Olá, pípol!
Depois de uma breve pausa nas resenhas (estava com problemas na internet, aos poucos está ficando melhor) estou de volta - Uhuuuu! 

☆☆☆☆☆

Você já sentiu como se perdesse em cada canto um pedaço de si, tendo que pegá-los todos os dias e juntá-los para que finalmente a vida possa voltar a fazer sentido? Juntando os pedaços, o livro que sucede o grande sucesso da Jennifer Niven, Por Lugares incríveis, reúne situações estressantes e por vezes dolorosas, de personagens que são discriminadas e sofrem bullying por alguma razão. Reúne numa narrativa leve a história de pessoas que estão tentando juntar seus pedaços e seguir em frente.

Libby Strout ficou conhecida como "a adolescente mais gorda dos Estados Unidos", quando teve que ser retirada com a ajuda de um guincho dentro da própria casa. Essa parece ser a única maneira pela qual as pessoas conhecem a garota, e ninguém parece disposto a enxergar quem ela é além do seu porte físico. Libby teve um período difícil principalmente porque perdeu a mãe logo cedo e teve que conviver sozinha com seu pai e a tristeza da perda. Mas a garota, que se mostra cheia de garra e encanta com seu talento, sabe que está pronta para encarar a vida e se reerguer. Ela sabe para onde deseja ir e o que quer ser mesmo dentro de um ambiente cheio de rótulos, onde irá fazer novas amizades e conhecer alguém especial. As pessoas ao seu redor é que não sabem de nada e acham que conhece Libby muito bem.

E "todo mundo acha que conhece Jack Masselin", um garoto cheio de estilo e atitude, que participa dos grupos mais populares da escola. No entanto, o garoto não consegue reconhecer os rostos das pessoas com quem convive e esconde isso de todo mundo. Ele não é capaz de reconhecer seu próprio rosto. Para passar o tempo ele vive criando coisas no porão de casa e é extremamente simpático com todos por onde passa, um belo disfarce que talvez não funcione por muito tempo. Quando o garoto é tentado a participar de uma brincadeira de mal gosto, que envolve Libby, ele desperta e adquire um pensamento consciente sobre seus atos. Quando é punido junto aos colegas, que inclui Libby - ela é punida pelo ato violento que exerce em relação a Masselin - o adolescente começa a enxergar quem Libby realmente é, assim como a garota que percebe que Jack também é mais do que o "babaca" que aparenta ser.  A partir daí nasce uma grande amizade e ambos descobrem um novo mundo e uma maneira de driblar os infortúnios que os cercam. 

Juntando os pedaços foi lançado no segundo semestre de 2016 pela Editora Seguinte. O livro cujo tema central é bullying e auto-aceitação aborda situações recorrentes no dia a dia de boa parte dos jovens e adolescentes em todo o mundo. Niven reuniu em seu "novo" trabalho personagens e situações reais, costurou várias histórias que representam o que meninos e meninas vivenciam no dia-a-dia e escreveu um texto em homenagem a esses leitores que sofrem abusos e para aqueles que praticam o abuso também.
"Eu escrevi esse livro para Christine nos Estados Unidos,  para Jayvee nas Filipinas, para Steysha na Ucrânia, para Paulo no Brasil, para Shubhan na Índia, e para todos os outros como eles. (Jennifer Niven)"

A escrita de Niven é leve e é perceptível o carinho nas palavras, que resulta no conforto que o leitor tem durante a leitura () Mas sinceramente não posso dizer que Juntando os pedaços é um livro incrivelmente espetacular e que pode marcar você profundamente. O livro aponta, toca, "belisca", isso é fato, mas achei que poderia ir mais fundo, chegar mais na ferida, incomodar mesmo. O que vi foram várias histórias tentando ganhar espaço, sendo citadas superficialmente, tentando ganhar espaço no foco principal: a vida de Libby e seu problema, e de Jack e a Prosopagnosia. 

Outro ponto incomodo que posso citar são a construção de alguns personagens, posso destacar a namorada de Jack. As características dela é que ela é uma garota fútil e antipática, no entanto não há muitas passagens com a presença dela na trama, e quando aparece não é perceptível essas duas características. A impressão que tenho é que estou julgando uma pessoa sem conhecê-la, apenas porque os outros dizem que ela é assim, que é justamente o contrário do que é pretendido com o texto. E isso acontece com outros personagens também.

