Olá,

Você gosta de ilustrações? Ultimamente, com o surgimento dos livros interativos, tanto de pintura, quanto de caligrafias, as ilustrações feitas à mão têm estado em evidência. Não que ela nunca tenha existido até então, claro. Mas geralmente, antes do BOOM da internet, antes dos livros de arte, e até pouco tempo mesmo, esses desenhos já chegavam prontos e digitalizados para nós. Agora temos até a chance de vê-los ganharem vida e cor aos poucos, num incrível processo criativo e de pura beleza. 

E sobre essa linda manifestação de arte, há pouco tempo, através do perfil da Sandy no Twitter, conheci  o belíssimo trabalho do ilustrador Édipo Regis. Ele havia feito um desenho da Sandy, no clipe Respirar, e a própria cantora divulgou a imagem nas redes sociais. Eu fiquei apaixonado e logo fui pesquisar mais sobre o artista. E eu encontrei muita coisa linda, de bom gosto, de uma sensibilidade e romantismo incríveis. Precisava mostrar a vocês. 


Édipo é um jovem de 29 anos, mora em São Paulo há 11 meses, mas é pernambucano.


"Desde muito cedo dou apaixonado por desenhos e caixa de lápis de cor, giz de cera e papéis de todos os tipos. Minhas memórias mais antigas são de minha mãe brincando de adivinhar o que ela estava desenhando."

O ilustrador também era fascinado pelo universo criado por Walt Disney e Maurício de Sousa. 

"Quando cresci essa paixão só aumentou e passei a querer representar todos aqueles personagens que eu tanto amava." - E, diga-se de passagem, o rapaz representa muito bem os personagens com seus desenhos cheios de personalidade e com esse sentimento de amor e paixão exposto em cada traço.

"Na faculdade, escolhi fazer desenho industrial e fui bem feliz com a escolha." - Conta Édipo, que atualmente trabalha numa multifuncional, na área de projeto. 

Mas paralelamente a isso sou ilustrador de uma coluna, no site A BRODWAY É AQUI, onde quinzenalmente um musical de São Paulo ou Rio de Janeiro é escolhido para ganhar cores. 

Agora que você já conheceu um pouco do autor vejam mais algumas de suas ilustrações.








E então, gostaram? Eu sou fã do Regis, já declarei isso nas redes sociais e acho que já disse isso para ele umas 1000 vezes (ó lá, o exageradinho), mas vou dizer de novo. 

Para ver mais ilustrações do artista basta acessar o site  www.abroadwayeaqui.com.br 
E se quiser ter uma ou mais ilustrações só para você, entre em contato com ele através das redes sociais:




Bju, bju, pípol!
Até +!



Olá!
Há muito tempo ouço amigos leitores questionando "como assim você não leu 'O menino do pijama listrado?!'". A maioria dos que já leram indicam e ainda dizem "Di, se bem te conheço você vai chorar". Finalmente consegui fazer essa leitura e tive o prazer de ler essa edição especial de aniversário, com capa dura e ilustrações, além de uma "carta" do próprio autor (a primeira versão do livro foi lançada há 10 anos pela companhia das letras). Devo dizer que estou apaixonado pela história e fui conquistado pelo protagonista e seu amigo, e a amizade que nasce entre eles.

Bruno é o protagonista desse livro, e toda a história - narrada em terceira pessoa - se desenrola a partir do seu olhar para as coisas que acontecem ou existem ao seu redor. Com apenas nove anos o garoto vê sua vida mudar quando sua família se muda de Berlin para um lugar muito distante. O motivo? Seu pai é um oficial nazista promovido. Neste novo lugar onde está morando, Bruno descobre pessoas trabalhando no campo (ele vê da janela de casa), todas vestindo o mesmo tipo de roupa listrada, roupas que mais se parecem com pijamas. Ele não entende ainda quem são aquelas pessoas, mas sua curiosidade (algo comum às crianças), e o tédio que sente nessa nova realidade fazem com que ele se questione o que vê. O que ele não sabe é que aquele é um campo de concentração e as pessoas que ali trabalham são judeus escravizados. Bruno sabe que não deveria, mas resolve explorar o novo lugar onde mora. Dessa forma, ele acaba chegando aos arredores do campo de concentração e conhece Shmuel, um garoto que não condiz com a descrição denegrida que seu pai faz dos judeus. E assim, com tantas diferenças, Bruno e Shmuel se tornam amigos e os momentos que passam juntos, separados apenas pela cerca de arame, tornam os dias daquelas crianças mais suportáveis.

