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13 de agosto de 2018

[#5] Para você, com carinho


♥️ Hoje, finalmente, trago a postagem do projeto "Cartas para você", que deveria ser postado no dia 10. No entanto, contratempos existem e me impediram. Mas aqui estou eu. E aqui está mais uma carta para você, com carinho. Se gostar, compartilhe nas redes sociais, talvez essas palavras estejam em busca de mais alguém; e talvez exista alguém também em busca dessas palavras.



Olá!
Tudo bem? ♥️

É para você que está pensando em desistir.
Para você que está pensando em deixar tudo para lá.
Para você que não está satisfeito com o trabalho.

Para você que não está satisfeito.

É para você. 

Experimente colocar os pés no chão, respirar fundo, se conectar com você mesmo procurando equilíbrio e paz de espírito. Tenho percebido que meditação ajuda, amigos meus meditam, eu aprendi a meditar também quando as coisas estão pesadas demais para carregar sozinho. Meditar ajuda a se conectar com energias positivas e tranquilas. E quando você abrir os olhos perceberá que está renovado para encarar seu dia.

Quando sair da cama cante uma música - "quem canta seus males espanta" -, fale com quem ama, contemple uma flor, lembre de uma situação engraçada. Não fuja dos problemas, mas pelo menos ao acordar deixe-os guardados. Acordar e dar as mãos aos problemas só gera estresse e desespero e tudo o que a gente precisa ao acordar é de paz. Como já disse, ela nos ajuda a encarar nosso dia e seus momentos caóticos. Não é algo que seja fácil, eu entendo. Porque pense numa pessoa que tem pavio curtinho! Essa pessoa sou eu. Mas eu tento. E talvez escrever para você, te incentivar a tentar, possa ser algo que desperte em mim satisfação interior também.

Está aí! Que tal dizer uma palavra de conforto a alguém, declarar seu amor às pessoas que ama? Todo dia é dia de falar de amor. A gente nunca sabe qual será o último, então por mais que reclamem - porque elas reclamam e estranha mesmo - e te chamem de carente por isso, dê o seu melhor, fale amor para ela. Tente se encher de sentimentos bons para oferecer sentimentos bons também. E com isso não quero dizer que você não pode se sentir estressado porque ambos sabemos que isso não existe. Não conheço uma pessoa sequer que não fique irritado, cansado, P da vida durante o dia. Desconfio das que dizem que sim. Não seja essa pessoa. Revele-se e seja verdadeiro com você mesmo. Esse também é um bom passo. Se você se presenteia com mentiras, foge de quem você é, do que você sente, você será uma mentira e estará fazendo mal primeiramente a você mesmo.

Portanto, revele-se. Sinta. Reconheça. 

Sabe o que ajuda também? Pelo menos comigo acontece assim. Tente olhar para o mar, contemple-o. É libertador. Mas se não tiver mar, tem céu. Tem estrelas, tem o sorriso inocente de uma criança. E tem uma história incrível para você ler. Tem o contato com Deus. Tem também seu animal de estimação, sempre tem alguma coisa. É importante saber o que te dá prazer porque nos momentos em que precisar recarregar suas energias você poderá se voltar para isso até que se sinta preparada para recomeçar. A vida é feita de recomeços e é preciso que você esteja renovada e conectado com seu eu a cada dia. 

E não, essa não é uma carta de auto-ajuda, não quero dizer o que você deve fazer para se sentir melhor. É você que precisa descobrir. Essa é uma carta para incentivar você a buscar o que te dá prazer, a conhecer suas angústias e ser verdadeira com seus sentimentos. É uma carta para dizer que ainda que haja adversidades no seu dia, pessoas benevolentes e a paz sempre estará ao seu redor esperando por sua atenção. Tente percebê-las. 

Um beijo, com amor. ♥️ 

- Essa carta é parte do projeto CARTAS PARA VOCÊ♥️ feito junto com a Monique no blog Vivendo Sentimentos e a Emy, do Blog MerakiPostaremos cartas com temas aleatórios todo dia 10 de cada mês. Você também pode participar. Envie o link de seu texto para vidaeletras@gmail.com

10 de dezembro de 2017

Música como inspiração - ♥ Citação "Vilarejo, de Marisa Monte".




