O último livro da trilogia de Alwin Hamilton já tem titulo e está previsto para ser lançado em março de  2018 e se chama "Hero at the Fall". Mas enquanto o livro não é lançado, aqui está a minha opinião sobre o segundo livro da trilogia, "A Traidora do Trono", uma publicação da Editora Seguinte. 

Olá, pípol!
Ano passado li A rebelde do deserto e gostei de fazer essa leitura, não só pela história em si, mas pela riqueza de detalhes na apresentação de grandes personagens da mitologia árabe e pela protagonista tão forte e empoderada. 


Em A Traidora do trono vamos acompanhar a continuação da história. Mas não do ponto exato de onde parou no primeiro livro.  Na segunda parte da trilogia algum tempo se passou (mais precisamente seis meses) desde o grande acontecido no final da primeira parte.  Amani se junta à rebelião para destruir o mal e por pouco a garota não sobrevive para continuar a luta. Em seguida, Amani é traída e acaba sendo presa, mantida no palácio do sultão. No entanto, a 'Bandida de Olhos Azuis" não descansa e passa a observar tudo ao seu redor, colhendo informações durante todo o período em que se encontra presa. E é aqui que está o grande perigo. Quando a garota, com toda sua ousadia, começa a observar e conhecer um pouco mais sobre o local onde está e as pessoas que habitam nele, ela se sente confusa. 

Quem realmente são essas pessoas? Será que são realmente maldosas? Será que Amani está lutando do lado certo e pela coisa certa? Provavelmente, perguntas como essa surgem na cabeça da garota. E então, a história continua.

|Como esse não é o primeiro livro da série, vou me ater apenas a comentar minha experiência e falar um pouco da construção da narrativa para não gerar algum tipo de spoiler inconveniente.|



Em relação ao primeiro livro devo dizer que há um crescimento muito grande da narrativa (que continua em primeira pessoa), em quantidade e qualidade. A história está mais bem amarrada, a narrativa ainda mais agradável e empolgante, mesmo não havendo tanta ação como no primeiro. E se na primeira parte da trilogia encontrei algumas lacunas, houve uma melhoria considerável para esse tipo de falta em "A traidora do trono". O que pega dessa vez são alguns erros inesperados na revisão.

Se ter romance? Tem sim, senhor. Mas não é o foco, embora você provavelmente encontrará alguma cena de beijo. No entanto, como disse, o foco não está no romance, mas nas reviravoltas para chegar onde se quer nessa luta contra o mal e contra a confusão que se instaura na mente da protagonista Amani. Aqui, o "mal" está em destaque; o leitor, assim como a protagonista, vai conhecer melhor o outro lado da moeda. E confesso que até mesmo eu me questionei se o sultão era realmente o vilão que eu imaginava. 

Nas primeiras páginas o leitor encontra uma lista com todos os nomes de personagens e qual o papel deles na história, o que para mim é mais um ponto positivo. Os nomes dos personagens não são tão fáceis de lembrar por conta da pronuncia, portanto esse "resumo" com os nomes dos principais personagens ajuda muito a refrescar a memória do leitor. E por falar em personagem teremos dois novos membros da rebelião com uma chance imensa de conquistar você facilmente.

"A Traidora do Trono" não não deixa a desejar em nada se comparado ao "A Rebelde do deserto", seu antecessor. Permanece uma história de qualidade, em evolução e cheia de informações culturais. Vale muito a perna ser lido. 

Os direitos da trilogia para o cinema já foram comprados pela atriz e cantora Willow Smith, e provavelmente será ela a interpretar Amani. Ainda não há uma data definida para o começo das gravações. 

Bjão,


No mês em que o mestre do terror faz aniversário, os leitores e fãs foram presenteados com lançamentos e relançamentos de suas obras. A Suma de Letras, que é a editora que publica os livros de Stephen King no Brasil, relançou algumas de suas obras com capas especiais. Em seguida, a Darkside lançou uma biografia e algumas HQs.


