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19 de janeiro de 2017

'Dois Irmãos':Uma HQ de Fábio Moon e Gabriel Bá sobre a história de Milton Hatoun



♥ Olá, pípol!

Aproveitando que a Rede Globo está exibindo a minissérie "Dois Irmãos" decidi trazer para vocês minhas impressões sobre a história, a partir da leitura do HQ de Fábio Moon e Gabriel Bá, vencedores do Prêmio Eisner pela graphic Novel "Daytripper", que estreou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos a Amazon e do New York Times, em 2011. 

A história em quadrinhos dos irmãos (gêmeos) paulistas é uma adaptação da história dramática do manauara Milton Hatoum, um dos autores nacionais mais consagrados da literatura contemporânea - o livro original vou vencedor do prêmio Jabuti, no ano 2000.

Dois irmãos apresenta a história dramática de uma família de libaneses, que se firmaram no estado de Manaus no início do séculos XX e tem como tema central a relação de extremo conflito entre os irmãos gêmeos Yaqub e Omar. A história é contada por Nael, um garoto criado pela família, filho de Domingas, empregada da casa, narrador que relata o que presenciou durante a infância e que por isso tenta escrever sua própria história a partir dessas relatos. Logo nas primeiras páginas da HQ nos deparamos com quadrinhos que nos mostra Zana, a mãe dos gêmeos, fazendo um passeio pela antiga casa onde morou por tantos anos. A nostalgia, melancolia e solidão estão perfeitamente expressas nas imagens iniciais, que se abstém do texto e nos convida a fazer uma leitura imagética. Em seguida, a história segue seu rumo e nos é apresentada pelas lembranças dos personagens, principalmente dos irmãos ainda crianças, quando desde já apresentam personalidades completamente diferentes e a prematura rivalidade entre eles.

Os meninos disputam uma mesma garota, a atenção e o olhar da mãe e do pai, o trabalhador Halim - esse que tem afeição maior pelo filho mais velho, Yaqub. Um é ligado aos estudos, enquanto o outro é da vida de baderna, bebedeira e pratica atos de vandalismo. À medida que os meninos vão crescendo e grandes confusões acontecem entre eles, os pais decidem mandar Yakub para viver numa vila no Líbano e quem fica é Omar, o suposto e aparentemente "queridinho" da mãe, que vai viver sob o teto dessa mulher controladora e ciumenta. Quando volta para o Brasil cinco anos depois a relação conflituosa entre os irmãos é evidente e então o leitor vai presenciar os caminhos distintos pelos quais os gêmeos seguirão na vida: um é bem sucedido, embora sempre calado, introspectivo e inteligente; o outro mimado e totalmente boêmio, violento, talvez não seja um homem forte. É o momento em que a família também se divide.


A parte histórica da obra de Hatoum está muito bem colocada na HQ, que conta com um "resumo" que não deixa a desejar em nada. As imagens com seus traços muito bem marcados e cheios de pequenos e importantes detalhes dialogam perfeitamente com o leitor já envolvido com o enredo, esse que também nos conta um pouco sobre o processo de crescimento da cidade de Manaus entre os séculos XIX e XX. Os quadrinhos também trazem a parte da história em que é apresentada a questão da imigração dos libaneses para o Brasil e faz um desenho lindo do momento em que a "Cidade Flutuante" é demolida. 

Os traços dos irmãos Fábio e Gabriel são excepcionais e conseguem traduzir perfeitamente os sentimentos, expressões faciais e estado de espírito dos personagens, que são extremamente complexos, inclusive. Além disso, a escolha pelo P&B nas imagens foi certeira no sentido de que isso conduz o leitor ao passado e representa muito bem as aflições dos intérpretes. 


