Olá, todo mundo! 
Quero iniciar o post de hoje falando para você que é um prazer poder escrever e dialogar sobre esse livro, sucesso desde a sua primeira publicação em 1907. Os Meninos da Rua Paulo é um clássico do autor Ferenc Molnár, foi traduzido para vários países e está sendo relançado no Brasil, desta vez pela editora Companhia das Letras. Uma história cativante capaz de conquistar o leitor pelo brilhantismo de fazê-lo reviver a infância e apresentar aspectos morais do ser humanos, bem como as consequências da guerra de maneira metafórica, divertida, mas também tocante.

Com uma linguagem dramática e por vezes engraçada, Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár, é uma história comovente de um grupo de amigos (Boka, Csele, Csónakos, Kende, Kolnay, Weiss, Geréb e Nemecsek) que lutam por um espaço para suas brincadeiras na Rua Paulo. As ruas de Budapeste, na Húngria, são habitadas pelos meninos que travam lutas diárias em defesa do 'grund', um lugar que poderia se dizer sagrado para eles, onde eles podiam brincar. As tarefas dos meninos da sociedade do betume consistia em molhar o símbolo da sociedade, o betume, através da mastigação, e defender o grund, que funcionava como uma espécie de quartel para eles, também local onde jogavam pela (um jogo que consistia em jogar  uma bola de um lado para outro com as mãos ou com ajuda de algum instrumento). Quando os camisas-vermelhas (pode-se dizer grupo rival) sem local para suas brincadeiras são impedidos de jogar pela, resolvem ocupar o pedaço de terra e inicia-se uma batalha em que o bom senso, o jogo limpo, a amizade e a lealdade são as principais regras na luta pelo espaço desejado.
Olharam para o terreno e para as pilhas de lenha, iluminadas pelo sol sereno da tarde primaveril. Via-se-lhes nos olhos que amavam aquele pedacinho de terra e estavam prontos a defendê-lo. Era uma espécie de patriotismo, como se, ao gritarem 'Vida o grund!', tivessem gritado 'Vida a pátria!'. Os olhos brilhavam, os corações transbordavam. (Pág.: 55)
Os Meninos da Rua Paulo não é, definitivamente, apenas mais um livro infanto-juvenil na estante dos clássicos. Quando você começa a ler o livro e começa a perceber que os personagens poderiam ser você, que a situação é atemporal e o cenário onde se passa a história poderia ser qualquer lugar, entende que a história é muito mais do que se espera. É um retrato da beleza da infância e uma denúncia à falta de locais para os jovens adolescentes se divertirem, principalmente pelo constante crescimento das cidades que abrigam grandes edifícios. Além disso, a história traz também valores que todos os jovens deveriam conhecer na transição da infância para a adolescência e levar para a vida adulta.