O livro é narrado em primeira pessoa, com capítulos intercalados entre Libby e Jack, o que oferta ao leitor refletir junto com eles e entendê-los melhor. Acho muito eficaz a narrativa em primeira pessoa nesse tipo de história, que envolve situações tão reais e recorrentes, porque a empatia é certa - mesmo que você não tenha passado por determinadas situações você certamente conhece alguém que viveu ou está vivendo na pele. 
"Neste momento o corredor está cheio de Lukes em potencial. Um garoto é enfiado em um armário. Outro toma uma rasteira de alguém e voa pra cima de outra pessoa, que o empurra para o primeiro, que o empurra de volta, até que ele fica passando de mão em mão como uma bola de vôlei. Duas garotas falam mal de outra na cara dela, até que a coitada sai com os olhos vermelhos, chorando.  Outra tem uma letra "A" escarlate nas costas, e todo mundo acha graça quando ela passa sem entender a piada. Para cada pessoa rindo neste corredor, outras cinco parecem horrorizadas ou tristes." Pág.: 40

 Um dos pontos mais altos do livro está no destaque para a doença de Jack Masselin. A prosopanosia uma doença que impede que a pessoa reconheça os rostos das pessoas e isso geralmente acontece como consequência de algum dano cerebral. Isso fica claro para o leitor, é possível entender muita sobre a doença, a autora soube colocar isso muito bem. 


Temos aqui um livro que proporciona ao leitor uma leitura agradável, que o prende, embora não tenha me impressionado tanto. Não é um livro ruim, não é um livro espetacular. É um livro envolvente e tenho certeza que muitas pessoas vão se enxergar na história e querer seguir bons exemplos também. Um livro que mostra o preconceito e suas consequências e mostra também que é possível - como já disse no começo - juntar seus pedaços e se reerguer. 

"As pessoas fazem merda por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às, vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas. É uma autodefesa de merda." (Pág.: 74)

Em JUNTANDO OS PEDAÇOS você encontra assuntos como: bullying, prosopagnosia, obesidade, violência, agressão, homossexulidade (de forma sutil), entre outros assuntos.

Façam boas leituras.
Bjux!



Olá!

Outro dia encontrei por acaso um colega, uma pessoa querida, enquanto caminhava pela rua num daqueles dias corridos, cheio de pressa, em que parece que não vai dar tempo de fazer terça metade do que preciso fazer. Acho que você também se identifica com isso, aliás o ser humano em si parece desejar mais do que 24 horas no dia. Foi um encontro legal, deu para conversar, matar a saudade. Mas ele fez um comentário despretensioso e com a melhor das intenções, claro, que me fez refletir e convidá-lo a refletir comigo. E agora eu convido você para fazer essa reflexão também.

"- Di, como você está lindo! Está diferente, tem um brilho a mais, está mais leve, parece mais feliz.
- Obrigado, realmente estou mais feliz, estou de bem comigo mesmo, ao contrário daquele período tenso pelo qual passei - respondi.
- Você parece outra pessoa - ele disse e logo acrescentou. - Está namorando?
- Não, eu não estou namorando. Continuo solteiro.
- Tá solteiro, sério?! - fez cara de espanto - Está tão feliz que me pareceu estar com alguém."

Quem me conhece sabe que há três anos sai de um relacionamento de 3 anos e foi um período pesado, fiquei mal, fiquei doente, tive principio de depressão. Foi realmente uma fase assustadora, perturbadora. Eu não sabia para onde ir, como ir. Quando sai daquele relacionamento parece que eu não tinha um norte, foi como se eu tivesse entrado de cabeça no mundo do meu ex parceiro e vivido outra vida, por isso quando voltei para o meu mundo eu não conhecia mais os caminhos - sabe aquelas plaquinhas indicando é para lá, é para cá, que Alice encontra no mundo das maravilhas? Era assim que eu estava. Senti muito medo. Fiquei estático, sem ação. Uma dessas pessoas que presenciaram isso foi esse colega, que me deu muita força, animou muito os meus dias mais sombrios sempre que possível. Por isso entendi da melhor maneira seu pensamento, mesmo que eu possa observar uma dependência muito grande por parte dele nos relacionamentos - mas isso é algo pessoal de cada um, não vem ao caso. 

Depois que fiz terapia e consegui me encontrar, voltar a mim, caminhar sozinho e sorrir sem precisar ter motivos eu realmente virei outra pessoa. Eu gosto mais de mim, vivo mais para mim, e aprendi muito sobre quem eu sou. Eu entendi que é primeiro eu, depois o amor e eu.. e eu. Como diria Ana Carolina, sou feito pro o amor da cabeça aos pés. É o amor que nos movimenta, gente. É ele que nos faz querer seguir adiante. O amor, não o outro. Se você não tem amor pelo que faz, por você mesmo e pela vida para onde mesmo você vai?