Se você não teve a chance de ver a minissérie da Rede Globo desde o primeiro episódio e está se sentindo perdido com a história, sugiro que leia a HQ - volto a dizer, não deixa a desejar e apresenta tudo o que você realmente precisa saber. Mas leiam também o livro completo porque vale muito a pena. 

|Os gêmeos eram dois opostos, habitando o mesmo corpo e dormindo sob o mesmo teto.|

XOXO,☆


30 de setembro de 2016

[Desabafos Inconstantes #2] O Discurso 'Leia Nacional' e os Estrangeirismos



Olá, pessoas! ❤
Animadas para o final de semana? Hoje é sexta-feira e não há dia melhor para me deixar mais feliz. Então, feliz Sexta-feira para você também,  que está no último dia de trabalho ou no último dia de aula da semana, na escola ou faculdade. E até para você que já está de folga neste dia para chamar de maravilhoso.

Voltei para desabafar com vocês, para falar de mais uma situação e um discurso que me agrada muito, mas que também me incomoda. Me agrada porque valorizar o que é nosso vai ser sempre um ato importante, principalmente no que tange à língua e a literatura portuguesa; me incomoda porque nem sempre as pessoas entram de cabeça e fazem valer o que foi proposto. Como já viram no título, é sobre esse discurso que a gente lê e ouve muito ultimamente: Leia Nacional, Valorize a Literatura Nacional.

No início do semestre na faculdade a professora de Literatura Contemporânea trabalhou com nossa turma um texto intitulado 'A Literatura na Era da Multiplicidade', assinado por Beatriz Resende, uma crítica e pesquisadora da UFRJ. Como já está claro no título do texto, estamos passando por uma fase em que o avanço da tecnologia e os instrumentos para a troca de informações está crescendo muito rápido, com isso multiplicando as possibilidades para produções e publicações de obras literárias. Sendo assim, a autora aponta três características que comprovam isso: a fertilidade da forma de expressão, que envolve as muitas publicações e a grande quantidade de autores que estão surgindo na atualidade, se aproximando e se apresentando ao lado de autores já consagrados. A segunda constatação da autora está para a qualidade dos textos e o cuidado com a preparação do que está sendo produzido - o que é algo inegável. E por último, temos a multiplicidade (heterogeneidade), que vem com o caráter não excludente de diversos modelos de produção.

O comentário acerca do texto de Resende só me serviu de apoio para confirmar o quanto a literatura nacional está crescendo e o quanto as pessoas estão cada vez mais autônomas, tendo liberdade para contar e publicar suas histórias. Mas o tema central do que tenho a dizer não está na visível heterogeneidade das publicações, e sim, no que está por detrás de cada texto, seja através de um nome próprio, de um título e das expressões estrangeiras que aparecem demasiadamente nesses textos. 

Será que a literatura nacional se caracteriza apenas como uma literatura escrita com a nossa língua materna? Faz sentido incentivar a leitura de textos nacionais que ao invés de me inserir no meu país me desloca do meu lugar de origem e me insere numa história que enaltece apenas a cultura de outro país?

Será que a minha história precisa realmente apresentar personagens com nomes estrangeiros e o cenário precisa também estar totalmente além das fronteiras nacionais? E os títulos das minhas publicações (isso inclui a linguagem dos blogs e canais do youtube) precisam necessariamente vir carregados de estrangeirismos, totalmente escritos numa linguagem internacional? Posso até está sendo chato me apegando aos mínimos detalhes, que até pode parecer irrelevantes, mas se você parar para analisar vai perceber que as influências de fora estão dominando você e não você dominando o que tem de "novo" - a segunda língua, que é de extrema importância, claro. 

Não estou aqui para ser extremo e dizer que é preciso abolir do meu vocabulário os estrangeirismos. Jamais. Eles existem, dão cor cor e uma por vezes enriquecem o texto, além de que algumas palavras estrangeiras preenchem as lacunas que existem na nossa língua. Mas analise comigo: se eu estou numa campanha de incentivo à leitura de livros nacionais, se nessa campanha eu também estou escrevendo um texto, um projeto de um livro, por que não apresentar as belezas do nosso país, nossa cultura, nossos falares, nossos nomes próprios? Por que não escrever títulos que nos aproximem mais do que vivemos aqui na nossa realidade? Será que não somos capazes de produzir um texto que nos incentive a mergulhar na nossa própria cultura e conhecer a diversidade cultural que temos por aqui?

