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4 de maio de 2016

O Céu Noturno em Minha Mente, Sarah Hammond


Olá! ♥ 

Eu não disse que logo, logo apareceria!?  Pois bem! Aqui estou eu, em mais uma quarta-feira para contar a vocês tudinho – ou quase tudo – sobre o que achei do livro O Céu Noturno em Minha Mente porque esse dia lindo da semana é aqui no Vida & Letras considerado o dia nacional da Resenha.

E posso falar? O protagonista desse livro é uma estrelinha tão linda, que nunca mais vai deixar de brilhar no meu céu. E com certeza vai conquistar o seu céu também.


Todo mundo tem problemas na vida, todo mundo já viveu algo desconfortável um dia. Até Chico Buarque disse numa de suas canções que "todo mundo tem problema na família" e "todo mundo algum dia faz pecado". E é nessa “família”, que não se perde da imperfeição comum a qualquer outra, onde vive Mikey, um garoto tão igual e ao mesmo tempo tão diferente de você.

Mikay tem 14 anos e poderia ser considerado um garoto igual a qualquer outro da sua idade, mas algumas coisas fazem com que ele se diferencie dos demais. Uma delas é a falta do patriarca da família, que por uma razão até então desconhecida está na prisão. Mas Mikey não sabe o por quê, pois sua mãe não conta o motivo e se recusa a falar sobre isso. No entanto, de alguma forma o garotinho irá descobrir o que ela esconde. Isso porque uma misteriosa cicatriz, que está na parte detrás de sua cabeça, o faz ver coisas que não via antes. É uma verdadeira confusão na mente do menino! E as coisas se complicam mais quando acontece um assassinato na cidade e ele é o primeiro a chegar à cena do crime. O que o levou até lá ele não sabe. Mas será que isso tem a ver com o pai que está na prisão? Quem era o morador de rua que foi morto e porque o mataram? Ao lado do seu cãozinho, o fiel Timmer, Mikey vai viver situações do passado e vai descobrir mais do que gostaria quando resolve encarar a escuridão que o cerca e que poderá responder a suas dúvidas.

A vida de Mikey é dividida entre o Agora e o Pra Trás. O “Pra trás” é uma maneira que o garoto encontrou de definir o passado, que pode ser visitado por ele. É lá no Pra Trás que ele vai descobrindo aos poucos as coisas que aconteceram na vida do pai e do homem que foi morto. O Pra Trás esconde coisas ruins, mas também coisas boas.

Contada a partir da visão do personagem principal, a história conta com uma narrativa agradável, inteiramente poética e isso pode ser visto desde a arte da capa, seguida pelo título do livro. Tem um desenvolvimento aprazível e o uso de metáforas - presente em quase toda a história - faz com que a proposta desse “trabalho” dê certo. A autora utilizou elementos certeiros para criar um enredo sem muitas reviravoltas, com um valor mais subjetivo.

Na vida de Mike existe um céu noturno, a escuridão que carrega segredos e verdades que nem sempre são agradáveis. O escuro pode bem representar o desconhecido como também o medo de encarar o novo. As sombras na vida do garoto são como fantasmas que o assombra, fantasmas de uma infância conturbada, de incertezas e de fatos que o machucam. E também temos mais uma vez os animais como melhores amigos do homem.

Mas por que essa leitura tão subjetiva, Di?

Há um mistério que permeia a vida de Mikey e de sua família e que nós não sabemos de cara por conta do narrador em primeira pessoa, como já disse anteriormente. Tudo é “novo” para o leitor também, inclusive o desfecho de toda a história, que correu no passado dos personagens, que causou as consequências do “agora”. Mas o ponto chave da história não está nesse mistério - que por sinal não apresenta nenhuma tentativa de se mostrar um fato complexo porque o foco não é esse. A beleza da obra pode ser lida nas entrelinhas. Há mais significados que podem ser descobertos - se você não fizer uma leitura ao pé da letra -, assim como acontece, por exemplo, nos clássicos “Alice no país das maravilhas” e o “Pequeno Príncipe”.

E por falar em Pequeno Príncipe, não posso deixar de ressaltar o quanto Mikey é doce, ingênuo e cativante. Definitivamente é um personagem encantador, que está o tempo inteiro em busca de ser aceito, de ter amigos, e que pode ser confundido com um garoto com uma idade menor do que a indicada no livro. Mas não vale esquecer que ele é um garoto especial.


Gostaria de ver mais a relação entre Mikay e sua mãe, que se mostrou uma relação linda desde o início, mas acabou sendo deixada de lado. Também senti falta da presença do pai no livro. Um pouco mais da história dele no "agora" seria interessante, até porque a autora deixa uma reflexão num dado momento: uma pessoa boa pode ter uma má atitude? Essa atitude fará dela uma pessoa que como qualquer outra agiu de forma errada em algum momento da vida?

Em suma, O Céu Noturno em minha mente é um livro que apresenta uma história sobre os fantasmas da nossa vida e dos traumas que carregamos conosco. E nos mostra a importância de enfrentar nossos medos para seguir em frente. Merece ser lido e recebido com carinho. 