Por um bom tempo eu vivi essa história de que a gente precisa de um complemento para ser feliz. E a gente está cansado de saber que não é bem assim. Precisamos compreender a nós mesmos, compreender que somos especiais acompanhados por alguém ou não. Somos livres para sermos felizes independente de quem esteja ao nosso lado. Afinal, eu tive vários momentos tristes também ao lado do meu parceiro, mesmo na melhor fase da minha relação. Ele segurou a barra junto comigo, me deu a mão, mas minha tristeza estava ali. Então por que que eu precisaria de alguém para ser feliz, se esse alguém não espantaria minha tristeza também? Você entende onde quero chegar? 

Estar feliz e estar triste é da natureza do ser humano, precisamos nos permitir viver os dois momentos. Quando a gente guarda a tristeza e abafa um grito, estamos assinando uma sentença que assegura uma explosão devastadora e então tudo desaba de uma só vez. É preciso se permitir apenas SER. Apenas seja. Ser você mesmo não depende de alguém, mas sim da paz que você encontra lá no fundo da alma. Quando você encontra a paz e se basta entende quem você é, o que você quer e segue adiante. Sozinho. E nem sempre estar sozinho é sinônimo de solidão. Estar sozinho também pode ser uma opção, a melhor opção para você naquele momento.

E assim aconteceu comigo. Hoje me sinto pleno, realizado. Eu tenho o amor dentro de mim, é somente eu e ele. E juntos atraímos o amor que vem do próximo, a boa energia de quem a gente escolhe ter por perto também. Eu tenho amigos que me amam e que eu amo tanto! Tenho uma família que me ama, que me faz sentir uma pessoa completa. E eu tenho a Deus, e volto a dizer que tenho amor. Aliás, nós temos. Um amor imperfeito, mas se moldado, se bem cuidado, um amor que vale a pena e cabe. Na maioria das vezes tenho um amor julgado pelo outro da pior maneira, mas sinto ele dentro de mim, me fazendo sentir alguém especial e é isso que importa. Ninguém sabe como você se sente no seu íntimo, ninguém sabe o que eu sinto ou como me sinto. E eu não preciso de ninguém para ser especial. Você também não. A gente tem sorte de "ser feliz sem mais ninguém/ sem ser refém".

Somos livres e a felicidade é para todos. Juntos ou separados.

"- Olha, pra ser feliz a gente não precisa estar com alguém, basta estar de bem consigo mesmo, ter amigos e família por perto; bastar estar fazendo o que gosta e fazendo da melhor forma possível para colher frutos do jeitinho que você quer. Isso faz de você uma pessoa plena. - Respondi a ele."

Você se sente uma pessoa plena?  

XOXO,

11.2.17

POR ONDE ANDEI
Estou de volta,
Olá todo mundo! 


Chega um momento na vida em que precisamos por obrigação tirar um tempo para a gente, não é mesmo? Pois então foi isso que fiz. Claro que eu sumi por motivos de "internet ruim", "saúde" e " problemas pessoais". Mas sabe quando você não quer de forma alguma correr no tempo para resolver tudo imediatamente? Você escolhe se acalmar, colocar a cabeça no lugar para só então agir. Isso me aconteceu. A internet ficou péssima e eu simplesmente esperei voltar a funcionar, não liguei para o técnico, não fiz alarde. Senti que precisava desse tempo offline para cuidar de mim, para viver, estudar um pouco mais. Andei doente também, fiz aniversário nesse período e aproveitei tudo isso como se não houvesse o amanhã. E agora voltei cheio de energia!

As leituras não pararam de forma alguma, tenho algumas resenhas para escrever, uma delas é de "Aristóteles e Dante descobrem o segredo do universo", um livro que muitos de vocês me indicaram e pediram que eu lesse desesperadamente. Eu li e posso dizer que estou me sentindo ainda mais apaixonado do que já sou ♡. Outro livro que li também e não resenhei foi "Juntando os pedaços", da Jennifer (fofa) Niven, entre outros. 


Nesse período de duas semanas eu também sai para dançar (e depois disso minha garganta reclamou e me colocou na cama), fui ao casamento de uma grande amiga, visitei locais lindos na minha cidade e corri atrás de balões (quem diria que esses balões fossem reais). 🎈




E por fim, para comemorar meu aniversário, passei o dia no Yatch Clube da Bahia, um lugar lindo, com um uma visão maravilhosa dessa natureza linda que nosso Bom Deus nos deu de presente. Foi tão especial, gente! O mar ao meu redor, o sol, amigos. Só tenho a agradecer. E depois disso tudo é que me sinto renovado.