Stephen Edwin King nasceu em Portland, no ano de 1947, e é um dos principais nomes da ficção e contos de terror, o nono autor mais traduzido do mundo. No entanto, embora seja muito conhecido pelas histórias de terror, King também já escreveu histórias dramáticas como Conta comigo, Um sonho de liberdade, contos retirados do livro As Quatro Estações, e o emocionante "À espera de um milagre". É notável a versatilidade do autor, que tem uma narrativa que se destaca pela maneira como insere o leitor na trama e pela crueza nas palavras, além, claro, dos detalhes que arrematam os leitores pela emoção de maneira precisa.

No último dia 21 de setembro Stephen King completou 70 anos. No mês de seu aniversário, além de ter duas adaptações de dois livros seus no cinema (Torre negra e IT), a editora Darkside lançou uma  HQ com uma das histórias mais originais do autor, além de uma Biografia, intitulada Coração Assombrado. A Suma de letras, editora que publica livros do autor aqui no Brasil, também trouxe novidades, relançando algumas de suas principais obras com edições especiais de capa dura.

DARKSIDE


Coração Assombrado é uma biografia de Stephen King e já fora lançada anteriormente pela Darkside, sendo um dos primeiros títulos lançados pela editora, em 2013, e já estava esgotada. Nessa nova publicação em comemoração aos 70 anos do autor, a editora criou uma nova capa, numa edição para colecionadores.


Logo após o relançamento da Biografia, a Darkside anunciou o lançamento da HQ Creepshow, "uma das publicações mais originais de Stephen King". CreepShow é uma histórias em quadrinhos adaptada de um roteiro escrito em parceria com o diretor George Romero. O roteiro deu origem ao cult movie instantâneo, intitulado "Show de Horrores", no Brasil. A edição é em capa dura (estilo darkside de ser). 

SUMA DE LETRAS

A Suma de Letras é o selo da companhia das letras que publica os livros de Stephen King no Brasil. A maioria dos livros do autor publicados aqui, desde Carry a estranha, passando por It: a coisa, até a mais recente trilogia Bill Hodges, é lançada pela editora. Mas nos últimos meses novas edições especiais, com nova arte e capa dura, foram relançadas pela editora, que caprichou muito para a alegria dos fãs e admiradores de King.


Nessa edição especial, O Iluminado ganha tradução revisada, prólogo e epílogo inéditos. O livro apresenta um dos personagens mais lembrados e aterrorizantes, o famoso e inesquecível Jack Torrence. O homem acredita que finalmente encontrou o lugar perfeito para recomeçar, após ser contratado para trabalhar como zelador no Hotel Overlook. No entanto, quando é chegado o inverno, forças malignas habitam o local e tenta se apoderar de Danny Torrance, um garoto com grande poderes sobrenaturais. Mas neles não conseguem. Por isso, aproveitam das fraquezas do novo zelador, que furioso aterroriza a vida da família. O relançamento foi de 28 de agosto de 2017.

  
Relançado no dia 20 de julho de 2017, A hora do lobisomem também chegou para fazer feliz a vida dos amantes de terror e admiradores de King. A edição é também com capa dura e dessa vez tem ilustrações de Bernie Wrightson. A cada vez que a luz cheia brilha sobre a cidade de Tarker's Mill, surgem novas cenas de terror inimagináveis. Quem será o próximo?


A partir de 25 de agosto de 2016 os leitores souberam uma grande novidade: a "Biblioteca Stephen King". E Cujo foi o primeiro relançamento dessas edições especiais de capa dura, feitas para colecionadores. O livro tem uma capa para ninguém colocar defeito, com uma marca da pata do cão raivoso em auto-relevo (eu acredito que é essa a definição).

Cujo é um cão de noventa quilos da raça são-bernardo e vive numa fazenda com seus donos. Um dia foi mordido por um morcego e adquiriu raiva. A transformação de Cujo (...) e como ele destrói a vida de todos à sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionante de Stephen King.




E como a refilmagem de It: A Coisa está sendo exibida no cinema não poderia deixar de fora a apresentação desse livro, um dos maiores publicados pela editora e escrito pelo autor. A obra do medo é um clássico que desperta interesse até dos que não gostam de terror. Se você ainda não foi ver o filme, corra antes que não dê mais tempo. A crítica é muito positiva e o filme realmente tem uma produção espetacular. Gostei muito e falei sobre isso numa postagem anterior. 