Você consegue imaginar uma guerra em que os participantes prezam pela verdade, pelos atos nobres, pela preocupação com o próximo na luta que gera a rivalidade? Na batalha dos meninos do betume são esses valores que importam; o mais importante é ganhar com dignidade, com verdade e lealdade. O reconhecimento também é uma característica da "guerra" pelo pedaço de terra. Que vença o melhor e que reconheçamos que eles mereceram. Todos os personagens, até mesmo os que falham, são apresentados com suas qualidades. Aqui não há vilões, mas sim atos falhos. Nos deparamos com o perdão e a justiça, com grandes heróis da infância, dando um grande destaque para Ernest Nemecsek, um garoto que nem sempre foi levado a sério pela sua perceptível fragilidade, mas que carrega dentro de si uma força admirável e consegue mostrar isso a todo o instante com sua ousadia e valentia. 
"Nemecsek fitou-o com os grandes olhos azuis e disse:- Gostei. Preferi tomar um banho e ficar à beira do lago rindo de um camarada. Prefiro ficar na água até o Ano-Bom a conspirar com os inimigos de meus amigos. (...) Podem convidar-me a ficar com vocês, adular-me, cumular-me de presentes: nada tenho que ver com vocês. Se me botarem na água mais uma vez, ou cem vezes, ou mil vezes, voltarei sempre: amanhã, depois de amanhã (...) Não tenho medo de nenhum de vocês.  E, se vierem à Rua Paulo tomar-nos o nosso terreno, lá estaremos. Lá, verão que, quando nós também somos dez, sabemos falar em outro tom. Comigo a briga não foi difícil. Vence quem é mais forte. Os Pásztor roubaram as minhas bolas de gude no parque do Museu, porque eram os mais fortes! Dez contra um, é fácil! Mas a mim pouco importa. Podem-me dar uma surra, se quiserem. Bastava eu não querer para não entrar na água, mas recusei o seu convite. Podem afogar-me ou matar-me a pauladas: eu nunca serei traidor como certos indivíduos...." (Pág.: 125-126)
Ainda sobre nosso herói, Nemecsék, há uma grande tensão na narrativa quando ele aparece. O personagem parece que foi criado para tocar o leitor, para provocar a empatia e consequentemente provocar nele uma grande comoção nos momentos finais da história, quando fica clara a figura do herói que luta com todas as armas e força pela pátria. Um herói que não é esteticamente forte e vence o tempo inteiro, mas que está sempre ali dando seu melhor mesmo quando todo o resto não confia nele.
"Lia-se em todos aqueles rostos que Nemecsek apanhara o resfriado por algum motivo nobre. Em termos exatos, ele se resfriara pela pária, tendo tomado três banhos, um por acaso, outro por obrigação, o terceiro por questão de honra." (Pág.: 162)
Considerado o livro Hungaro mais aclamado pelos leitores ao redor do mundo, Os meninos da Rua Paulo conta com três adaptações para o cinema, em diversas línguas, e é um livro capaz de atingir a todo o público. Agrada ao adulto, ao adolescente e a criança também. Com tradução de Paulo Rónai, ilustrações de Tibor Gergely, essa obra não pode ficar de fora da lista de livros lidos por você, que é um apaixonado por livros e histórias. É uma leitura necessária e que além de encantar, faz rir e vai emocioná-lo profundamente.

Bjux,


Olá!
Tudo bem?

O dia está estressante, o carro quebrou, o ônibus está lotado, as pessoas estão cobrando mais do que deveriam e você está correndo mais do que suporta? É, dizem que nem tudo são flores nessa vida. Então, que tal fazer algo diferente, conhecer um local diferente na sua cidade e até mesmo reservar um dia para fazer algo que costumava fazer e já não faz mais? Que tal um piquenique? 

O título dessa postagem pode até ser tosco, mas não me importo. Hoje estou em um daqueles dias em que eu só desejo tranquilidade, simplicidade, falar bobagem, gritar um belo 'tô nem aí' e curtir a natureza e relaxar. Você poderia fazer o mesmo ou prefere deixar o estresse te dominar? Ah, sim, está trabalhando... Mas acho que você tem um horário de almoço, não? Qualquer tempinho é válido se você estiver disposto a tentar se livrar desse peso estressante e se permitir um contato com a natureza ou como seu próprio eu. 

Comece desapegando da ideia de melhorar o título desse texto, de mudar a forma como a mulher dirige o carro dela. Esqueça da pessoa que está falando ao celular, gritando; deixe para lá. Você não tem nada a ver com isso. Ao invés de pegar para si mais um problema você experimentou se concentrar em você e tentar afastar toda essa nuvem pesada que parou sob a sua cabeça hoje? Aproveite, hoje é sexta-feira! Logo, logo tudo acaba e o tão esperado sábado chega. Mas se prepare desde já nem que seja para tomar um chá na varanda de casa ou fazer um piquenique com a família e amigos. 