Olá!
Fim de ano costuma ser de muita correria para boa parte das pessoas e por aqui não é diferente. Vida social, amigos e família que merecem atenção, além disso as responsabilidades com a casa, com o trabalho e com a faculdade gritam pedindo atenção. E a mente da gente fica uma bagunça também, afinal são muitas as informações a serem registradas. 

Ufa!

Estou um poço de cansaço, e o cansaço acaba nos atrapalhando em muitas coisas. O ânimo nos é tirado, a disposição também, e principalmente a criatividade. A mente já está tão cansada, que chega um momento em que parece que dali não vai sair nada. E de fato comigo acontece muito isso, tanto que há dias que não posto aqui e passei um tempo sem fotografar e postar no Vida & Letras instagram também. Isso porque até poucos dias eu não conseguia ter ideias do que fazer, qual cenário montar para as fotos e o que escrever. Nada adiantava, minhas tentativas não valiam porque eu nunca estava satisfeito. Ao invés de relaxar eu sempre procuro mais e mais trabalho, forço a mente e, sinceramente, fico frustrado. Porque além de tudo isso sou uma pessoa extremamente perfeccionista d detalhista. 

Mas por que estou dizendo isso?

Primeiro para justificar esse hiato nos posts e depois para falar de música e do que ela pode fazer por nós.

Durante o ano posto poucos textos relacionados à música, com playlists, por exemplo, o que pode, talvez, fazer com que as pessoas pensem que não sou tão ligado à música assim. Mas isso não é verdade! Eu sou uma pessoa muito musical. Acordo na madrugada cantando - acreditem! -, saio de casa e chego em casa cantando. Mas acontece que com todo esse estresse do dia-a-dia acabei me afastando um pouco da música num dado período. Nesse tempo, a agonia e o estresse, as cobranças e as questões sentimentais me colocaram num lugar ruim, atacou minha saúde e me colocou na cama, através de uma crise forte de enxaqueca, que comprometeu minha visão e tirou minha paz. Na consulta com a médica a primeira coisa que escutei foi: diminua o ritmo, durma mais cedo e procure relaxar. E foi a partir dessa exigência que decidi cuidar mais de mim.

Há muitas coisas pelas quais a gente pode se deixar levar e consequentemente nos permitem viver momentos prazerosos. Um Yoga que a gente faz, o contato com a natureza, uma boa noite de sono, entre outras coisas. Então, senti a necessidade de me cuidar e tentei apelar para o que estava ao meu alcance: A MÚSICA - que acaba sendo o meio mais fácil de alcançar a paz e ter tranquilidade.

Escutei muitos mantras e fiquei em contato com os sons da natureza também. Além disso, criei playlists de músicas de bandas e cantores que amo. A reunião dessas músicas, aos poucos, foi me colocando num lugar mais tranquilo e sereno, e se fez inspiração para mim. Se eu já não estava produzindo nada, com a calma que senti com a ajuda da música, finalmente consegui fazer fotos que me deixaram satisfeito, no estilo que queria, me obedecendo e sendo fiel a mim.

Uma das músicas que mais me influenciaram e inspiraram foi Vilarejo, de Marisa Monte. Que inclusive foi a música que me deu ideia para fazer essa foto que ilustra o post. Enquanto fotografava minha plantinha, ao som de Vilarejo, me senti preenchido pela paz e pelo amor de forma inacreditável. Valeu a pena cada música, cada som que ouvi e cada letra que cantei.



Sandy, Skank, Ana Carolina, Marisa Monte, Shania Twain, entre outros artistas estão na minha playlist. Que tal você criar a sua e se deixar levar pela música também? A música é uma linguagem universal, nos acalma, nos levanta, nos anima, nos inspira. 

Um Bju meu.
Até a próxima.



21 de agosto de 2017

E os dias têm sido assim...


Olá, pessoas!