Torre Negra (que também está em cartaz nos cinemas), a Trilogia Bill Hodges (cuja série intitulada Mr. Mercedes já está sendo exibida), O bazar dos Sonhos Ruins, Zona Morta, Joilland, entre outros títulos de sucesso do autor também podem ser encontrados no catálogo da Suma de Letras. Aproveitem!

E hoje, dia 23 de setembro, vou mediar um encontro de fãs, em Salvador, em homenagem a esse grande e aclamado autor. Será na livraria Leitura do Salvador Norte Shopping. 

XOXO,


♥ |Olá! Esse é um dos textos que escrevo quando tenho um tempinho livre. Na maioria das vezes ele não representa a minha realidade, mas sim o resultado do que observo no mundo ao meu redor. No entanto, "O Grande Encontro" tem muito de mim e dos meus sentimentos. Recebam com carinho esse diálogo com um desconhecido.|



 

O dia-a-dia de cada de cada pessoa é uma grande surpresa. A gente vive supondo coisas, torcendo para que algo bom nos aconteça; algo que seja diferente do habitual. O tempo passa a todo o instante, e não espera. Mas eu estou aqui aguardando você chegar. Há dias em que eu finjo não saber disso, mas no fundo, eu sei.

Acontece que é melhor esquecer, sabe! Eu nem sei onde você está, se está longe ou perto; se acabou se perdendo no caminho ou se parou para tomar um chá em algum lugar. Na verdade, eu nem sei se você gosta de chá. Talvez prefira uma cerveja, um vinho, um café. Um chocolate quente, quem sabe. 

Olha, nem sei se você se importa ou deseja saber também. Mesmo assim, saiba que estou por aqui fazendo o de sempre, todos os dias. E os dias têm sido uma grande rotina. Pego uma condução até o trabalho, encontro as mesmas pessoas, cumpro os mesmos horários, embora tenha um grande número de atraso para contar. E sabe de uma coisa? Nesses dias em que estou atrasado, imagino que seja o destino me preparando para o grande encontro com você. 

Isso parece tão errado, tão louco e irracional, não é? Fico pensando se você acharia legal esse tipo de pensamento, se me acharia um perfeito de um louco, estranho. Me veio agora aquela desconfiança, acompanhada de uma expressão assustada, imaginando que talvez você já tenha chegado e foi-se embora espantado, de tão estranho que pareci com todos esses pensamentos românticos e fantasiosos demais.

Não, não e não! Acho que devo pensar melhor. Você não veio. É isso! Acredito que perceberia um sorriso diferente, um toque tímido na minha mão, um olhar cheio de estrelas brilhando. Afinal, estou olhando para todo o lado, o tempo todo, atento aos gestos e olhares, que, na maioria das vezes, fogem quando encontram meus olhos. Definitivamente, não; você ainda não chegou.

E se chegou sabe se esconder muito bem. E aqui, paro mais uma vez e penso se aqueles joguinhos bobos de conquista fazem parte de você também. Isso seria difícil para mim. Saiba! Porque eu não sei jogar e já perdi muito tempo entrando nesse tipo de jogo para somente perder no final. Por favor, prefiro não jogar mais, é tão cansativo! Bem mais cansativo do que minha espera por você. Pelo menos esperar por você me permite fabricar sonhos e desenhar formas com linhas certas, mas também tortas. Portanto, seja gentil. 

Devo confessar que, às vezes... Aliás, sempre (decidi abrir mão do eufemismo) ando por aí imaginando que a qualquer momento posso dar de cara com você na confusão da cidade ou no momento de levar a bandeja para ser lavada, no restaurante da faculdade. Imagino que nosso encontro será através de um tocar de mãos despretensioso, na fila para entrar no ônibus; e até penso que nos encontraremos em meio a um apagão na cidade, onde a lua será a única luz a iluminar o mundo. Me parece uma ótima ideia.