Pare de inventar desculpas e se deixar para depois. Uma hora ou duas horas no seu dia não serão o suficiente para estragar todos os outros. Reservar um hora ou duas horas no relógio para se dedicar a você é justamente uma tentativa de recarregar a bateria e encarar os próximos dias. E não, eu não estou sonhando ou tentando bancar o livro de auto-ajuda e dizer que você não se estresse porque você vai se estressar sim. Você é gente como a gente, sente dor, chora, se irrita, quebra o pau e tudo isso acaba sendo inevitável. Todo mundo tem seus momentos de de querer jogar tudo para o ar e explodir, mas poucas pessoas se são a oportunidade de relaxar, desejando resolver tudo de uma única vez. Talvez você só esteja precisando relaxar. Isso mesmo, simples assim. Fazer por onde ter um dia relaxante.

Há mais ou menos um mês decidi que iria fazer piquenique com duas amigas num local da cidade onde ha muito tempo não íamos. Planejamos tudo; compramos frutas, fizemos suco, preparamos torradas e geleia, entre outras coisas. Procuramos os potes mais lindos da casa e escolhemos a toalha mais linda também e que combinasse com o ambiente para onde estávamos indo nesse grande dia. Sim, grande dia! Pare de pensar que um momento simples não pode ser grandioso, tá?Nem tudo é o tamanho, às vezes também é a qualidade. Dito isto, fomos nós a caminho do parque da cidade. Rolou uns estresses sim, tanto na ida quanto no momento em que chegamos lá e eu pisei numa poça de lama e sujei meus pés. Gritei? Sim. Xinguei? Com certeza. Mas me perdoei e deixei as energias irem embora e dei espaço ao canto dos pássaros, aos sorrisos das crianças, ao céu azul do dia ensolarado de verão. E logo que me acalmei arrumei uma solução e limpei meus pés. 

E olha que estávamos todos passando por momentos de puro estresse com questões pessoas, de faculdade, falta de dinheiro, dentre outras coisas que não vem ao caso. Acontece que adiar o piquenique que já estava marcada e fora adiado tantas vezes não estava mais nos nossos planos. Idealizamos, nos permitimos, rimos, reconhecemos o quanto temos coisas em comum, fortalecemos ainda mais nossa amizade e terminamos o dia com uma sensação de plenitude e corações cheios de gratidão. 

É mesmo necessário dizer que valeu a pena? Para alguns esse é um simples programa de pessoas desocupadas, sonhadoras, mimadas, que não tem o que fazer e não saíram da infância - mas olha, não saímos mesmo, temos um pé nessa alma infantil: GRATIDÃO POR ISSO! -, mas para mim, e tenho certeza que para elas também, esse foi um grande manifesto, uma homenagem a nós que sobrevivemos com o coração limpo a esses dias pesados, que parecem querer nos derrubar a todo custo. Essa foi uma homenagem a nós, que merecemos cuidar de nossa saúde física, mental e espiritual também.  

Já experimentou prestar uma homenagem a você mesma hoje? 
Nem tudo são flores, mas também pode ser piquenique, praia com os amigos, almoço com a família, o contato com o mar, uma música especial que te faz lembrar momentos especiais... 
Feliz Sexta-Feira, pípol. 
Bjinhos



Olá, gente!

Eu ando tão raro por aqui, não é mesmo? Mas acreditem, além da correria com o final do semestre na faculdade (sim, o calendário da UFBA está louco) minha conexão com a internet voltou a ficar péssima, logo estou com dificuldade para fazer postagens. Mas hoje estou aqui com muito prazer para falar de Aristóteles e Dante, esses garotos especiais, personagens do livro de Benjamin Sáen, publicado pela Editora Seguinte em 2014. 

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredo do Universo foi uma leitura rápida e encantante, me deixou emocionado e totalmente apaixonado não só pelos personagens, mas pelo universo ao redor deles. É uma história dramática, emocionante, engraçada e lindamente poética. 

