Ei, vocês!
Um ♥i cheio de carinho a todos.
Chegamos ao quarto dia da
semana e quarta-feira é dia de resenha aqui no Vida & Letras. Portanto,
trago hoje para apresenta-los, um romance da Companhia das Letras (♥ puro amor por essa editora!), escrito
por Rubens Figueiredo, que é tradutor e professor de português, formado em
letras na UFRJ.
***
O passageiro do fim do dia conta a história de
Pedro, um rapaz que todos os finais de semana segue para a casa de sua
namorada, quando termina o expediente no trabalho. Rosane o aguarda nos finais
de semana, no Tirol, bairro periférico da cidade onde mora. A narrativa se
passa dentro de uma lotação e se desenvolve a partir da consciência do rapaz –
o Pedro -, que apesar de distraído, consegue capturar detalhes e situações
sobre o que está acontecendo ao seu redor. Com um radio no ouvido e um livro
que conta a história da passagem de Charles Darwin pelo Brasil, Pedro vai
questionar e adquirir uma visão de mundo mais crítica depois daquela viagem.
(♥)
“Toda hora é hora de
avançar na escala evolutiva, subir mais um degrau. É mesmo impossível ficar
parado e, qualquer que seja a direção em que as pernas começam a andar, o chão
logo toma a forma de uma escada. Além do mais, é preciso reconhecer: sem mal-estar,
sem adversidade, sem um castigo sequer, como se pode esperar que haja alguma
adaptação?”
(♥)
Quando a professora me
apresentou uma lista de livros para que eu pudesse escolher um deles e
trabalhar na aula de literatura nacional, logo me interessei pelo título da
obra de Figueiredo. E no final de tudo eu realmente me sinto orgulhoso por ter
feito essa escolha porque foi uma das melhores leituras que já fiz na vida. O
autor criou um cenário familiar e narrou o percurso de Pedro de maneira divina.
Enquanto lê as páginas do livro você sente como se fosse o próprio personagem
vivenciando aquela experiência, passando pelas ruas descritas e pelas situações
observadas.
“Sabia que, para muitos passageiros, aquele seria o segundo
ônibus em sua viagem diária de volta para casa. Sabia que a mulher com
aparência de uns sessenta anos, mas que devia ter só uns quarenta e três, com
cinturões de gorduras nas costas que marcava profundas pregas na blusa, não
tinha os dentes incisivos na arcada inferior. E sabia que ela trazia dentro da
sacola, sem abarrotada, uma Bíblia encapada em plásticos transparentes, que ia
abrir e ler no seu banco do ônibus, durante a viagem de mais ou menos uma hora
e meia.”
(...)
O livro não é dividido em
capítulos, não há pausas e ainda que você pense que será cansativo e chato, por
esses motivos, se engana. O leitor é puxado por mais uma observação, mais um questionamento,
mais uma situação dentro do ônibus e então vai lendo, e lendo... Até perceber
que não é preciso divisão de capítulos porque ele te leva junto pela viagem,
mostrando, através dos detalhes, a competência da narrativa e o quanto a
história funciona bem dessa forma.
Passageiro do fim do dia
sou eu, é você. Quem nunca fez uma viagem que, normalmente duraria meia hora,
em mais de uma? Quem nunca pegou um engarrafamento grotesco e um protesto pelo
meio do caminho, enquanto viaja de pé, mesmo cansado de um dia de
trabalho? O que acontece com Pedro
durante o percurso? Será que ele consegue chegar ao destino desejado?
Assim como o colunista
Marcos Pasce publicou em 2011 no site do jornal gazeta do povo, reafirmo que O
passageiro do fim do dia é “um romance necessário”,
que nos mostra, através da literatura, uma janela que nos permite enxergar as
mazelas urbanas, aguçando nosso poder de questionamento e nossa visão crítica
do mundo.
Espero que tenham gostado do livro e
espero que leiam esse texto lindo, que foi lançado em 2010.
É isso!
Até logo,
Bju, bju do Diih♥.