 É tão difícil olhar esse mundo em meio a tanta escuridão, mas parece bonito também não ver, apenas sentir, principalmente quando se está perto. Sabe por que? Quando eu te olhar em meio à claridade verei você e o formato do seu rosto, é comum a qualquer ser humano. E de primeira é somente o que poderemos ver um do outro. Mas quando a luz se apagar é que saberemos quem realmente somos, eu saberei quem você realmente é e você saberá de mim também. Porque quando as luzes se apagam não se vê imagem alguma. O que fica é somente a graça e a ternura que envolve duas pessoas que se amam não pelo que tem, mas pelo que são um para o outro e para si.

O problema é que assim, à distancia, não dá. Não posso te ver, não posso sequer sentir meu coração acelerar ou minhas mãos suando de nervoso. Não posso saber se seu coração bate forte também, se você treme num misto de prazer e agonia. A verdade é que somos completos estranhos, e já viemos dessa grande escuridão. Não tem jeito, é preciso aceitar e seguir em frente. 

Mesmo assim não paro de te procurar por aí. É uma constante, algo comum, sabe? Se olho para o lado e vejo pela terceira vez o mesmo rapaz, imagino que ele seja você. Imagino com todo carinho do mundo, que, finalmente, te encontrei. 

E então ele se vai...
E tudo começa outra vez. 

Eu não sei quem você é ou de onde vem, e por onde vem; nem se você realmente vem. Mas torço tanto para que você venha e pegue minha mão, me leve para sair, cante canções antigas e ria das piadas bobas que são contadas por aí. Torço para que você venha e me ensine a ver esse mundo com outros olhos; com um olhar de quem finalmente encontrou aquilo que fez com que todos os percalços no meio do caminho e todas as ligações não retornadas valessem a pena. 

Eu não sei onde você está...
Não sei quem você é...
Não sei como se chama,
nem sei a cor de sua pele ou dos seus olhos...

Eu não sei se você está tentando me encontrar, mas se em algum lugar, por algum motivo qualquer, você esteja procurando e pensando nisso, talvez lá no fundo você saiba que estou aqui, em algum cantinho desse mundo sonhando com você também. 

 Diego França/ 2017










---- Olá,
um beijo, um abraço e meus desejos de ótimas leituras para vocês.

Já pararam para pensar se estão seguindo a vida em cima dos trilhos ou arriscando e saindo um pouco dele? 

Eu estou num momento da minha vida em que prefiro sair dos trilhos, assim arrisco mais, aprendo mais sobre mim, me desafio e desvendo mistérios da vida, assim como a personagem do livro Minha Vida Fora dos Trilhos, da autora de "Em Algum Lugar Nas Estrelas", Clare Vanderpool. O livro foi lançado no segundo semestre deste ano pela editora Darkside.

Em Minha Vida Fora dos Trilhos temos uma história que se passa no período da Primeira Guerra mundial e nos apresenta à personagem Abilene Tucker, uma garota de apenas 12 anos de idade, que precisou descer dos trilhos para seguir em frente. Na narrativa escrita por Clare Vanderpool nos deparamos com essa garota tímida e muito corajosa que fora mandada pelo pai para a cidade de Manifest para ser cuidada por um velho amigo conhecido, enquanto trabalha na construção de uma ferrovia. A menina não sabe por que o pai escolheu mandá-la para lá e não sabe também o por quê de ele nem sequer mandar notícias. Sem muito o que fazer, Abilene começa a pensar que sua estadia naquele lugar não será nada agradável, até encontrar uma caixa com alguns objetos e uma carta. Quem é o responsável por aqueles objetos e quem são aquelas pessoas que assinam tais correspondências? É a partir desse achado que Abilene irá embarcar numa viagem pelo tempo e buscará encontrar as respostas para suas perguntas. Ela vai descobrir muito mais do que imagina, não só sobre a história de dois rapazes, como também sobre ela mesma.

"Minha Vida fora dos trilhos" é uma narrativa rica em detalhes significativos para a trama. É uma trama linear, não apresenta grandes acontecimentos, mas grandes mensagens são passadas nas entrelinhas, através das reflexões da personagem. Narrada em primeira pessoa, pela voz da personagem Abilene, a história "tanto pode te levar de volta à infância como ao tortuoso caminho para o amadurecimento."

