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8 de junho de 2012

Vida em letras #1


“A procura”


Sobe ladeiras e sua
Como quem se sente cansada
De uma eterna procura,
Uma procura desenfreada.

Para em qualquer ponto da cidade
Cheia de graça, timidez e vontade.
Perfume exalando com permissão do vento
Cabelos soltos, contentamento.

Está sozinha, não crê em nada
Que não seja na vontade que sente,
Na garota que sonha em ser amada.
E Se perde pelo grande mundo
Tentando vaga em um olhar
Que não se sabe o que quer e se quer ficar.

Coitada da garota
Que dançava na chuva e sonhava acordada;
Que meditava os seus sonhos caindo em buracos incertos
E lugares tão cheios de nada.
- Por onde andas agora, menina desvairada?
Não se perca em olhos estranhos
Ou nas luzes de uma faixada qualquer.

© Diego França 2012 *

2 de dezembro de 2011

Quem irá me salvar?





Coloquei a minha melhor roupa, escolhi o meu perfume preferido e dei o melhor e mais verdadeiro sorriso. Escrevi a mais doce das cartas de amor, vivi sonhos românticos e chorei assistindo a cena de um beijo. Então lavei o meu rosto, me olhei no espelho e senti os meus olhos brilharem, quando caminhei até a varanda do meu quarto e olhei para as luzes que clareiam lá fora - nada comparadas com as dos meus sonhos e aventuras em Paris- , dei um suspiro, respirei fundo e eu continuo a viver.
Desço as escadas e logo estou lá embaixo vendo pessoas buzinando em seus carros, xingando os piores palavrões e passando despercebidos diante de pedintes e desamparados. Ninguém percebe nem dá atenção, apenas seguem sua vida. Eu continuo andando de coração aberto, pedindo, implorando que exista alguém aqui fora que venha retirar de mim esse olhar vago e triste.
Mais a frente, enquanto caminho em passos curtos, vejo uma mulher passar por mim chorando; Olho para a sacada de uma casa enquanto um casal, aos gritos, grita o fim de sua relação; Olho para um banco na praça e percebo uma descoberta de traição e um coração amargurado; Tento olhar para mim e até consigo. Vejo minhas esperanças jogadas ao chão no banco de um passeio público, numa casa de família e nos olhos de uma mulher triste.
 No desespero, agora em passos mais largos, me pergunto onde vou parar, se é preciso sentir o caos e o desespero de ver as almas gêmeas se desencontrarem, se um dia tudo irá mudar e, mais do que todas as indagações, eu estou me perguntando: “Quem irá salvar meu coração?”



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