Quando você traz para perto pessoas especiais, com energia especial e se permite conversar e fechar os olhos para sentir a natureza, o vento batendo no rosto, o universo ao seu redor você simplesmente se sente uma pessoa plena e cheia de energia. É assim que estou me sentindo. E é essa energia que quero passar para vocês daqui para frente.

XOXO,
Até +! ♥






Olá, pípol!
Não desistam de mim, por favor. Sei que andei sumido, faz uma semana que não posto nada, mas estou de volta Tive uma semana intensa na faculdade e ajudando nos preparativos do casamento de uma amiga tao amada e querida, por isso fiquei offline. Mas deu tudo certo! E agora estou aqui para mostrar para vocês um projeto pessoal chamado PICSIA (picture + poesia).

Sou um eterno apaixonado por fotografia e costumo dizer que fotografar coisas belas e simples é algo poético e me faz sentir bem, realizado, feliz. Por isso o nome Picsia. Mas esse projeto é pessoal e por enquanto resume-se apenas a uma conta que tenho no instagram, onde reúno essas imagens capturadas no meu dia-a-dia. Quero dividir com vocês, então, lugares que são como um lar para mim. 

UFBA (Universidade Federal da Bahia): 
a universidade onde estudo é repleta de verde e é onde passo a maior parte do dia durante a semana, Costumo dizer que é minha segunda casa porque estudo em horário integral. Nos horários de descanso aproveito para tirar algumas fotos. 

Biblioteca do Instituto de Letras



Área externa do ILUFBA (Instituto de Letras da UFBa)

Área externa do ILUFBA, em frente ao restaurante Universitário.

Uma das tantas árvores, no Instituto de Letras

Barra / Farol da Barra:
Outro lugar que me faz sentir em casa, que me permite o contato com o mar e com paisagens lindas. 

Praia da Barra
Praia da Barra com a visão mais nítida do Farol
Final de tarde na praia da Barra
Meu Bairro: 
Moro no Subúrbio de Salvador, onde também há beleza. Há muita gente que tem um certo preconceito com a parte baixa da cidade, mas ainda não conhece as belezas que há por aqui. 

Plataforma, subúrbio de Salvador
Fotografia e AMOR para mim se fundem numa coisa só. Se quiserem ver mais imagens é só acessar a conta do picsia no Instagram: |AQUI| e conferir. 

XOXO,


Olá!
Você está lendo um relato do mais novo e declarado fã de Stephen King, muito prazer.

Ano passado comecei a ler a trilogia Bill Hodges, do Stephen King, que estava na promessa de virar uma série nos Estados Unidos. Da série já não li mais notícias, mas do último livro eu só posso dizer que é agoniante, atormentador e muito dramático também. Terminei a leitura com um misto de saudade, alegria e tristeza.

Em Mr. Mercedes nos deparamos com a cena dramática e desesperadora de pessoas tentando sobreviver a um atropelamento provocado por um assassino dentro de um Mercedes roubada. Em Achados e perdidos histórias se cruzam e personagens vítimas do massacre se destacam. Mas quem fica mesmo em apuros é Peter Saubers, filho de um rapaz que ficou com sequelas depois do dia aterrorizante. O garoto vai precisar muito da ajuda de Hodges e seus amigos, Holly e Jeremy, para se livrar de um assassino (ele matou um autor famoso), que saiu da prisão e está sendo procurado. Pete encontrou alguns cadernos e segredos que pertenciam ao ladrão e assassino, mas agora que está livre decidiu ir buscá-los. 

Já no terceiro livro da trilogia, Último Turmo, acompanhamos Bill Hodges e seus amigos na batalha para descobrir novos atos de maldade e descobrir quem está por trás deles. O leitor embarca numa história agoniante, sobrenatural, com peixinhos coloridos, hipnose e suicídios. Mas também muita emoção e drama. O assassino do Mercedes está num estado deprimente no hospital há cinco anos e aparenta não dar nenhum sinal de que pode melhorar completamente. No entanto, o detetive aposentado desconfia que o rapaz possa estar fingindo. Será mesmo? Quando coisas estranhas começam a acontecer dentro e fora do hospital Hodges começa a desconfiar que apesar do olhar frio e da imobilidade do assassino cruel ele possa fazer maldades sem sequer sair da cama. Afinal, ele teve um prazer sem limites de jogar um Mercedes em cima de centenas de pessoas. Brady Hartsfield pode ser capaz de qualquer coisa.