Mas não é só Abilene que tem voz na narrativa. No primeiro momento estamos no presente conhecendo os anseios e medos da personagem, bem como sua relação de muito amor e cumplicidade com o pai. No entanto, há uma virada no tempo quando um personagem começa a contar outra história que envolve dois rapazes que viveram em Manifest numa época diferente. 

Uma narrativa dentro da outra; duas história em apenas uma. Esse é um dos pontos altos da história escrita por Vanderpool. O outro ponto da trama que funciona como um convite e serve para entreter o leitor é o mistério que paira pela vida de Abilene e consequentemente de nós leitores. Onde está Gideon (seu pai), por que ele escolheu mandá-la para Manifest? E além desses questionamentos que serão revelados somente no final vamos entendendo, aos poucos, onde cada personagem se encaixa na trama. Volto a dizer que os detalhes são de suma importância e são também reveladores. 

Um dia Abilene está vivendo de cidade em cidade com seu pai, no outro ele decide que viver a vida caminhando pelos mesmos trilhos não é algo que irá beneficiar a garota, por isso ela é mandada pra Manisfest, para ser cuidada por um grande amigo de seu pai até que ele volte. E aqui está uma grande sacada. Chega um momento na vida em que é preciso sair dos trilhos e encontrar seu caminho, viver as dificuldades da vida e conhecer um pouco mais de si. Os desafios pelos quais Abilene passa agrega uma experiência necessária para sua vida e seu crescimento.

O universo criado para a história consegue ser misterioso e muito sombrio também. No entanto, em meio a esse ambiente cinzento, encontramos cor na imagem da infância "desenhada" pela autora. Temos Abilene e duas garotas vivendo aventuras e questionamentos que toda criança faz. E são nesses momentos em que revisitamos nossa infância e nossas brincadeiras; lembramos nossa capacidade criativa para contar e recontar histórias. E esse é uma das coisas mais bonitas que encontrei na narrativa.
"Eu ficava admirada como cada objeto havia entrado na história da srta. Sadie. Depois de todo esse tempo trabalhando na casa dela, havia conforto em saber que eu estava conectada às suas histórias. Por intermédio daqueles objetos que eu encontrei debaixo de uma tábua (...) eu estava conectado àquele lugar e àquelas pessoas." (Pág.:184)
Embora tenha encontrado muitos pontos positivos em "Minha Vida fora dos trilhos", não diria que esse é um livro empolgante, nem que a personagem Abilene é uma personagem cativante e marcante. A narrativa prende mais por conta do mistério do que por grandes acontecimentos (que não há). Alguns capítulos podem ser bem chatos, visto que são descritivos demais e com poucos diálogos, e nos levam ao mesmo lugar sempre: uma volta no tempo. Diria que a história que está por dentro da história é mais interessante do que a narrativa que está em primeiro plano. 

A edição do livro é linda, tem um trabalho de capa espetacular e um mapa da cidade onde se passa a história. As fontes mudam a depender do momento e da voz que fala na narrativa e isso não a deixa confusa. Também temos acesso a alguns jornais lançados na época em que a história se passa. 

Como uma escrita leve e agradável, Clare Vaderpool nos pega pela mão e nos envolve numa narrativa que, embora não seja tão empolgante e em alguns momentos pouco atrativa, nos apresenta a beleza da infância, de contar histórias, de viver essas histórias e de dar asas à imaginação. Uma história sobre amizade, união, amor e descobertas.

Beijos,
ótima leitura.



Feliz Segunda-feira, pessoal! ☆☆☆
Que feriado maravilhoso esse, não? Espero que tenham aproveitado muito. Eu aproveitei e adiantei muita coisa do trabalho. Paguei contas e também gastei muito (porque não sou de ferro).

E foi num desses dias de folga que aproveitei para assistir ao filme "IT - A Coisa", refilmagem de uma adaptação do livro de sucesso de Stephen King. E não, essa postagem não é uma crítica sobre o filme - até porque não sou nada legal fazendo crítica de filmes - é só uma conversa sobre minha experiência no cinema, sozinho (e sobre isso escreverei outra postagem), para assistir a essa "obra prima do medo"


Na cidade de Derry, no Maine, crianças começam a desaparecer e um grupo de sobreviventes se unem para combater o mal em forma de palhaço, que amedronta a todos eles. A história do palhaço e seus atos violentos é algo que acontece há séculos, e a cada 27 anos ele volta para aterrorizar a cidade. Ele voltou e você já pode "flutuar" também nos cinemas de todo o país.