A narrativa foi construída de forma a segurar informações até o último segundo, então no final de cada capítulo vamos recebendo pequenas informações cruciais para a história e isso nos permite entender melhor como o pequeno Bruno descobre as coisas e sua maneira de enxergar o mundo, por exemplo. É interessante que o livro fala de um assunto impactante, mas vemos a história através dos olhos de uma criança de nove anos. Parece realmente que essa criança em questão está ali, narrando sua vida para nós. Vemos a delicadeza, a curiosidade e até a birra do protagonista de forma muito natural, muito bem escrita pelo autor. 

Apesar de nos envolver numa história cujo enredo se desenvolve num período de guerra, em que traz à tona também a questão da "solução final contra os judeus" e o Holocausto, a narrativa é leve e o foco maior está para como aconteceu a amizade entre Bruno e Shmuel. A beleza desse relacionamento é especial, embora nem sempre feliz. Mas o valor da amizade, o quanto ela pode nos salvar dos infortúnios e o quanto ela nos faz enxergar muito além está aqui.  
"Então Shmuel fez algo que nunca havia feito antes: ele ergueu a parte de baixo da cerca como sempre fazia quando o amigo lhe trazia comida, mas desta vez ele estendeu a mão por baixo e a manteve lá, esperando até que Bruno fizesse o mesmo. Os dois meninos apertaram as mãos e sorriram um para o outro.
Foi a primeira vez que eles se tocaram." (Pág.: 152-153)
Outro ponto positivo da narrativa é a construção do personagem Bruno. A personalidade do menino é muito bem desenhada, de forma que podemos perceber facilmente manias e aspectos de uma criança na idade do nosso protagonista. Além de inteligente, o garoto é também ingênuo em alguns momentos e observador. Um dos aspectos que torna a narrativa tão coerente com a proposta do texto e a escolha do protagonista é a constante repetição de frases, que Boyne coloca no texto, típica de crianças quando está diante de novas expressões e com isso utiliza sempre de forma repetitiva nos seus discursos. 

Nessa nova edição, em capa dura, Jonh Boyne conta com o belo trabalho de ilustração de Oliver Teffers, que com seus traços tão bem feitos e tão expressivos soube ilustrar de forma impecável essa história sensível e tocante. 


O menino do pijama listrado é um livro pequeno, mas que traz consigo uma carga de sentimentalismo muito grande. Traz um texto impecável, tocante, que capta toda a atmosfera que rege a vida de uma criança e o quanto a guerra afeta sua infância de alguma forma. A amizade entre os personagens que Boyne desenhou é um quadro lindo que merece ser apreciado.

XOXO,



O Natal Literário de 2016 foi um sucesso, sendo assim, resolvemos repetir a dose! Só que dessa vez o sorteio está ainda mais lindo e recheado, pois agora contamos com mais de 30 parceiros que contribuíram com muito carinho para fazer com que o Natal de vocês seja ainda mais feliz! SÃO 5 KITS LINDOS, tenho certeza que vocês vão amar.

30.10.17

Seja Você!
Olá!



Permita-me desabafar com você. E desabafe também. Porque a publicação de hoje mais do que nunca é isso: um espaço para expressar alguma indignação. A minha é direcionada às convenções sociais, que tanto aprisionam, ditam regras, apresentam distinções absurdos sobre o ser e o que ele deve fazer ou não.

