♥
Virgínia Woolf, autora inglesa; Mrs Dalloway uma de suas principais obras. Um clássico, uma narrativa peculiar e um senso crítico aguçado quando se trata da sociedade inglesa da época.
Olá! ♥
Ler um clássico para muitos é questão de honra, para outros um martírio. Você já parou para pensar em qual das duas categorias você se encaixa? Não sei se existe meio termo, eu com certeza estaria dentro dele, acredito que a questão não é ler clássicos, é como ler um livro clássico. E depende de qual livro você vai ler, porque assim como qualquer coisa na vida ou a gente se identifica ou não se identifica.
Talvez você já tenha lido Mrs Dalloway e tenha uma opinião formada em relação à história, e talvez você não tenha lido ainda, mas esteja desejando verdadeiramente. É importante saber que essa é uma das obras mais aclamadas da autora, e foi também uma das mais criticadas pelo público provavelmente por fazer uma crítica à sociedade fútil da época e pela narrativa peculiar, nada simples ou de fácil compreensão. Ainda assim, é um marco na literatura, essencial na lista de clássicos a serem lidos. E a partir das razões que vou lhe dar logo mais, você dirá se vale a pena ou não realizar a leitura.
Haverá uma festa na casa de Clarissa Dalloway à noite. A dona de casa prefere sair para comprar flores, já que sua empregada tem muito o que fazer. Na trajetória de Mrs. Dalloway até a floricultura, a mulher encontra amigos e conhecidos e relembra acontecimentos de seu passado numa narrativa não linear, com frequentes momentos de flashback. Além disso, ao mesmo tempo em que mergulhamos nos pensamentos da personagem, vemos a vida de outras pessoas que ao redor da protagonista, vivendo seus problemas e suas mentiras e infortúnios nos anos de 1920.
A complexidade da narrativa é incontestável. O livro aposta no fluxo de consciência, que é uma técnica narrativa que se propõe a narrar o pensamento de um personagem, sua linha de raciocínio e suas ideias que se desenrolam durante o processo de reflexões que acontece ao mesmo tempo em que ela vive as situações rotineiras. No caso de Mrs. Dalloway, a mulher questiona o tempo inteiro os costumes da sociedade da época tão superficial e hipócrita, questiona também acontecimentos de seu passado, o que nos leva e nos trás no tempo da narrativa, que agora está no presente e, talvez de modo que você nem perceba, no momento seguinte estará narrando um fato do passado, como uma importante lembrança da personagem.
Essa não será uma leitura fácil, ela merece muita atenção, pois os fios se misturam, mas sempre se encontram formando um emaranhado de informações, dando uma visão ampla do que acontece no íntimo da personagem e ao redor. Pode não ser uma leitura interessante para alguns, se revelando nada atraente e até entediante. Mas agrada ao leitor que gosta de narrativas introspectivas.
Mrs. Dalloway nos leva uma viagem pelos pensamentos de uma personagem/mulher muito além de seu tempo. A trama se desenrola fazendo um passeio pelo íntimo do ser humano, mostrando suas crises existenciais, seus anseios e insatisfações, além de trazer à tona - de maneira sutil - temas como a homossexualidade e feminismo. Apenas escolha o momento certo e o lugar certo para realizar essa leitura e isso definirá muito sua experiência com ela.
A edição que li é dos clássicos da Peguin, selo da Companhia das letras. Também observei através de uma breve leitura, edições de outras editoras, e das que li posso assegurar que a melhor tradução é a que está em destaque nessa publicação.
Um Bju meu,
com carinho ♥