Nós precisamos de obras que nos aproximem ainda mais da minha cultura que é nossa. Quero que me mostrem a Maria e o João; quero conhecer o Pedro, a Paula, a Iracema e a Carolina. Quero ver o verde do meu país representado nos enredos, cada canto do país sendo mostrado nas diversas tramas. Quero que aponte a violência e os problemas do meu país também, como um arranhão na consciência de cada cidadão.

O Eduard, o Gerard, a Trace e o Jordan vão sempre existir nas páginas dos livros e nós sempre vamos ler suas histórias porque é importante, porque nos acrescentam algo também, assim como conhecer Paris, Londres, Nova York, Idaho, que também nunca estarão afastados das grandes histórias. E tudo isso é válido porque a gente realmente precisa prestigiar o novo, o que está além do que temos aqui. Mas isso só é saudável quando existe para somar e não afastar você da identidade que adquiriu ao longo do tempo.

Qual o sentido do discurso 'Leia Nacional', se você recebe uma história que de alguma forma te afasta da sua nacionalidade? E não estou falando de fantasia, de outro mundo, de coisas inventadas. Estou falando dos textos que nos fazem sentir deslocados do nosso próprio lugar.  

Não precisam concordar comigo, adoro debates e adoraria saber a opinião de vocês sobre o que foi dito.

XOXO,
Diih ❤


6 de novembro de 2015

{Resenha} ‘Surpreendente!’, Maurício Gomyde


~♥~

Sem sombra de dúvidas Maurício Gomyde já pode ser considerado um dos melhores escritores da literatura nacional da atualidade, e ele mostra o por quê com a publicação de “Surpreendente!”. A história conta com um enredo cativante e a maneira como ela foi conduzida com certeza vai surpreender você.


“Acho que o cinema, a boa música e a literatura são instrumentos da Santíssima Trindade para salvar o ser humano da derrota como espécie.” ♥

Pedro é um cara espetacular. O cinema lhe alimenta a alma e aos 25 anos, recém-formado, ele usa a arte como um instrumento para melhorar o mundo. Mas existe um sonho e um problema, como não poderia deixar de ser: Pedro foi diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa, que condenaria o jovem à cegueira. No entanto, num dado momento da vida, a perda de sua visão estaciona, contrariando a medicina de maneira inexplicável, dando a ele a possibilidade de correr atrás do prêmio mais importante do cinema brasileiro. Ao lado de seus amigos Fit, Cristal e Mayla, Pedro embarca numa aventura para filmar o que seria o filme Surpreendente, levando consigo um segredo que o atormenta. O que Pedro esconde? Qual o resultado dessa aventura que os aguarda com sentimentos imprevisíveis e encontros inesperados? 

Surpreendente! é o sexto livro escrito por Maurício Gomyde (A máquina de contar histórias) e foi lançado pela Editora Intrínseca em Setembro deste ano. É perceptível o amadurecimento do Gomyde como escritor, que a cada novo trabalho presenteia o leitor com um enredo cativante e uma competência incrível de fazer com que uma história que tinha tudo para ser uma narrativa comum, torne-se algo grandioso. Basta ler um livro seu para perceber que ele sabe conduzir a história de uma maneira espetacular.

O drama de Pedro Diniz está longe de ser um drama qualquer ou mais uma história com um personagem deficiente visual – e é bom lembrar-se de outras obras especiais, como Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago e Dançando No Escuro (Lars von Trier), em que nas duas histórias os personagens não nascem cegos, mas, por alguma razão, vão perdendo a visão. Surpreendente se afasta do espaço comum (o ‘ser mais um’) para ser ‘o livro’ com uma originalidade admirável, mesmo com as referências de outras histórias que o próprio autor dá no seu texto. 