Aristóteles e Dante são o total oposto um do outro. Enquanto Dante sabe nadar, Aristóteles não. Dante é muito bom com as palavras, sabe conversar, expor suas opiniões, sabe se fazer presente, mas Ari não é nem um pouco confiante e tem dificuldade com as palavras. Enquanto Dante ama ler poesias, Ari está sempre absorto em seus pensamentos imaginando como seria encontrar seu irmão mais velho, que está na prisão. Ele construiu uma barreira, uma forma de proteger seu mundo, e seus pensamentos tão desacreditados muitas vezes, suas aflições que não são reveladas a ninguém e suas perguntas sem respostas. No entanto, quando Dante aparece na vida dele durante a aula de natação tudo muda. Dante e seu jeito único de ser poderia ser a última pessoa capaz de ultrapassar as barreiras que Ari construiu, mas a forte ligação entre os dois acaba despertando uma amizade mais forte do que qualquer outro poder do cosmo e então eles passam a compartilhar livros, sorrisos, aventuras, e revelam seus segredos e pensamentos até então guardados a sete chaves. Juntos vão descobrir que a amizade está dentro do amor que sentem um pelo outro e esse sentimento pode ser a chave para descobrir os segredos do universo que eles tanto querem desvendar.
"Minha mãe e meu pai deram as mãos. Imaginei com era - como era segurar a mão de alguém. Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do Universo na mão de uma pessoa." (Pág.: 156)
Como não se apaixonar por Ari e Dante? Eles realmente representam a ideia de que os opostos se atraem e somam. Aristóteles é pura melancolia e fã do seu "quartinho escuro"; Dante é energia, pura luz.  Ambos sentem medo e ainda há muito a descobrir. São dois opostos que se encontram e juntos descobrem o que estava faltando em suas vidas. Na minha condição foi impossível não me identificar com os dois, cada um representando uma fase da minha vida e a palavra final sobre esse livro, o que eu já disse anteriormente, é que após a leitura me senti uma pessoa mais apaixonada do que já sou. 

Aristóteles e Dante Descobrem os segredos do universo é um livro que te leva a se apaixonar pelo amor e pelo que ele pode fazer na sua vida. Mas ele também é um livro que mostra as maldades alheias sofridas pela "minoria", aqueles que enfrentam os infortúnios no "universo", vítimas da "maioria", aqueles se reconhecem como pessoas 'normais". Mas também, o autor se preocupou em mostrar o outro lado da moeda, nos apresentando famílias especiais e que transbordam amor, que respeitam, entendem e acolhem. Tudo de maneira direta, simples, poética, com uma construção bela do amor e da amizade. 

A construção da narrativa em primeira pessoa conta com muitos diálogos, o que facilita ainda mais a leitura e as sensações que o leitor sente com ela. É fácil se emocionar, não é difícil o sentimento de empatia seja você quem for. A história é repleta de metáforas o que empresta a ela um tom poético, além de ser dramático, o que abriga grandes momentos de tensões e surpresas. Se você leu Eu Te Darei o Sol, da Jandy Nelson, com certeza irá se apaixonar por Ari e Dante, ou vice-versa. 

Na busca pelas descobertas dos segredos do universo os personagens apresentam as dúvidas e arrisco dizer também os infortúnios pelos quais um adolescente passa enquanto vai se conhecendo melhor como pessoa, entendendo sua personalidade e desvendando os mistérios do corpo e suas necessidades, bem como dos sentimentos que afloram. Além disso há toda a questão familiar, os medos do jovem de ser aceito pela base e pela sociedade também, até mesmo de satisfazer aquilo que esperam dele. Na história o que paira sobre um dos personagens, mais precisamente nosso narrador, presenciamos a constante fuga causada pelo medo de encarar a própria realidade.
"Mesmo sabendo que o nome era uma homenagem a meu avô, também sabia que tinha herdado o nome do filósofo mais famoso do mundo. Eu odiava isso. Todos esperavam algo de mim. Algo que eu simplesmente não podia dar." (Pág.: 98)
Aristóteles e Dante descobrem o segredo do universo é uma história linda e impactante, uma poesia para o leitor apaixonado, um refúgio para o jovem leitor e para aqueles que se sentem presos dentro de si, com medo de conhecer seus segredos, desvendar e encarar os mistérios do seu próprio mundo. Leiam de coração aberto. ♥

Bjux,



Olá, pípol!
Depois de uma breve pausa nas resenhas (estava com problemas na internet, aos poucos está ficando melhor) estou de volta - Uhuuuu! 

