não tenha o mesmo impacto que para o adulto, mas com certeza a beleza da história e do final feliz - quando o Grande O adquire consciência sobre sua procura - pode contagiar o pequeno leitor também - que por sinal não deve ser subestimado. Aliás, se você é adulto e se recusa a ler livros infantis, sinto dizer: está perdendo muitas coisas. Há muitos livros que saem do simplório para trazer histórias simples e impactantes; histórias que não se restringem a um momento nem a um público específico como é o caso dos livros de Silverstein.

No primeiro livro, "A Parte que Falta", o leitor se depara com a simplicidade das formas geométricas não tão perfeitas para ilustrar a história, que com suas formas e palavras simples, mas ricas, nos envolve numa realidade muito bem conhecida. Essa história poderia ser sua? O Grande O poderia ser você ou poderia ser alguém ao seu redor? Talvez as respostas para essas perguntas indiquem o quanto "A parte que falta" dialoga com qualquer pessoa em qualquer momento de sua vida. E o diálogo é sobre a incessante procura pelo outro, a incessante procura pela parte que nos falta - e será que falta mesmo? 

Quando terminei a leitura me perguntei "Será que é ruim ser sozinho?", e a reflexão que esse questionamento me permitiu me fez enxergar coisas que eu não via e que são positivas para mim. O outro não precisa completar você, o outro quando chega é para somar; não vem como uma necessidade, com a parte decisiva que definirá o quanto você é feliz ou não na vida. Talvez a parte que falta seja somente aquele momento em que você finalmente percebe que pode ser preenchido com a liberdade e que a dependência do outro se faz correntes que uma hora você tentará quebrar a todo o custo.


Em "A Parte que Falta Encontra o Grande O", a história segue com a mesma simplicidade das ilustrações e não foge do tema principal do primeiro o livro. O Grande O evoluído depois de sua tomada de consciência, encontra uma parte solitário e a induz a seguir em frente. Sozinha. Tentando.  A encarar seus medos e seus tombos para viver sua caminhada sem depender do outro. No segundo livro que completa a ideia do primeiro, o leitor estará diante dos tombos e decepções da vida e da possibilidade que cada um tem de se reerguer, de ser persistente, de simplesmente SER.
"Eu esperava talvez
poder rolar com você..."

"Você não pode rolar comigo",
disse o Grande O,
"mas talvez possa rolar sozinha".
A mesma leitura pode ofertar a você um outro olhar para o que foi lido, um complemento para a minha leitura. Que tal ler os livros e me contar o que achou nos comentários? Experiências com a leitura, com o sentimento que causou em você?
PS: essa foi a minha leitura do livro e a experiência com a leitura também é minha. Talvez você tenha outra percepção diferente e ela também pode ser válida. Portanto, meu texto não deve ser encarado como verdade absoluta, apenas o meu sentimento em relação ao que foi lido.

Bjux
com carinho ♥️

27 de setembro de 2018

#TAG| MENOS EU


Opa!
Prepare-se para TAG mais aquariana que você irá conhecer a partir de agora.


Quando a Barbara Machado, autora de Antes de Casar, me marcou na foto me convidando para responder a essa TAG, pensei: "garota, você é aquariana? Tem algo de aquário na vida ou é só coincidência?" Porque, sério, aquariano que sou reconheço minha personalidade toda aqui. Dizem que aquariano é do contra... "Menos eu". ♥️

★ Gênero que todo mundo (ou a maioria dos leitores) ama, menos eu:

😃 Teria uma listinha aqui com alguns gêneros que para mim não rola mesmo. Poderia colocar aqui como primeira opção romance de época, porém nesse gênero eu me arrisco, mas... os livros HOT para mim não rola. Nas vezes que me propus encarar deu merda porque critiquei e critiquei muito os deslizes que encontrei e que pelo que vejo nas resenhas alheias acontece na maioria das vezes nesses livros. Então, PASSO FORTE!

★ Livro que o mundo inteiro já leu, menos eu:

Vi todos os filmes, mas não li os livros. E ainda assim me apaixonei forte por essa história.

😃 Há vários. mas com certeza Harry Potter. Apesar de ter assistido a todos os filmes não li um livro sequer. Não me envergonho disso, talvez um dia eu leia. Talvez não. Mas meu amor pelos filmes é REAL. 

★ Autor que todo mundo ama, MENOS EU:
(Por motivos de não ter uma resposta para essa pergunta decidi modificar essa questão, que originalmente pergunta por "um autor que todo mundo ama, mas você nunca leu".

Já li alguns livros da autora e tenho críticas não tão boas para todos, exceto "Talvez um dia".