Sei que ando um tanto sumido, mas já aceitei a dura realidade de que todo fim de semestre eu vou passar por isso, e passarei por aqui só de vez em quando (isso é triste, cara!). Talvez a maioria de vocês nem queira saber o que ando fazendo, mas eu preciso mesmo me justificar para aqueles que realmente vem aqui, leem, comentam, gostam; e para aqueles amigos tão bloggers como eu que estão sentindo minha falta com comentários e trocas de opiniões também. 

Como muitos sabem eu comecei a dar aula no início do ano e isso é uma das coisas que tomam boa parte do meu tempo, assim como a faculdade. A experiência está sendo maravilhosa. Apesar do cansaço, não reclamo. Estou me realizando com meus alunos e o carinho que recebo deles. 

Com o final de semestre na faculdade eu estou três vezes mais louco, cheio de textos que faltam ser lidos, estudados e analisados. Além dos textos, tenho uma análise a ser feita (para ser entregue no dia 31 deste mês), de um clássico,  para a disciplina de teoria da narrativa. O livro, que foi escolhido pela professora (e eu amei), foi Madame Bovary. Eu sempre quis muito ler esse livro, mas sempre disse que só leria ele quando pudesse comprar essa Edição linda, da Martin Claret. Aproveitei a oportunidade e aqui está ele comigo, sendo lido num momento de paz, na faculdade.


Dias tranquilos assim têm sido escassos por aqui. Os livros de parceria estão acumulados (e eu juro que tento ser o mais organizado e pontual com as leituras), as postagens aqui também estão bem fraquinhas, justamente por causa da correria, resultado da distância de minha casa para o trabalho, impossibilidade de sentar por conta do ônibus cheio, além dos compromissos com os planos de aula e as tarefas de casa também, etc. 

No último sábado foi que eu vivi um pouco de tranquilidade, depois da aula que tive pela manhã, e fiquei feliz também porque finalmente o SOL apareceu e fez um dia LINDO - eu realmente me sinto feliz e disposto nos dias de sol - e fez tanto calor que eu até bebi muita água (coisa que não faço no inverno ou nos dias de frio, apesar de saber que não é certo. 


E aí vocês me perguntam qual o sentido dessa foto, não é? Aquariano que sou... Digo que não precisa fazer sentido não. Se vejo beleza é o que importa.

E nesse sábado também até rolou um encontro especial com uma amiga que eu já não via há um bom tempo. Fui convidado para almoçar com ela e aproveitei para tomar uma Heineken de leve.

 E não gente, não sou de beber muito. Mas também não é como se eu não bebesse nunca! 

Além de fazer coisas divertidas também tenho encarado umas bads, momentos introspectivos que chegam, mas me deixam a oportunidade de refletir muito sobre quem eu sou, quem estou sendo ou quem estou deixando de ser e por que disso. É um momento que me permite viver minha companhia, minhas convicções sem ser interrompido, sem ter que me limitar por conta de algo ou alguém. E eu gosto tanto, acho que a gente precisa disso em alguns momentos. Estar conectado consigo é um dos momentos mais bonitos que vivemos na vida.


E assim eu vou...


E eu estou aguardando as férias ansioso. Preciso de descanso, de organização, de mais leituras e mais tempo para mim. Mas sabe de uma coisa?

Gratidão por tudo isso e por essa escassez do tempo. É sinal de que finalmente consegui preencher os meus dias e a minha vida como sempre quis.

E vocês estão satisfeitos?

Beijos e abraços,

14 de fevereiro de 2017

Primeiro eu, depois o amor e eu...



Olá!

Outro dia encontrei por acaso um colega, uma pessoa querida, enquanto caminhava pela rua num daqueles dias corridos, cheio de pressa, em que parece que não vai dar tempo de fazer terça metade do que preciso fazer. Acho que você também se identifica com isso, aliás o ser humano em si parece desejar mais do que 24 horas no dia. Foi um encontro legal, deu para conversar, matar a saudade. Mas ele fez um comentário despretensioso e com a melhor das intenções, claro, que me fez refletir e convidá-lo a refletir comigo. E agora eu convido você para fazer essa reflexão também.