Foi escrito por Sarah Hammond – ex procuradora e formada em direito e escrita para jovens na Inglaterra onde nasceu -, e é o primeiro livro da autora direcionado ao publico juvenil. No Brasil foi publicado pela Galera Record, em março deste ano.

Beijos 1.000 e até mais!

Diih ♥


27 de janeiro de 2016

‘A Menina Submersa’, de Caitlín R. Kiernan – Os Fantasmas de India Morgan



Olá♥!
Tudo bem com vocês?! E as leituras estão em ordem? Espero que estejam lendo livros incríveis porque eu não paro. Já comecei o ano lendo coisas ótimas, me dando super bem com as leituras e como hoje é quarta-feira (dia de resenha no blog) eu conto para vocês um pouquinho de A menina submersa, de Caitlín R. Kiernan, e o que achei do livro.


A Menina submersa foi a segunda história de fantasmas que li esse ano. A primeira narrativa, uma história bem colorida e doce; a que trago para vocês hoje é totalmente o contrário da anterior: ela é sombria, melancólica, confusa, cheia de elementos dos filmes de assombração. No entanto, engana-se quem pensa que a história dos fantasmas de India Morgan Phelps – ou Imp, como é conhecida – é assustadora, tensa e arrepiante. Eu imaginava que fosse, mas não é.
Imp foi diagnosticada com um sério problema psiquiátrico. Assim como sua mãe e sua avó ela sofre de esquizofrenia e tem acompanhamento psicológico, além de tornar remédios para controlar seus “ataques”. Depois que as duas mulheres de sua vida morreram a garota passou a morar só e dividir seus dias entre a consulta com a psicóloga, o emprego, sua pintura e a escrita. Há algum tempo está escrevendo uma história sobre fantasmas e essa necessidade de narrar os acontecimentos surgiu na infância, depois de uma visita ao museu com sua mãe, quando conheceu o quadro intitulado “A menina submersa”, de Phillip George Saltonstall, pelo qual a menina cresceu fascinada. Suas histórias não contam com uma ordem cronológica, nem tem ordem exata de narração: India simplesmente as escreve tentando resgatar todas as lembranças que tem de seus fantasmas nas folhas de papel – ela pode estar contando sobre o agora, mas, do nada, lembrar-se do que aconteceu ontem e escrever isso, mesmo que não tenho nada a ver com o que estava sendo dito anteriormente. São lembranças que ela não sabe se são reais ou apenas imaginárias.

O livro foi lançado aqui no Brasil, em 2014, pela Editora Darkside (editora famosa pelas suas edições maravilhosas e seus livros do gênero terror) e apresenta uma narrativa extremamente intrigante e confusa. Um verdadeiro conto de fadas mergulhado na melancolia, na escuridão e na mente de uma garota que tem o psicológico abalado, com um problema crescente. Longe de ser aterrorizante, A menina submersa é assustador apenas do ponto de vista emocional, em que os fantasmas são aqueles que habitam em nós, como as lembranças que arranham, perturbam e nos levam ao fundo do poço. Boa parte do livro me levou a crer que esse fantasma é uma metáfora das más lembranças, de situações vivenciadas pela personagem – a morte da mãe e da avó, ambas com o mesmo problema - , até me deparar com uma garota que é levada para fora de uma pintura para a realidade duvidosa da personagem.

Aqui temos uma história dentro de outra história, uma metalinguagem carregada de elementos sombrios das grandes obras de terror, seja em filmes ou livros (como a presença de um lago, um fantasma habitando um lugar, líbelulas, aparições, lendas, entre outras coisas), e representa uma novidade porque não é uma narrativa comum. A autora apostou na escrita desregrada, deixou a mente da personagem correr solta e nos levar junto.


Essa narrativa “desorganizada” e livre de qualquer regra tradicional de escrita é algo que, ao mesmo tempo que impressiona pela ousadia, faz o leitor estranhar. Tal característica de “desordem”, atrelada às diversas referências que o texto traz, como a dos clássicos de Alice, de Lewis Carroll, além dos contos de fadas e homenagens a autores como Virginia Woolf e Shakespeare, faz da história um leque de informações. Essas várias informações misturadas à mente de uma garota que não consegue discernir o real do ilusório acaba causando uma confusão na mente do leitor também e essa confusão resulta num cansaço, que em dado momento faz com que a leitura fique arrastada. Em vários momentos desejei que a história acabasse logo.
Quer mais um pouco de confusão? Basta você entender que a pessoa que narra é a própria Imp, sendo assim um narrador em primeira pessoa. Porém, em determinados momentos, a personagem fala dela mesma em terceira pessoa.

Em suma, apesar de toda confusão, de ser uma leitura nada fácil e densa, a narrativa de Caitlín Kiernan ganha destaque e mérito pela originalidade e por fazer a diferença em meio a tantas narrativas repetitivas e comuns. Ao final do livro você irá se perguntar se realmente entendeu a história, mas me parece que a intenção é justamente essa, deixar o sentido correr solto. “Não é o que vemos. É o que nos deixam para imaginar. Essa é a genialidade de ‘A Menina Submersa’.”

Leiam, leiam, leiam! E voltem para me contar a sensação que a leitura causou em vocês.
Nos vemos logo, logo!


Bjux,
Diih ♥
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