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4 de março de 2012

Caderno de poesias



Em algum banco de praça ele deve ter ficado. Alguma loja de roupas, num balcão de um supermercado ou num sofá de um shopping. Deve estar esperando por mim agora ou já deve ter ido embora por horas ou dias. Poucos dias, mas dias que parecem eternos.

Com ele eu deixei palavras, declarações, amor e imagens. Deixei definições, desabafos sobre ‘ele’, sobre a minha paixão. Ficou todo o meu cheiro, meus lamentos e o meu carinho maior. Lá, em um lugar que não sei onde, ficou um amigo, um fiel confidente e os meus maiores segredos.

Eu não sei onde ele está agora levando a minha poesia. Só sei que abaixo do céu e da lua está somente eu aqui num cantinho do mundo. Eu e meus passos, eu e a minha sombra.

Quem sabe aquelas folhas preenchidas com lápis e caneta colorida estejam sendo jogadas fora, rasgadas e toda minha inspiração tenha vivido apenas por segundos? Ou, quem sabe, aqueles papéis onde depositei tanto amor e fidelidade, estejam levando poesia e paixão para a vida de alguém que precisa sentir tanto quanto eu?

Que ele esteja em boas mãos. E se for por amor, que seja sempre assim.

2012 © Diego França

16 de fevereiro de 2012

'Querida vida que está sendo salva (Parte de um caderno de anotações)'


Tudo começou com a saudade. Os dias que eram nossos chegam e se vão e até então já não servem de nada. Tudo continuou numa tarde de sábado. Eu, ele, "eles" e uma vida inteira sobre nós. O que dizer daquele beijo que tanto gostaria de ter dado? O beijo que tanto esperei? O beijo que, enfim, aconteceu?

O tempo passa e as coisas ficam tão nítidas. Os olhos abrem-se e a paisagem se faz tão cheia de detalhes que, até então, passam despercebidos. Foi quando decidi não deixar que essa história se tornasse tão triste. Todos falam que deveria ser feliz e eu acredito; Dizem que minha melancolia está voltando-se contra mim. Todos gostam da poesia que faço, mas me dizem que é sempre tão triste. E é por isso que resolvi acordar mais cedo, olhar para o céu e, quando avistei o arco-íris, percebi que era o momento de colorir – dar cores vivas e felizes – a minha vida. Decidi mostrar para vocês o meu processo de crescimento.

Dividirei com vocês uma página do meu caderno de anotações. E é assim que começa:

’Querida vida que está sendo salva’

Hoje me encontrei com aquele que amo. Foi uma tarde linda de sábado e meu coração não cabia em mim. Batia tão acelerado, mas tão acelerado, que eu acreditei que pudesse colocar nas mãos e, mais uma vez, entregar nas mãos dele. O melhor de tudo é que não o fiz e consegui contê-lo da forma mais discreta possível. Eu até gostei, sabe?! Acho que estou aprendendo e crescendo.
A tarde caminhou lenta e muitas fotos marcaram os momentos também. Estava eu, ele e os nossos amigos. Estávamos nós e ainda as lembranças, a saudade e os olhares cúmplices que eu soube desviar como nunca. Veio-me um filme na cabeça e tudo estava sobre os meus olhos. A foto do abraço cheio de ternura do nosso primeiro encontro depois do pedido de namoro, as brigas bobas e os beijos na beira da piscina. Todos as frases e um “você me faz feliz” eu consegui escutar (sério, era como se estivesse vivendo tudo aquilo). Certo que tudo isso existiu, mas eu estou tão a fim de acordar, tão a fim de voltar a mim.
Desde aquele dia em que ele foi embora e a tolha molhada ficou na cama, assim como o seu perfume, tanta coisa aconteceu. O presente não olhou para trás e eu acreditei que não fosse suportar. Sim, porque a dor é tão grande e o drama que vive impregnado em mim, ajuda bastante. E com isso o tempo foi passando.
Voltando à tarde de sábado... Ao sentar na beira da piscina e encontrar o olhar dele encarar o meu, ele me abriu um sorriso e eu me vi num mundo azul e as nuvens brancas sobre meus pés. Como sempre foi aquele sorriso me convidou para um lugar mais calmo, longe de tudo e de todos e, de repente, lá estava eu e ele. E é aqui que veio a decepção.
Não estou usando sua página para falar de coisas tristes, dessa vez, companheiro. Mas eu vou chegar lá. Enquanto estávamos a sós, ele me abraçou e não me disse palavra alguma. Eu o abracei em silêncio também. Mas quando encostamos nossos lábios, eu me senti tão estranho. Enquanto eu tinha todos os desejos e sentimentos bons, fortes, gritantes e desesperados, ele tinha fúria, desejos e nada que eu pudesse identificar como um sentimento puro e uma saudade sem limites. Foi um beijo que desconheci, tentei procurar lá no fundo e não encontrei nem um pouco daquele sentimento que ele dizia sentir por mim. Aí eu pensei: “Acho que me esqueceu...”, e veio aquele vazio outra vez. Então eu saí correndo de lá. Chorei tudo o que tinha que chorar e no outro dia acordei vivo, dentro de mim e sentindo uma imensa vontade de me acompanhar. Percebi que mudei, estou mais firme, mais seguro de mim. E eu aprendi tanta coisa... Talvez tenha sido necessário passar por tudo o que aconteceu. E valeu a pena. Outro dia veio e eu, mais uma vez, encontrei em mim tudo o que preciso para viver.
E é por isso que eu pergunto a quem está lendo essa página agora: Você já beijou a pessoa que ama hoje? Essa pessoa te passou algum tipo de sentimento de amor e afeto? Se sim, coloque um sorriso no rosto, abrace-o (a) muito forte a ponto de dizer "eu te amo" no silencio. Se o sentimento não existiu reciproco, nesse beijo tão esperado, abrace a você mesmo (a) e ame-se como nunca.

“Hoje eu sinto a minha vida salva por mim.”
Agora é hora de dormir porque a continuação de um bom livro me espera amanhã.

2012 © Diego França

Há um limite bem grande entre minha vida pessoal e essa postagem. Limitem-se a ler como um texto ficcional. 
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