Esse é o último livro da trilogia Bill Hodges publicada pela Suma de Letras aqui no Brasil e apresenta King num ato versátil de escrita. Conhecido como o mestre do terror, o autor de Cujo, Joyland, entre outros outros livro de sucesso, mostrou que pode também prender o leitor com um romance policial completo, que não deixa a desejar para o leitor apaixonado pelo gênero.

|Como sempre faço com livros de série não vou apresentar aqui maiores acontecimentos sobre a história porque quem ainda não leu as histórias anteriores podem encontrar algum spoiler, portanto vou falar mais sobre o que o autor aborda no livro e coisas que o leitor vai encontrar na leitura.|

O Assassino do Mercedes vai entrar em ação outra vez, não de corpo presente mas com poderes que desenvolve durante o tempo em que está na cama do hospital. Coisas estranhas começam a acontecer e o sobrenatural passa a fazer parte da história, que é feliz no enredo policial e investigativo. O uso da tecnologia, característica da narrativa do primeiro livro da série, também está presente nesse desfecho porque faz parte do estilo de vida de Brady Hartsfield, que sempre foi muito inteligente nessa área. Aliás, o assassino é um rapaz muito inteligente, que arquiteta muito bem seus planos, mas herói é herói e Bill Hodges junto aos seus amigos do Achados e Perdidos pode reafirmar isso.

Vou sempre citar a narrativa impecável e competente do autor, que não segue um tempo cronológico no desenvolvimento da história. Vamos seguindo, juntando peças, explorando espaços junto ao narrador, que nem sempre entrega tudo de cara, mas induz o leitor a sentir, viver os questionamentos que apresenta em diversos momentos. Os detalhes também ajudam, a linguagem pertinente e muitas vezes chula também aproximam mais o leitor do personagem e da história, uma forma de prendê-lo pelo "absurdo".

Brady pegou Scapelli, a vaca sádica que torceu seu mamilo. Agora, vai cuidar da putinha Robinson. A morte dela vai atingir o irmão, mas essa não é a melhor parte. Vai enfiar uma faca no coração do velho detetive. Essa é a melhor parte.

Thriller, terror, policial, não importa o tipo de história a maldade é bem feita, bem escrita e bem detalhada. E ÚLTIMO TURNO não foge à regra. Brady é extremamente maldoso e frio e vai arquitetar muito bem seus planos, mesmo que talvez ele não dê certo o tempo inteiro. Mas há um assunto que King abordou nesse livro que é muito delicado e recorrente nas sociedade, nos últimos anos principalmente entre os jovens: o suicídio. A maldade de Brady não está para matar as pessoas com as próprias mãos, mas sim para fazer o outro acabar com a própria vida, se apropriando do problemas que os afligem. Brady pode ler mentes e a partir daí fará diversas pessoas renderem-se à prática suicida porque o suicídio pode não ser indolor, mas é contagioso. 

Medos comuns com os quais adolescentes como Ellen convivem como uma espécie de desagradável ruído de fundo, podem ser transformados em monstros devastadores. Pequenos balões de paranoias podem ser inflados até estarem do tamanho dos balões da Macy's no desfile de Ação de Graças.

Último Turno é um livro que apesar de envolver assassinatos, o sobrenatural e apresentar mortes, nos fala também de amor e companheirismo, mas não amor romântico. Estou falando do amor amigo que conquista quem está lendo e isso se dá através da amizade entre Hodges, Holly e Jeremy, entre a relação que ele tem com os antigos colegas de trabalho; se dá também pela empatia que o narrador consegue despertar em você em relação aos personagens. Mas as sutis informações sobre a importância de darmos valor à vida e à importância de observar o outro, de perceber quando ele precisa de ajuda ganha destaque e elogio. 

E o pensamento que ocorre a ele é complicado demais, carregado demais com uma mistura de raiva e dor para que seja articulado. É sobre a forma como algumas pessoas jogam fora o que outras venderiam a alma para ter: um corpo saudável e sem dor. E por que? Porque estão cegos demais. traumatizados demais ou voltados demais para si mesmos para ver além da curva escura da terra até o próximo nascer do sol. É só continuar respirando. 

Embora tenha sentido que há muita repetição de informações nessa história e isso tenha me incomodado, essa observação não diminuiu minha empolgação e meu olhar positivo sobre o livro. Stephen King pode até ter deixado informações de sobra, mas não nos deixou faltar nada. O enredo está muito bem ligado ao outro e nos apresenta um desfecho talvez inesperado, dramático, triste e emocionante. 

É uma trilogia que vale a pena! Eu indico!

XOXO, ☆