😃 Nada contra a autora, mas não gosto dos livros dela. Possuem narrativas agradáveis, que prendem, que são confortáveis, mas... Histórias que ao meu ver são acompanhadas de grandes deslizes, de situações que não me convencem, muitas vezes forçadas demais. Então, para mim não rola. Todo mundo gosta, MENOS EU.

★ Livro que todo mundo ama, MENOS EU:

Comecei a ler o livro por causa do burburinho sobre a história quando lançou, mas achei ruim  e não consegui passar do primeiro capítulo. 

😃 Não adianta.  Crepúsculo (e a saga inteira) adquire o meu lado antipático de ser. Vi todos os filmes e ainda arrisquei ler o primeiro livro, mas não consegui avançar na leitura. os personagens não me cativaram, o romance também; no filme, nem os personagens nem os atores e suas interpretações toscas (reconhecendo as exceções) me convenceram.

★ O personagem preferido da galera, mas que eu não curto:

Não gerou sentimento desde o primeiro filme

😃 Não sei por que Peeta até hoje. Sinceramente é um personagem que não me convence. Acho sem graça, sem carisma... Enfim, não rolou. Desde o primeiro filme. Prefiro mil vezes o outro bonitinho que também era apaixonado por Kat - me perdoe, esqueci o nome dele, mas você com certeza sabe.

★ O ship que todo mundo fazia menos eu:
😃 Vou quebrar as regras e escolher dois: Harry Potter e Hermione: não sei, mas acho a amizade deles tão bonita, que não conseguia ver amor além do amor amigo ali, por consequência disso nunca torci por eles. Eu realmente torcia por ela e Rony.

- Posso falar também de Katniss e Peeta: Já deixei bem claro anteriormente que não gosta do Peeta. Com toda a frieza e muitas vezes antipatia de Kat, eu gosto muito dela. Mas por ele não rolou paixão. Preferia mil vezes que ela engatasse um romance com o outro bonitinho que também era apaixonado por Kat - me perdoe, esqueci o nome dele, mas você com certeza sabe.

★ Livro que muita gente não curtiu, mas eu adorei:

Meu casal predileto dos últimos anos

😃 UM DIA não pode não se encaixar nessa categoria. Não só adorei, eu AMEI FORTE e se tornou um dos melhores livros contemporâneos que li nos últimos anos (e olha que tenho 11 anos de blog e de leituras sem parar). Não entendo o por quê de muita gente não gostar: uns acusam o final do livro (que por sinal é uma das coisas que mais gosto nele), outros dizem que a narrativa é chata. Mas eu vejo uma riqueza nos diálogos e no drama dessa história, nos personagens e na complexidade deles também. I LOVE EMMA E DEXTER 🎔

★ Uma série que todo mundo ama, menos eu:

😃 Como não costumo ler séries, não teria uma resposta para essa categoria, mas vou improvisar e escolher uma série que muita gente fala bem, mas que eu sinceramente nunca vi nada de tão atrativo na sua proposta, muito pelo contrário, achei bem repetitiva, não li e não leria. É a série DIVERGENTE.


É isso aí! Espero que não tenha se assutado tanto com minhas respostas. Claro que respeito muito o gosto alheio e aqui há apenas a minha opinião sincera acerca de cada história e personagem que citei. Porque eu costumo muito falar do que gosto, mas é importante a gente mostrar o que não nos agrada também. ão dá pra fazer a Polliana o tempo inteiro, é preciso fazer o jogo do descontente também. Não só relacionado as suas leituras e personagens e programas favoritos, mas também na vida e nas situações que por um triz são capazes de nos empurrar para o comodismo.

Eu volto,
Um beijo ♥️

1 de agosto de 2018

NÃO CRIE DISPUTAS, CRIE ALIADOS


Olá você, leitor / leitora ♥️

Hoje eu gostaria de ter uma conversa com você, de amante de livros para amantes de livros. Aceite com carinha minhas palavras, discorde se achar necessário e acrescente se assim for da sua vontade. Se você tem blog e decidiu optar pela extensão dele, produzindo conteúdo também no instagram poderá se identificar com o post de hoje.



Para começar, quero dizer que o amor pelo que você faz é o que irá movimentar tudo na sua vida. Se você ama o que faz, com certeza terá motivos e incentivos de sobra para iniciar um trabalho, para correr atrás de uma profissão, e assim por diante. No outro post (CLIQUE) escrevi sobre humildade, sobre dar a mão, sobre apoiar o outro e não apoiar-se no outro. Aqui, vou comentar algumas coisas voltadas para as atitudes alheias que tenho observado no instagram e muitas vezes aqui no Blog também.