☆ Gostei muito do que vi, digo só pra começar. Nunca me aprofundei na leitura de IT, sobre o que é a história ou coisa do tipo. Tudo o que sabia sobre "a coisa" é que ele é um palhaço assassino. Logo, quando cheguei ao cinema tudo era muito novo para mim e essa novidade me fez assistir ao filme com um olhar interpretativo sobre o palhaço: Porque um palhaço? Por que matar crianças? Por que se transformar em vários monstros?

Eu cheguei a várias conclusões e percebi que já estava tudo escrito de alguma forma (porque pesquisei muito quando cheguei em casa) , por isso o que vou dizer também não será tão novo para você que já conhece ou simplesmente já procurou saber sobre a história.

Eu amo metáforas e amo as alusões que Stephen King faz nas suas histórias. Se você for ao cinema assistir IT achando que será apenas mais um filme de terror com mortes, demônios e um passado comum a todos os personagens, em que uma pessoa é possuído por uma entidade numa casa onde alguém morreu, você estará fadado a se decepcionar. Particularmente não vejo o que refletir nesses filmes, que só me leva a um olhar religioso superficial. E é essa a diferença de IT. É filme de terror, mas problematiza questões sérias, faz você refletir, te arranha, te belisca. E isso independe do palhaço e do monstro no qual ele se transforma. Você é pego pelo psicológico. 

Uma criança sente medo. O medo, como você deve saber, é algo que todo mundo tem e se não for controlado tende a atrasar a vida de uma pessoa, impedir que ela siga em frente ou saia do mundo comum, realize sonhos. O medo é capaz de destruir alguém. O medo aqui é Pennywise. O medo é algo que a gente não vê, não pega, só sente. E a maneira como King escolheu para falar sobre isso foi dando vida a ele, e essa vida se materializa no palhaço dançarino, que é ridículo e muito malvado. Essa sacada me encantou.

A cada vez que as crianças sentem medo elas estão próximas de serem derrotadas. Então aqui ele me diz: busque, tente ser forte, encare-o! Sinta medo, mas siga mesmo assim ou você será destruído; ele irá engolir você.

O medo é um pai abusivo, por exemplo. A cada vez que o palhaço tenta atacar um dos personagens (mais precisamente a personagem Beverly), ele se transforma naquilo em que a garota tem medo: seu pai. Esse homem que abusa dela todos os dias, com uma mente doentia e psicótica. Somente quando ela encara os fatos e perde o medo é que consegue derrotá-lo. Ela enfrenta-o e mata seus demônios. E não só o abuso é citado na trama. O racismo, o bullying, o preconceito religioso, a violência... tudo isso está envolvido na história, se materializando no palhaço que mora no esgoto. 

Gente, eu me senti tão tenso naquela sala de cinema! Eu queria gritar, queria fazer algo. Me senti aflito demais - e olhe que é raro isso acontecer comigo. Eu amo filme de terror, mas nos últimos tempos tem sido a mesma coisa, tudo muito previsível e cansativo. Já não há mais novidades e esse tipo de sentimento, que finalmente consegui sentir assistindo It. Muita gente não gostou, acho que estão esperando justamente essa coisa comum, igual. Sei lá. 


Volto a dizer: gostei muito do filme (não li o livro ainda). E adorei a mistura de terror com uma dose generosa de sarcasmo, mais humor, mais situações a serem problematizadas. Amei as piadas tão cruas e cheia de acidez. Adorei aquelas crianças tão ousadas (em todos os sentidos) e tão inteligentes (não gosto de filmes que subestimam a inteligencia e ousadia as crianças). Assim como o amor e o ódio andam de mãos dadas, a graça (humor) e o terror também. E vou te contar, é uma mistura que dá muito certo. Mas só se você se propor a sair do comum para fazer um trabalho ousado e bem feito.

Amei forte! Assistam! ♥
E se você já assistiu me conte o que achou. Adoro conhecer opiniões.

XOXO,