☆☆☆☆☆

Você já sentiu como se perdesse em cada canto um pedaço de si, tendo que pegá-los todos os dias e juntá-los para que finalmente a vida possa voltar a fazer sentido? Juntando os pedaços, o livro que sucede o grande sucesso da Jennifer Niven, Por Lugares incríveis, reúne situações estressantes e por vezes dolorosas, de personagens que são discriminadas e sofrem bullying por alguma razão. Reúne numa narrativa leve a história de pessoas que estão tentando juntar seus pedaços e seguir em frente.

Libby Strout ficou conhecida como "a adolescente mais gorda dos Estados Unidos", quando teve que ser retirada com a ajuda de um guincho dentro da própria casa. Essa parece ser a única maneira pela qual as pessoas conhecem a garota, e ninguém parece disposto a enxergar quem ela é além do seu porte físico. Libby teve um período difícil principalmente porque perdeu a mãe logo cedo e teve que conviver sozinha com seu pai e a tristeza da perda. Mas a garota, que se mostra cheia de garra e encanta com seu talento, sabe que está pronta para encarar a vida e se reerguer. Ela sabe para onde deseja ir e o que quer ser mesmo dentro de um ambiente cheio de rótulos, onde irá fazer novas amizades e conhecer alguém especial. As pessoas ao seu redor é que não sabem de nada e acham que conhece Libby muito bem.

E "todo mundo acha que conhece Jack Masselin", um garoto cheio de estilo e atitude, que participa dos grupos mais populares da escola. No entanto, o garoto não consegue reconhecer os rostos das pessoas com quem convive e esconde isso de todo mundo. Ele não é capaz de reconhecer seu próprio rosto. Para passar o tempo ele vive criando coisas no porão de casa e é extremamente simpático com todos por onde passa, um belo disfarce que talvez não funcione por muito tempo. Quando o garoto é tentado a participar de uma brincadeira de mal gosto, que envolve Libby, ele desperta e adquire um pensamento consciente sobre seus atos. Quando é punido junto aos colegas, que inclui Libby - ela é punida pelo ato violento que exerce em relação a Masselin - o adolescente começa a enxergar quem Libby realmente é, assim como a garota que percebe que Jack também é mais do que o "babaca" que aparenta ser.  A partir daí nasce uma grande amizade e ambos descobrem um novo mundo e uma maneira de driblar os infortúnios que os cercam. 

Juntando os pedaços foi lançado no segundo semestre de 2016 pela Editora Seguinte. O livro cujo tema central é bullying e auto-aceitação aborda situações recorrentes no dia a dia de boa parte dos jovens e adolescentes em todo o mundo. Niven reuniu em seu "novo" trabalho personagens e situações reais, costurou várias histórias que representam o que meninos e meninas vivenciam no dia-a-dia e escreveu um texto em homenagem a esses leitores que sofrem abusos e para aqueles que praticam o abuso também.
"Eu escrevi esse livro para Christine nos Estados Unidos,  para Jayvee nas Filipinas, para Steysha na Ucrânia, para Paulo no Brasil, para Shubhan na Índia, e para todos os outros como eles. (Jennifer Niven)"

A escrita de Niven é leve e é perceptível o carinho nas palavras, que resulta no conforto que o leitor tem durante a leitura () Mas sinceramente não posso dizer que Juntando os pedaços é um livro incrivelmente espetacular e que pode marcar você profundamente. O livro aponta, toca, "belisca", isso é fato, mas achei que poderia ir mais fundo, chegar mais na ferida, incomodar mesmo. O que vi foram várias histórias tentando ganhar espaço, sendo citadas superficialmente, tentando ganhar espaço no foco principal: a vida de Libby e seu problema, e de Jack e a Prosopagnosia. 