Para começar gostaria de dizer a alguém, uma pessoa que seja - acredito que para mim fará a diferença -, que se ainda pensa e segue essas convenções, que repensem, reflitam. Nenhum homem deixa de ser homem pela maneira como olha as unhas; nenhum homem deixa de ser homem quando reconhece a beleza do outro e lhe estende a mão em troca de ajuda ou carinho. Isso é ser humanitário, não é ser gay, bixa, baitola - ou seja lá qual for o nome que se infestou no nosso léxico para se referir a um homossexual. Homem chora, isso é sensibilidade (e quem disse que Deus a tirou dos seus homens?), homem também tem lá suas fraquezas e isso não faz dele menos homem que ninguém. 

Mas vamos realmente ao que interessa. Minha indignação, o estopim para o texto de hoje, veio a partir de uma cena que presenciei quando estava indo para a escola. Essa cena não deixa de fazer parte do contexto citado acima (estou calmo, calma, tudo vai fazer sentido).

Hoje me lembrei de um episódio que vivi na minha época de estudante, quando eu era apenas uma criança descobrindo maneiras para me virar no meu dia-a-dia.

- "Di, não carregue os seus livros assim! Homem carrega os livros assim, ó."

Carregar os livros "assim ó..." quer dizer que eu DEVERIA pegar os livros, segurá-los com o braço estirado para baixo de modo que eles fiquem encostados na minha cintura. Enquanto a menina é que DEVE segurar os livros para que eles fiquem apoiados no peito. 

Depois de muito tempo, mais precisamente hoje, parei para refletir sobre esse absurdo (um dos vários), pois um garotinho andava pela rua, à tarde, quando estava indo para a escola, e foi chamado de "bixa" por estar levando seus livros "como uma menina". Nesse momento, olhei nos olhos do garoto (que ficou envergonhado com a situação) e apoiei meus livros no peito também, assim como ele. E eu espero, de coração, que ele tenha entendido o recado. 

Cada um escolhe a forma que lhe convém, a maneira mais confortável de carregar os livros que tem nas mãos. Cada um olha para o lado da maneira que é sua, e olha para as unhas como bem quer, como bem lhe apetece seus impulsos. É um absurdo achar que detalhes como esses farão alguma diferença na vida e na sexualidade alguém. 

Ah, vá! Menos ignorância, gente. Menos ignorância, por favor!


A ilustração do texto foi retirada de imagens da internet. Infelizmente não representa tão bem quanto eu gostaria o texto acima. No entanto, as imagens que mais dialogam com a o texto estão protegidas por direitos autorais. Obrigado pela compreensão.

XOXO,




Olá!

Se você gosta de música, contos de fadas, enredos que se desenvolvem em meio a guerra e edições lindas de livros, você com certeza encontrou a dica certa para uma leitura que tem tudo para ganhar você e seu amor. ECOS*, de Pam Muñoz Ryan (livro vencedor do prêmio Newbery Honor Book*),  lançado pela Editora Darkside é o livro da vez.

Seu destino ainda não está selado./ Até na mais sombria noite/ Uma estrela brilhará,/ um sino soará,/ um caminho será revelado.

Ecos é um conto de fadas moderno, que se utiliza de uma narrativa simples, mas muito criativa e elegante, para contar histórias de crianças que passam seus dias em meio ao caos da guerra, vendo todas as regras impostas pelos grandes governantes. Elas vivem em meio ao preconceito, a violência, a desigualdade, aos julgamentos e as dificuldades de vida, comum às pessoas de classes não privilegiadas. Elas têm uma infância dura, mas são salvas pelo amor que os unem a seus familiares e pela generosidade e pureza que carregam em suas almas. Mas além de terem histórias de vidas em que a irmandade, a fraternidade, o amor e a cumplicidade contribuem com a sobrevivência e paz em seus lares, há mais uma coisa comum entre eles: a música. 