"- Di, como você está lindo! Está diferente, tem um brilho a mais, está mais leve, parece mais feliz.
- Obrigado, realmente estou mais feliz, estou de bem comigo mesmo, ao contrário daquele período tenso pelo qual passei - respondi.
- Você parece outra pessoa - ele disse e logo acrescentou. - Está namorando?
- Não, eu não estou namorando. Continuo solteiro.
- Tá solteiro, sério?! - fez cara de espanto - Está tão feliz que me pareceu estar com alguém."

Quem me conhece sabe que há três anos sai de um relacionamento de 3 anos e foi um período pesado, fiquei mal, fiquei doente, tive principio de depressão. Foi realmente uma fase assustadora, perturbadora. Eu não sabia para onde ir, como ir. Quando sai daquele relacionamento parece que eu não tinha um norte, foi como se eu tivesse entrado de cabeça no mundo do meu ex parceiro e vivido outra vida, por isso quando voltei para o meu mundo eu não conhecia mais os caminhos - sabe aquelas plaquinhas indicando é para lá, é para cá, que Alice encontra no mundo das maravilhas? Era assim que eu estava. Senti muito medo. Fiquei estático, sem ação. Uma dessas pessoas que presenciaram isso foi esse colega, que me deu muita força, animou muito os meus dias mais sombrios sempre que possível. Por isso entendi da melhor maneira seu pensamento, mesmo que eu possa observar uma dependência muito grande por parte dele nos relacionamentos - mas isso é algo pessoal de cada um, não vem ao caso. 

Depois que fiz terapia e consegui me encontrar, voltar a mim, caminhar sozinho e sorrir sem precisar ter motivos eu realmente virei outra pessoa. Eu gosto mais de mim, vivo mais para mim, e aprendi muito sobre quem eu sou. Eu entendi que é primeiro eu, depois o amor e eu.. e eu. Como diria Ana Carolina, sou feito pro o amor da cabeça aos pés. É o amor que nos movimenta, gente. É ele que nos faz querer seguir adiante. O amor, não o outro. Se você não tem amor pelo que faz, por você mesmo e pela vida para onde mesmo você vai?

Por um bom tempo eu vivi essa história de que a gente precisa de um complemento para ser feliz. E a gente está cansado de saber que não é bem assim. Precisamos compreender a nós mesmos, compreender que somos especiais acompanhados por alguém ou não. Somos livres para sermos felizes independente de quem esteja ao nosso lado. Afinal, eu tive vários momentos tristes também ao lado do meu parceiro, mesmo na melhor fase da minha relação. Ele segurou a barra junto comigo, me deu a mão, mas minha tristeza estava ali. Então por que que eu precisaria de alguém para ser feliz, se esse alguém não espantaria minha tristeza também? Você entende onde quero chegar? 

Estar feliz e estar triste é da natureza do ser humano, precisamos nos permitir viver os dois momentos. Quando a gente guarda a tristeza e abafa um grito, estamos assinando uma sentença que assegura uma explosão devastadora e então tudo desaba de uma só vez. É preciso se permitir apenas SER. Apenas seja. Ser você mesmo não depende de alguém, mas sim da paz que você encontra lá no fundo da alma. Quando você encontra a paz e se basta entende quem você é, o que você quer e segue adiante. Sozinho. E nem sempre estar sozinho é sinônimo de solidão. Estar sozinho também pode ser uma opção, a melhor opção para você naquele momento.

E assim aconteceu comigo. Hoje me sinto pleno, realizado. Eu tenho o amor dentro de mim, é somente eu e ele. E juntos atraímos o amor que vem do próximo, a boa energia de quem a gente escolhe ter por perto também. Eu tenho amigos que me amam e que eu amo tanto! Tenho uma família que me ama, que me faz sentir uma pessoa completa. E eu tenho a Deus, e volto a dizer que tenho amor. Aliás, nós temos. Um amor imperfeito, mas se moldado, se bem cuidado, um amor que vale a pena e cabe. Na maioria das vezes tenho um amor julgado pelo outro da pior maneira, mas sinto ele dentro de mim, me fazendo sentir alguém especial e é isso que importa. Ninguém sabe como você se sente no seu íntimo, ninguém sabe o que eu sinto ou como me sinto. E eu não preciso de ninguém para ser especial. Você também não. A gente tem sorte de "ser feliz sem mais ninguém/ sem ser refém".

