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18 de setembro de 2017

[Autoral] ♥ O Grande Encontro


♥ |Olá! Esse é um dos textos que escrevo quando tenho um tempinho livre. Na maioria das vezes ele não representa a minha realidade, mas sim o resultado do que observo no mundo ao meu redor. No entanto, "O Grande Encontro" tem muito de mim e dos meus sentimentos. Recebam com carinho esse diálogo com um desconhecido.|



 

O dia-a-dia de cada de cada pessoa é uma grande surpresa. A gente vive supondo coisas, torcendo para que algo bom nos aconteça; algo que seja diferente do habitual. O tempo passa a todo o instante, e não espera. Mas eu estou aqui aguardando você chegar. Há dias em que eu finjo não saber disso, mas no fundo, eu sei.

Acontece que é melhor esquecer, sabe! Eu nem sei onde você está, se está longe ou perto; se acabou se perdendo no caminho ou se parou para tomar um chá em algum lugar. Na verdade, eu nem sei se você gosta de chá. Talvez prefira uma cerveja, um vinho, um café. Um chocolate quente, quem sabe. 

Olha, nem sei se você se importa ou deseja saber também. Mesmo assim, saiba que estou por aqui fazendo o de sempre, todos os dias. E os dias têm sido uma grande rotina. Pego uma condução até o trabalho, encontro as mesmas pessoas, cumpro os mesmos horários, embora tenha um grande número de atraso para contar. E sabe de uma coisa? Nesses dias em que estou atrasado, imagino que seja o destino me preparando para o grande encontro com você. 

Isso parece tão errado, tão louco e irracional, não é? Fico pensando se você acharia legal esse tipo de pensamento, se me acharia um perfeito de um louco, estranho. Me veio agora aquela desconfiança, acompanhada de uma expressão assustada, imaginando que talvez você já tenha chegado e foi-se embora espantado, de tão estranho que pareci com todos esses pensamentos românticos e fantasiosos demais.

Não, não e não! Acho que devo pensar melhor. Você não veio. É isso! Acredito que perceberia um sorriso diferente, um toque tímido na minha mão, um olhar cheio de estrelas brilhando. Afinal, estou olhando para todo o lado, o tempo todo, atento aos gestos e olhares, que, na maioria das vezes, fogem quando encontram meus olhos. Definitivamente, não; você ainda não chegou.

E se chegou sabe se esconder muito bem. E aqui, paro mais uma vez e penso se aqueles joguinhos bobos de conquista fazem parte de você também. Isso seria difícil para mim. Saiba! Porque eu não sei jogar e já perdi muito tempo entrando nesse tipo de jogo para somente perder no final. Por favor, prefiro não jogar mais, é tão cansativo! Bem mais cansativo do que minha espera por você. Pelo menos esperar por você me permite fabricar sonhos e desenhar formas com linhas certas, mas também tortas. Portanto, seja gentil. 

Devo confessar que, às vezes... Aliás, sempre (decidi abrir mão do eufemismo) ando por aí imaginando que a qualquer momento posso dar de cara com você na confusão da cidade ou no momento de levar a bandeja para ser lavada, no restaurante da faculdade. Imagino que nosso encontro será através de um tocar de mãos despretensioso, na fila para entrar no ônibus; e até penso que nos encontraremos em meio a um apagão na cidade, onde a lua será a única luz a iluminar o mundo. Me parece uma ótima ideia.

 É tão difícil olhar esse mundo em meio a tanta escuridão, mas parece bonito também não ver, apenas sentir, principalmente quando se está perto. Sabe por que? Quando eu te olhar em meio à claridade verei você e o formato do seu rosto, é comum a qualquer ser humano. E de primeira é somente o que poderemos ver um do outro. Mas quando a luz se apagar é que saberemos quem realmente somos, eu saberei quem você realmente é e você saberá de mim também. Porque quando as luzes se apagam não se vê imagem alguma. O que fica é somente a graça e a ternura que envolve duas pessoas que se amam não pelo que tem, mas pelo que são um para o outro e para si.