A música que sai de uma gaita marcada por uma letra misteriosa é o que os mantêm vivos e dispostos a passar por todas as adversidades que enfrentam. Mas essa não é uma simples gaita, ela tem uma característica especial, que existe desde quando três princesas foram aprisionadas por uma bruxa. E a história dessas princesas, que também enfrentam uma guerra em suas vidas dá início ao "Era uma vez..." em Ecos, que além de emocionar tem uma forte capacidade de surpreender o leitor. 
"Música é uma linguagem universal. Uma espécie de religião universal. Com certeza é a minha religião. A música supera todas as distinções entre as pessoas." (Parte I, 61)
A narrativa de Pam Muñoz é excelente e cheia de referências a fatos históricos e citações a grandes nomes da política.  Ecos nos apresenta a quatro contos: ao conto das princesas, que dá início a tudo; ao do menino Friedrich e sua imagem incomum; ao dos irmãos Mike e Flannery, que vivem num internato; e ao de Ivy Maria, que vive se mudando com os pais em busca de oportunidade de emprego. Pelas genéricas descrições já é possível ter uma ideia de que todas as coisas pelas quais os personagens passam não foge à realidade de muitas crianças. 

A cada conto somos levados a um contexto e a um ambiente diferente, mas sempre num período de guerra. Como você acha que era a vida de uma criança com um rosto deformado, de família judia, na gestão de Hitler? Você consegue imaginar-se vivendo num internato com uma administração corrupta, sendo obrigado a trabalhar  e correndo o risco de se separar de seu irmão? Ou será fácil imaginar uma garota carente de amizades pelo fato de estar sempre se mudando com os pais, que estão em busca de emprego para o sustento da família, com medo de receber uma notícia ruim de seu filho ma guerra?
Friedrich estava com uma sensação estranha no estômago, igual a que sentia logo antes de alguém lhe bater no pátio da escola. Perguntas vagaram em sua mente: seu rosto era um crime? Ele não era nada mais que sua macha e uma doença que nem tinha mais? O que lhe aconteceria se os nazistas os considerassem medonho demais?" (Parte I, 71)
Não acredito que seja necessário descrever as sensações que tive durante a leitura desse livro, prefiro apontar razões para que o leitor se interesse e queira descobrir as surpresas de cada história que indico. Mas me senti na necessidade de dizer o quanto fiquei tocado e reflexivo com a leitura de Ecos. Eu amo crianças, então acredito que a presença desses personagens tem forte influência para os meus sentimentos perante o livro. Mas se não fosse a competência da narrativa, talvez nada disso existisse. 


Na vida tudo o que planejamos para nosso futuro dá certo? Talvez você diga que não. E também você concorde com a ideia de que existe a possibilidade de dar certo também. Finais felizes existem, isso depende muio da perspectiva de cada um. Em Ecos, somos dados a duas perspectivas: a que dá certo e a que não dá. As duas possibilidades estão presentes na história como um tempo, através de um artifício criativo, que se faz surpreendente e revelador. 

Ecos não se restringe aos adultos ou as crianças. A linguagem é acessível aos dois públicos, não subestima o entendimento dos leitores mais jovens, nem diminui o leitor mais experiente. A capa do livro tem uma arte linda, a diagramação não deixa a desejar, mas o mais bonito da história é a premissa que nos envolve, especialmente, num sentimento de compaixão e sensibilidade para lidar com a realidade de vida e os desejos das pessoas ao nosso redor. Leiam, vivam esse encanto. 
Newbery Honor Book é um prêmio literário concedido anualmente para o autor de maior contribuição à literatura infantil americana. ** O significado de Ecos se faz uma grande metáfora nessa história. Quão longe um Eco pode levar sua voz e te aproximar de alguém?
EU GOSTARIA DE PRESENTEAR UM DE VOCÊS com esse livro.

Se você ainda não conhece o instagram do Blog, acesse www.instagram.com/vidaeletras e participe do sorteio valendo 1 exemplar de ECOS, da amada DARKLOVE

Bjux,