Somos livres e a felicidade é para todos. Juntos ou separados.

"- Olha, pra ser feliz a gente não precisa estar com alguém, basta estar de bem consigo mesmo, ter amigos e família por perto; bastar estar fazendo o que gosta e fazendo da melhor forma possível para colher frutos do jeitinho que você quer. Isso faz de você uma pessoa plena. - Respondi a ele."

Você se sente uma pessoa plena?  

XOXO,

31 de outubro de 2016

Pax, da Sara Pennypacker - A Paz na Guerra




Olá!

Você já descobriu o que te traz paz? Já descobriu qual a morada que te deixa em paz? Já descobriu o caminho que te leva à paz em meio à guerra?

Estou exatamente onde deveria estar e fazendo exatamente o que deveria fazer. Isso é paz. (Pág.: 107)

Dentre as abordagens que o livro traz, a paz na guerra, o amor e a ligação entre dois seres em meio ao caos - conflitos pessoais, conflitos de caráter e sentimentos - são as principais inspirações que marcam o texto de Sara Pennypacker, PAX, um dos lançamentos da Editora Intrínseca deste ano.

Pax e Peter são inseparáveis, há uma ligação muito forte entre eles mesmo quando, por algum motivo, se separam. Não importa onde estejam, o sentimento e a forte ligação entre eles fazem com que estejam sempre em sintonia. A raposa está agora perdida numa floresta porque o pai de Peter achou que seria melhor abandoná-la já que está indo para a guerra e o garoto, consequentemente, vai ter que morar com o avô - um velho rabugento, com um bom humor quase inexistente. No entanto, quando o garoto de 12 anos percebe que não conseguirá viver em paz sentindo a falta de sua raposa, enquanto ela está perdida e indefesa no meio da floresta, ele decide fugir da casa onde está morando para voltar ao local onde Pax foi deixada, para resgatá-la e levá-la para casa. Durante a árdua caminhada o menino acaba machucando o pé e vai parar na propriedade de uma mulher chamada Vola, que vai ajudá-lo a curar o machucado e a curar as feridas que traz consigo, causada pela mágoa; ela vai preparar o garoto para "luta", para saber se virar na estrada quando, enfim, sair de sua casa para continuar sua busca. Mas o garoto também ensinará muito à mulher, que perdeu uma perna na guerra e se martiriza por suas ações. No final, os dois descobrem algo mais sobre quem realmente são e moldam suas ações.

Enquanto isso, Pax conhece Arrepiada, uma raposa sagaz, traumatizada pelos maus tratos dos humanos, bem como seu irmão mais novo, Miúdo, além de Cinzento, uma raposa valente e que se torna companheiro de Pax. Juntos as raposas vão desbravar a floresta, fugindo dos humanos que estão colocando armadilhas e causando explosões. Nessa caminhada cheia de perigo, Pax aprenderá a caçar e conhecerá um pouco mais sobre suas origens e o seu habitat natural, o qual nunca conheceu pois vou levado por Peter quando ainda era bebê, depois da morte dos pais e dos irmãos.

Enquanto Pax e Peter tentam sobreviver aos percalços durante a caminhada tentando um reencontro, ambos vão descobrir um mundo novo e novos sentimentos. Vão descobrir mais sobre quem são e onde ficam seus respectivos lares.

Pax ocupa as prateleiras de livros infantis, nas livrarias. No entanto, ainda que seja direcionado ao público infantil, não se restringe apenas a ele. Esse  um livro para a criança, para o pai, a mãe, a família; é um livro para qualquer pessoa que, por ser gente, em algum momento torna-se um doente de guerra. O título, que é também o nome dado à raposa da história, está escrito em latim, e significa PAZ.