Outro ponto incomodo que posso citar são a construção de alguns personagens, posso destacar a namorada de Jack. As características dela é que ela é uma garota fútil e antipática, no entanto não há muitas passagens com a presença dela na trama, e quando aparece não é perceptível essas duas características. A impressão que tenho é que estou julgando uma pessoa sem conhecê-la, apenas porque os outros dizem que ela é assim, que é justamente o contrário do que é pretendido com o texto. E isso acontece com outros personagens também.

O livro é narrado em primeira pessoa, com capítulos intercalados entre Libby e Jack, o que oferta ao leitor refletir junto com eles e entendê-los melhor. Acho muito eficaz a narrativa em primeira pessoa nesse tipo de história, que envolve situações tão reais e recorrentes, porque a empatia é certa - mesmo que você não tenha passado por determinadas situações você certamente conhece alguém que viveu ou está vivendo na pele. 
"Neste momento o corredor está cheio de Lukes em potencial. Um garoto é enfiado em um armário. Outro toma uma rasteira de alguém e voa pra cima de outra pessoa, que o empurra para o primeiro, que o empurra de volta, até que ele fica passando de mão em mão como uma bola de vôlei. Duas garotas falam mal de outra na cara dela, até que a coitada sai com os olhos vermelhos, chorando.  Outra tem uma letra "A" escarlate nas costas, e todo mundo acha graça quando ela passa sem entender a piada. Para cada pessoa rindo neste corredor, outras cinco parecem horrorizadas ou tristes." Pág.: 40

 Um dos pontos mais altos do livro está no destaque para a doença de Jack Masselin. A prosopanosia uma doença que impede que a pessoa reconheça os rostos das pessoas e isso geralmente acontece como consequência de algum dano cerebral. Isso fica claro para o leitor, é possível entender muita sobre a doença, a autora soube colocar isso muito bem. 


Temos aqui um livro que proporciona ao leitor uma leitura agradável, que o prende, embora não tenha me impressionado tanto. Não é um livro ruim, não é um livro espetacular. É um livro envolvente e tenho certeza que muitas pessoas vão se enxergar na história e querer seguir bons exemplos também. Um livro que mostra o preconceito e suas consequências e mostra também que é possível - como já disse no começo - juntar seus pedaços e se reerguer. 

"As pessoas fazem merda por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às, vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas. É uma autodefesa de merda." (Pág.: 74)

Em JUNTANDO OS PEDAÇOS você encontra assuntos como: bullying, prosopagnosia, obesidade, violência, agressão, homossexulidade (de forma sutil), entre outros assuntos.

Façam boas leituras.
Bjux!



Olá!

Outro dia encontrei por acaso um colega, uma pessoa querida, enquanto caminhava pela rua num daqueles dias corridos, cheio de pressa, em que parece que não vai dar tempo de fazer terça metade do que preciso fazer. Acho que você também se identifica com isso, aliás o ser humano em si parece desejar mais do que 24 horas no dia. Foi um encontro legal, deu para conversar, matar a saudade. Mas ele fez um comentário despretensioso e com a melhor das intenções, claro, que me fez refletir e convidá-lo a refletir comigo. E agora eu convido você para fazer essa reflexão também.

"- Di, como você está lindo! Está diferente, tem um brilho a mais, está mais leve, parece mais feliz.
- Obrigado, realmente estou mais feliz, estou de bem comigo mesmo, ao contrário daquele período tenso pelo qual passei - respondi.
- Você parece outra pessoa - ele disse e logo acrescentou. - Está namorando?
- Não, eu não estou namorando. Continuo solteiro.
- Tá solteiro, sério?! - fez cara de espanto - Está tão feliz que me pareceu estar com alguém."