Há alguns dias, não sei se por coincidências, li comentários de pessoas enaltecendo o trabalho de uma pessoa e desmerecendo o trabalho dos demais em alto e bom tom. E isso me deixou indignado: 1) pela atitude imatura; 2) pela falta de respeito com os demais que comentaram nas publicações e que leram tais comentários. Nesse momento parei um pouco e pensei o por quê, qual a necessidade de agir dessa maneira no espaço onde o leitor encontrou para enaltecer a leitura, incentivá-la e de certa for usar sua voz para expor opiniões? Trocar ideias e opiniões é tão bonito; são maneiras de crescimento e amadurecimento como pessoa. Mas voltando para o acontecido, dadas as circunstâncias me levaram a desabafar nos stories e senti a necessidade de escrever sobre isso aqui também.

Estamos todos juntos nessa, ou pelo menos deveríamos.

Os blogs literários e IGs também estão aqui para escrever e falar de livros, comentar nossas experiências, entre outras coisas relacionadas a esse mundo lindo dado pelo prazer da leitura. Portanto, tenho uma questionamento: se a gente quer mostrar o quanto é belo, o quanto nos liberta e nos eleva o ato de ler, qual o sentido de formar grupos, criar disputadas de quem é melhor, quem tem mais seguidores, mais likes? A ideia é alimentar a vaidade alheia ou incentivar as pessoas a lerem? Sou professor e vivo a realidade na sala de aula, uma realidade dura só por perceber que muitos jovens, crianças e adolescentes ainda mantém distância da leitura, muitas vezes por não ter o incentivo dos pais ou por não terem contato com livros, principalmente pela seu contexto social. Então, acredito que se nos uníssemos em prol do incentivo à leitura, ao invés de medir forças conseguiríamos, aos poucos, mudar essa realidade. 

É comum olhar para o outro e criticar. Eu faço isso muitas vezes, não seria hipócrita de dizer que não. Mas não vejo dificuldade de analisar meus atos perante as situações que envolve o coletivo. Todo mundo erra, o que nos diferencia uns dos outros é que há pessoas que são humildes a ponto de reconhecer e tentar melhorar suas atitudes refletindo e olhando para dentro de si, enquanto outros caminham  com a ideia de que são melhores, querendo estar no topo sempre, ainda que para estar lá em cima ele precise passar por cima de quem está ao seu redor. E é muito disso que tenho visto. E isso é desesperador porque infelizmente é um mal que afeta toda a humanidade.

Não é ruim ser feliz por suas vitórias, nem querer ter destaque. É PRECISO SER FELIZ MESMO E CONTAGIAR. Precisamos ser reconhecidos pelos nossos esforços. Mas não é sobre isso esse texto. O que quero trazer aqui é: o fato de você ser bom, não anula que o outro seja também. O fato de você estar, aos poucos, conquistando um espaço, não quer dizer que outra pessoa irá tomá-lo. Muito cuidado, pois muitas vezes somos nós quem provocamos nossa queda. Reflita. Há espaço para quem lê Youg Adult, há espaço para os clássicos, há espaço para a fantasia, e tenho certeza que ao seu modo cada um tem algo novo para mostrar. Cada um tem seu estilo de mostrar, de fazer fotos, e todos os estilos são válidos, contanto que não faltem com o respeito a ninguém.

E não desmerecer o outro não quer dizer que você deve dizer amém para tudo o que ele faz, que deve achar tudo lindo e perfeito. Você tem seus critérios e precisa ser fiel a ele e a você mesmo. SEMPRE! Então, mais uma vez esse texto não é sobre isso: é sobre como nos comportamos perante o outro. Seja através de uma conversa amigável, uma resposta educada, o incentivo. Não seja um ser estrelinha, que acha que o mundo precisa estar aos seus pés porque você ganhou mais seguidores e porque quer ser reconhecido a todo custo. Se você faz um bom trabalha você terá seu reconhecimento mais cedo ou mais tarde. Queira ser destaque por suas qualidades, não por seus modos egoístas. Ao invés de criar disputadas, crie aliados. Use seus likes para mostrar o melhor do seu trabalho e o melhor de si; use-o também para reconhecer a qualidade do outro. Para fazer uma crítica positiva, para mostrar que o outro também tem capacidade de crescer. E já que citei agora a pouco aquelas pessoas estrelinhas, vou escrever mais um pouco sobre isso, partindo de um conceito meu.