E por falar em referências, Gomyde sabe como ninguém juntar elementos da santíssima trindade para enriquecer ainda mais uma história. No livro em destaque estão inclusas boas músicas, além de títulos de grandes sucessos cinematográficos e literários (dos clássicos aos mais recentes), o que já é uma marca do autor – quem conhece sabe que a arte em si está sempre presente nas suas obras. 


O protagonista é um personagem especial, admirável e com um coração enorme. Humildade, carisma e ousadia (suspeito que Pedro seja um geminiano nato), marcam os traços da personalidade dele. Seus amigos e personagens secundários também são encantadores e, acima de tudo são pessoas do nosso dia-a-dia, vivendo ou presenciando situações comuns da nossa sociedade - violência, preconceito, exploração, desigualdade, etc. Em alguns momentos enxerguei atitudes exageradas em Pedro e situações que poderiam ser prolongadas, que poderiam nos dizer e nos mostrar mais, no entanto ficaram corridas. Mas, ainda assim, não faz com que o enredo perca a essência.

'Você pode acabar tomado pelo desejo súbito de subverter a lógica natural da vida e abreviá-la, mas se tiver amigos isso nunca acontecerá. Porque serão exatamente eles que irão puxá-lo da beira do abismo.' ♥

Surpreendente é uma história sobre superação, adaptação, de busca pelo sonho, da amizade que nos puxa da beira do “abismo” e, acima de tudo, sobre amor. Não importa o que aconteça recomeçar e buscar novos caminhos para a realização pessoal é essencial. E foi isso que o Pedro fez. Ele é um exemplo de coragem e suas ações um exemplo a ser seguido. O livro é uma mensagem de Pedro para você, através do seu filme Surpreendente.  

A grade novidade é que Surpreendente logo, logo vai ser lançado fora do Brasil - direto pra Portugal. Maurício assinou contrato com a Editora Presença, uma das grande editoras do país, responsável pela publicação de livros da J.K. Rowlin, Kiera Cass, John Green, Markus Zusak, entre outros. Muito amor por isso! 
O autor já começou a escrever seu novo livro e amanhã vai estar aqui em Salvador lançando Surpreendente! e vai bater um papo com os leitores. Prometo contarei tudo para vocês! E aos que moram aqui na terrinha, esperamos vocês lá.


Até mais!
Bjux do Diih ♥

31 de julho de 2015

{EXTRA} SURPREENDENTE!, Maurício Gomyde



Olá pessoas lindas!

***
Espero que esteja tudo lindo por aí porque por aqui está uma maravilha! Minha gente hoje eu fui surpreendido – eu e os leitores do todo Brasil - com a capa do novo livro, de um dos melhores autores nacionais da atualidade, de quem sou fã! Sim, estou falando do querido Maurício Gomyde, autor que terá seu novo livro lançado dia 01 de setembro, na bienal do Rio de Janeiro, agora pela Editora Intrínseca. ♥ {como não se sentir feliz?}

Olha só que linda essa capa! 
♥ 


Vocês gostaram? Contem-me o que acham, quero saber tudo!

 Particularmente eu adoro a cor azul – esse tom, então, nem se fala. O título já tem uma carga positiva e o desenho do olho grego a complementa perfeitamente. {positividade e amor puro}.
Essa capa está bem ao estilo da Intrínseca, não é?  

{Será que vocês conseguem lembrar de alguma outra capa quando olha pra essa?}

Agora, para quem ainda não conhece Maurício Gomyde, ele é um paulistano que vive em Brasília e, além de escritor, é músico e compositor. Já abandonou vários cursos na UnB (Universidade de Brasília) – já estudou cinema, engenharia mecânica e Ciências da Computação – e é formado em Processamento de dados. Entrou no mundo da literatura com o livro O mundo de vidro, em 2011.






Encontro vocês logo, logo.
Bjux do Diih♥ .

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