Quem me conhece sabe que há três anos sai de um relacionamento de 3 anos e foi um período pesado, fiquei mal, fiquei doente, tive principio de depressão. Foi realmente uma fase assustadora, perturbadora. Eu não sabia para onde ir, como ir. Quando sai daquele relacionamento parece que eu não tinha um norte, foi como se eu tivesse entrado de cabeça no mundo do meu ex parceiro e vivido outra vida, por isso quando voltei para o meu mundo eu não conhecia mais os caminhos - sabe aquelas plaquinhas indicando é para lá, é para cá, que Alice encontra no mundo das maravilhas? Era assim que eu estava. Senti muito medo. Fiquei estático, sem ação. Uma dessas pessoas que presenciaram isso foi esse colega, que me deu muita força, animou muito os meus dias mais sombrios sempre que possível. Por isso entendi da melhor maneira seu pensamento, mesmo que eu possa observar uma dependência muito grande por parte dele nos relacionamentos - mas isso é algo pessoal de cada um, não vem ao caso. 

Depois que fiz terapia e consegui me encontrar, voltar a mim, caminhar sozinho e sorrir sem precisar ter motivos eu realmente virei outra pessoa. Eu gosto mais de mim, vivo mais para mim, e aprendi muito sobre quem eu sou. Eu entendi que é primeiro eu, depois o amor e eu.. e eu. Como diria Ana Carolina, sou feito pro o amor da cabeça aos pés. É o amor que nos movimenta, gente. É ele que nos faz querer seguir adiante. O amor, não o outro. Se você não tem amor pelo que faz, por você mesmo e pela vida para onde mesmo você vai?

Por um bom tempo eu vivi essa história de que a gente precisa de um complemento para ser feliz. E a gente está cansado de saber que não é bem assim. Precisamos compreender a nós mesmos, compreender que somos especiais acompanhados por alguém ou não. Somos livres para sermos felizes independente de quem esteja ao nosso lado. Afinal, eu tive vários momentos tristes também ao lado do meu parceiro, mesmo na melhor fase da minha relação. Ele segurou a barra junto comigo, me deu a mão, mas minha tristeza estava ali. Então por que que eu precisaria de alguém para ser feliz, se esse alguém não espantaria minha tristeza também? Você entende onde quero chegar? 

Estar feliz e estar triste é da natureza do ser humano, precisamos nos permitir viver os dois momentos. Quando a gente guarda a tristeza e abafa um grito, estamos assinando uma sentença que assegura uma explosão devastadora e então tudo desaba de uma só vez. É preciso se permitir apenas SER. Apenas seja. Ser você mesmo não depende de alguém, mas sim da paz que você encontra lá no fundo da alma. Quando você encontra a paz e se basta entende quem você é, o que você quer e segue adiante. Sozinho. E nem sempre estar sozinho é sinônimo de solidão. Estar sozinho também pode ser uma opção, a melhor opção para você naquele momento.

E assim aconteceu comigo. Hoje me sinto pleno, realizado. Eu tenho o amor dentro de mim, é somente eu e ele. E juntos atraímos o amor que vem do próximo, a boa energia de quem a gente escolhe ter por perto também. Eu tenho amigos que me amam e que eu amo tanto! Tenho uma família que me ama, que me faz sentir uma pessoa completa. E eu tenho a Deus, e volto a dizer que tenho amor. Aliás, nós temos. Um amor imperfeito, mas se moldado, se bem cuidado, um amor que vale a pena e cabe. Na maioria das vezes tenho um amor julgado pelo outro da pior maneira, mas sinto ele dentro de mim, me fazendo sentir alguém especial e é isso que importa. Ninguém sabe como você se sente no seu íntimo, ninguém sabe o que eu sinto ou como me sinto. E eu não preciso de ninguém para ser especial. Você também não. A gente tem sorte de "ser feliz sem mais ninguém/ sem ser refém".

Somos livres e a felicidade é para todos. Juntos ou separados.

"- Olha, pra ser feliz a gente não precisa estar com alguém, basta estar de bem consigo mesmo, ter amigos e família por perto; bastar estar fazendo o que gosta e fazendo da melhor forma possível para colher frutos do jeitinho que você quer. Isso faz de você uma pessoa plena. - Respondi a ele."

Você se sente uma pessoa plena?  

XOXO,