A narrativa de Pennypacker é leve, mas com um texto rico em significados, analogias, metáforas e referências. A autora escreveu um texto que pode ser considerado simples, mas de forma alguma simplório. E uma das coisas que mais me chamaram a atenção é que ela não subestima o poder intelectual e perceptivo da criança. Geralmente os livros infantis traz textos repletos de diminutivos e situações que são entregues facilmente ao leitor, e isso não acontece com Pax. É um livro que você se sente confortável durante a leitura e que deixa plantado na mente do leitor o desejo de refletir e ir mais além do que está dito em cada página.

A história gira em torno de Pax, a raposa, e Peter, o seu menino, que o pegou quando ainda era um filhote. Os capítulos são intercalados entre o garoto e a raposa, e podemos acompanhar o que cada um está fazendo nessa busca incessante pelo outro. A amizade entre os dois é uma das coisas mais lindas que você vai conhecer no livro e facilmente poderá pensar no seu cachorro, no seu gato, no seu bichinho de estimação, que faz você se sentir em casa, como se já tivesse encontrado um bom lar para viver. Num momento em que estamos frequentemente vendo pessoas - doentes de guerra - maltratando animais, a história de amor entre os dois seres, em PAX, e a ligação que eles têm de sentir o que o outro sente, de sentir a presença um do outro se faz inspiração para o leitor.

Peter tinha a estranha sensação de que ele e Pax eram um só. A primeira vez foi quando ele  o levou, ainda filhote, para passear. Pax viu um pássaro e começou a forçar  a coleira, tremendo como se estivesse recebendo uma carga elétrica. E Peter viu a ave pelos olhos de Pax: o incrível vôo veloz como um raio, em liberdade e velocidade absurdas. (Pág.: 23)

Além de trazer a questão da amizade entre o menino e a raposa - o ser humano, o ser animal - o texto aborda o caos causado pela guerra e a paz em meio ao caos que ela provoca. Mas isso não se restringe às guerras relacionadas à luta entre pessoas por territórios e espaços, mas sim à guerra que travamos o tempo inteiro na vida: o sentimento que a gente tenta domar e muitas vezes deixamos tomar conta de maneira negativa; a guerra entre o ser e o não ser - o quem sou? A dicotomia "bem e mal" também está presente na história, quando o enredo nos apresenta o entendimento de que nem todas as pessoas agem de maneira igual: não somos ruins, mas também não somos bons. Apenas em algum momento da vida aprendemos a controlar instintos, embora estejamos fadados a falhar de vez em quando.

Todo mundo tem dentro de si uma fera chamada raiva. E essa fera pode até ser utilizada para o bem. Muitas coisas boas vem da raiva que sentimos das coisas ruins, muitas injustiças são consertadas assim. Mas primeiro temos que descobrir como controlá-las." (Pág.: 222)

Sobre as referências que o livro traz, destaco a d' O Pequeno Príncipe, que tem como amiga uma raposa, que traz à tona a importância de cativar o outro. Além disso, Pax aborda claramente a questão da falsidade humana, do adulto e da criança - os adultos não entendem nada. Facilmente podemos lembrar do filme Marley e Eu e Para Sempre, que trazem a relação entre um humano e um animal e a ligação que existe entre eles. 

Pax é uma história de amizade, que encanta o leitor pela simplicidade do enredo, que se faz envolvente e cheio de surpresas. É um livro sobre a paz em maio à guerra, sobre a tentativa de levar a paz ao caos e a tentativa de encontrar a paz na sua moradia - um lar nem sempre é uma casa, mas às vezes pode ser uma pessoa. Uma história poética e encantadora sobre amizade, família e Paz. 

" - Afinal, você quer voltar para casa ou para seu bichinho?Dá no mesmo. - A resposta saiu espontânea e firme, o que o surpreendeu." (Pág.: 95)

XOXO.
Diih.


15 de janeiro de 2012

'O que eu não sei'



Sabem de coisas que não sei
Mas sei que deveria saber
Então, por que não me dizem?

Sabem que devo paz ao coração
Sabem de uma dor que não pode ser em vão
Mostram-me que sabem demais,
Mas eu não.

Então, por que eu deveria saber
Se doer, se sangrar, se errar
É tão errado?

Escondem e eu nem sei por que
Se escondem e eu nem sei do que
Sabem, mas não querem me dizer
Até onde eu devo saber o que ainda não sei?

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