Há uma diferença muito grande entre pessoas "estrelinhas" - e aqui eu escrevo no tom pejorativo mesmo - e pessoas "estrelas". As estrelinhas querem ser o centro das atenções e do seu mundo, mas no fundo estão cheias de insegurança, se alimentando de superficialidade. As estrelas são aquelas que brilham naturalmente, reconhecem suas qualidades e contagia com seu brilho natural. Uma estrela de verdade reconhece as qualidades no outro e convida os demais a brilhar junto e se contagia com essa luz também.

Eu escolhi ser uma estrela. E você?

Um beijo, com carinho.

6 de julho de 2018

HQ 'UMA DOBRA NO TEMPO': UMA ADAPTAÇÃO DE HOPE LARSON


Olá
♥️

Há alguns meses se me perguntassem qual das edições de livros da Darkside eu mais gosto, eu poderia apontar várias sem ter uma favorita. No entanto, isso mudou quando a editora lançou a HQ de UMA DOBRA NO TEMPO, adaptação de um clássico da fantasia e da ficção científica, de Madeleine L'engle. Essa sem dúvidas passou a ser minha edição favorita, de todas as edições maravilhosas lançadas.


Uma dobra no tempo é uma história de fantasia e ficção científica lançada originalmente em 1962. Em 2017, a Editora Harper Collins publicou o primeiro livro (e continua publicando a continuação) que foi adaptada para o cinema. E além de ir para as telonas, também contou com um lindo trabalho de adaptação e ilustração, de Hope Larson, com tradução de Érico Assis, para compor uma história em quadrinhos lançada pela caveirinha do amor ♥️ 

Numa noite escura, quando uma tempestade ameaça cair,  Meg e seu irmão mais novo, Charles Wallace, vai até a cozinha para fazer um lanche. Durante uma conversa com o irmão, e em seguida com a mãe, a lembrança do pai e os questionamentos sobre o seu sumiço fica mais forte. As pessoas acreditam que o Sr. Murry morreu, embora os meninos, a Sra. Murry e os irmãos gêmeos, Sandy e Dennys, acreditem que ele esteja vivo. Mas essa noite, Meg e Charles, ao lado de três figuras peculiares, e mais um companheiro inesperado, vão embarcar numa viagem por lugares que nunca imaginariam passar e vão descobrir as respostas para seus questionamentos: o que seria um tesserato (na noite passada a Sra. Murry ficou muito nervosa quando falou essa palavra)? Será que isso tem a ver como o sumiço de seu pai e a falta de notícias dele? Quando eles partem para uma aventura espacial e especial, partimos juntos com eles para tentar descobrir o que aconteceu com o Sr. Murry. Será que ele realmente morreu? Se não morreu, porque sumiu sem deixar notícias? O que poderá ter acontecido? 

Poder acompanhar as aventuras desses personagens foi muito especial. Uma dobra no tempo é, além de tudo, uma narrativa sobre a vida, sobre o que  nos movimenta, sobre como podemos viver em paz se aprendermos a lidar com as diferenças, a respeitar o espaço do outro e, acima de tudo, a olhar para dentro de si e para o outro. É também uma história de auto-conhecimento e aceitação. Unir uma história tão rica a um trabalho tão lindo e igualmente rico como o de Larson só trouxe mais brilho para o texto de L'engle. E quem ganha somos nós, leitores. 

Quando uma imagem se encaixa perfeitamente ao texto, traduzindo o estado de espírito dos personagens nas diversas cenas e nos diferentes tipos de emoção não tem como não dar certo. E foi isso que aconteceu com a HQ de UMA DOBRA NO TEMPO: deu muito certo. Traços e cores se uniram para apresentar os personagens da história e a complexidade deles, além de mostrar cenários fiéis às descrições contidas no texto original. 


Um dos traços mais lindos da HQ é, coincidentemente, do meu meu personagem favorito, o garotinho Charles Wallace. Sabe quando um personagem te escolhe? Foi o que aconteceu. Sempre que me deparo com uma cena dele fico em paz e emocionado. É um personagem tão encantador, em todos os sentidos, que consegue extrair de mim um sentimento especial. O desenho acima é um dos meus favoritos e acredito que registra muito bem essa cena, e comprova a qualidade do trabalho do ilustrador. 

Além da ilustração impecável, não posso deixar de comentar a edição do livro como um todo. É um clichê falar sobre a beleza e o cuidado com as capas e edições de livros da Darkside, mas é preciso enaltecer. Totalizando 390 páginas, a HQ tem um trabalho de capa cheio de detalhes marcantes e que chama a atenção do leitor. Cores lindas, detalhes brilhantes (até mesmo na lombada), lateral com auto-relevo e uma tradução impecável. O texto está muito confortável de ser lido e realmente entrega para o leitor o essencial da história. 

Ter uma HQ como essa na sua estante é mais do que ter mais um livro, é ter um trabalho de arte feito com cuidado e com carinho para que você possa aproveitar o melhor do conteúdo e ter uma experiência de leitura única. Espero que você leia e termine a leitura tão encantado e apaixonado como eu.

Um b-jão, ♥️
com carinho.

14 de maio de 2018

A OUTRA SRA. PARRISH, LIV CONSTANTINE



Olá!

O que estão lendo neste momento? Trago hoje uma dica de livro do coração para você que está na dúvida e ainda não sabe qual será sua próxima leitura. Conhece A outra Sra. Parrish, das irmãs Liv Constantine?


Publicado pela editora Harper Collins, A outra Sra. Parrish é o tipo de história que não te deixa respirar, apenas querer mais. Com uma narrativa leve, mas muito envolvente e direta, o texto nos convida a conhecer Amber, mulher gananciosa, que saiu da pequena cidade onde morava com os pais para conseguir a riqueza que tanto almejou durante toda sua vida miserável. Ela chega à nova cidade com tudo planejado e seu novo alvo é Daphne Parrish, mulher rica e sofistica, casada com o "incrível" Jackson Parrish. Segundo as pesquisas de Amber, os dois formam um casal perfeito e admirado pela alta sociedade. E é isso que ela quer. Alguém notório, muito rico, que possa fazê-la viver uma vida cheia de glamour e regalias. Ela agora quer ser a Sra. Parrish e vai fazer de tudo para conseguir separar Daph do marido. Mas um grande segredo de seu passado vem à tona colocando Amber e tudo o que ela conquistou na corda bamba,

"Amber Patterson estava cansada de ser invisível. Havia três meses que frequentava aquela academia todos os dias; três longos meses acompanhando aquelas desocupadas (...) Mas Amber não se importava com nenhuma delas. Havia somente um motivo para se arrastar até ali todos os dias, até aquela máquina, às oito horas em ponto."

Daphne Parrish é uma mulher da alta sociedade, que vive uma vida de regalias e está sempre muito bem vestida nas grandes festas, acompanhada do marido, um dos homens mais ricos de Bishops Harbor, em Connecticut. Ela também organiza eventos para ajudar pessoas com fibrose cística (doença que afeta os pulmões, da qual sua irmã morreu). Daphne tem duas filhas, Tallulah e Bella, meninas completamente diferentes, mas que parecem encher o pai, Jackson, de orgulho. Ele é um homem bonito, muito atraente e desejado. Sempre se relacionou com belas mulheres ricas, até conhecer Daphne e se casar. É o homem perfeito, num casamento perfeito. Até Amber aparecer.

A outra Sra. Parrish nos envolve numa premissa inteligente e surpreendente sobre a vida de duas mulheres com realidades de vida muito diferentes, mas que de alguma forma se encontram no meio do caminho. Elas não possuem nada em comum, a não ser a mentira que as cercam. Para o bem ou para o mal, Amber e Daphne carregam máscaras e motivos nem sempre justificáveis para suas ações. Você já parou para pensar o que é verdade e o que é mentira nas coisas que você vê?


A narrativa é direta e cativante, e segue um ritmo que a torna ainda mais atrativa, embora fadada a causar estranhamento no início - as coisas parecem seguir um ritmo frenético e a facilidade dos acontecimentos, irreais demais. Não diria ser uma trama inovadora, mas com certeza é competente e muito boa em despistar o leitor a ponto de fazer a surpresa valer a pena e mexer com seus sentimentos. Talvez você tenho um sentimento no inicio da leitura, que irá se transformar no final dela. Isso é muito bom porque de certa forma nos faz questionar a maneira como enxergamos as pessoas e por que as colocamos num pedestal.

Amber é uma vilã que merece destaque e o melodrama de Daphne é a imagem perfeito da vida que leva, pelo que sofre com Amber, com a falta da irmã e pela máscara que tem que carregar. São personagens complexos, que marcam o romance de estréia de Constantine e que recria personagens sociopatas ao estilo "O talentoso Ripley", como cita a Publishers Weekly. Quem é de verdade nessa história?

Glamour, mentiras, inveja, ganancia e uma reviravolta que vai surpreender você, nesse thriller psicológico chocante, e também emocionante, das irmãs Constantine. Será que realmente vale a pena viver a vida do outro? Até onde você iria para conseguir o que quer?  "A outra Sra. Parrish" é uma trama cheia de tensão, que nos faz refletir sobre o olhar que temos para o outro e sobre como nem tudo é o que parece ser.
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