O problema é que assim, à distancia, não dá. Não posso te ver, não posso sequer sentir meu coração acelerar ou minhas mãos suando de nervoso. Não posso saber se seu coração bate forte também, se você treme num misto de prazer e agonia. A verdade é que somos completos estranhos, e já viemos dessa grande escuridão. Não tem jeito, é preciso aceitar e seguir em frente. 

Mesmo assim não paro de te procurar por aí. É uma constante, algo comum, sabe? Se olho para o lado e vejo pela terceira vez o mesmo rapaz, imagino que ele seja você. Imagino com todo carinho do mundo, que, finalmente, te encontrei. 

E então ele se vai...
E tudo começa outra vez. 

Eu não sei quem você é ou de onde vem, e por onde vem; nem se você realmente vem. Mas torço tanto para que você venha e pegue minha mão, me leve para sair, cante canções antigas e ria das piadas bobas que são contadas por aí. Torço para que você venha e me ensine a ver esse mundo com outros olhos; com um olhar de quem finalmente encontrou aquilo que fez com que todos os percalços no meio do caminho e todas as ligações não retornadas valessem a pena. 

Eu não sei onde você está...
Não sei quem você é...
Não sei como se chama,
nem sei a cor de sua pele ou dos seus olhos...

Eu não sei se você está tentando me encontrar, mas se em algum lugar, por algum motivo qualquer, você esteja procurando e pensando nisso, talvez lá no fundo você saiba que estou aqui, em algum cantinho desse mundo sonhando com você também. 

 Diego França/ 2017








20 de julho de 2017

[No Watped] Outono na Rua Brooklin




Olá, pípol!

O que tem para hoje? Novidade. Onde está a novidade? No Wattpad. 

Há mais ou menos dois anos escrevi um conto inspirado na música "Ruas de Outono", interpretada pela cantora Ana Carolina, e postei no blog como um post especial, dividido em 3 partes. Mas muita gente não leu ainda e muita gente me pede para escrever meus textos no Wattpad. Por isso, decidi começar e já publiquei o conto "Outono na Rua Broklin" completo.

"Enquanto tenta se recuperar de uma doença e de todo o cansaço causado por ela, Julia é surpreendida pela falta do namorado, o tão apaixonado e companheiro Victor, que esteve presente nos momentos mais difíceis da sua luta pela recuperação. Certo dia, a garota segue o caminho para o habitual encontro como o amado, na Rua Brooklin, mas ele não aparece e tudo o que Luiza tem é uma carta de despedida e nenhuma explicação ou motivo aparente para que ele ir embora.
Um conto de fadas moderno, que traz na sua essência toda a poética e carga dramática que envolve as famosas narrativas.
Se ela tem final feliz? Isso depende única e exclusivamente da perspectiva de cada um."



Esse é meu convite para vocês.

Aceito sugestões, dicas, críticas e incentivo. Se quiser me adicionar basta clicar na imagem abaixo e curtir a leitura, que é dividida em três partes. Espero que gostem.


Outono na Rua Brooklin surgiu dos pensamentos dramáticos e da paixão pelos contos de fadas, que tenho e que nasceu em mim desde muito cedo. Os dramas e amores "impossíveis" sempre me ganharam facilmente, pois quanto mais impossível for alguma coisa, maior é a vontade de fazer acontecer.
Com o tempo, no processo de amadurecimento como leitor, fui também me encantando pelas histórias, que apesar de serem obras de ficção trazia em si uma narrativa e acontecimentos mais próximos da realidade. Um exemplo? Um final improvável, longe demais do "e eles foram felizes para sempre". Sendo assim, esse tem sido meu estilo predileto de escrita também. Sou um amante das histórias melancólicas, reais e dramáticas porque eu enxergo poesia nisso também. Mas como sei que nem todo mundo pensa dessa forma, tentei escrever uma história que pudesse agradar aos dois tipos de leitores: os que amam finais felizes e os que adoram finais improváveis.
O lugar onde a história se passa é fictício, a descrição do local também. A doença da personagem não é revelada (cabe ao leitor atribuir a ela o problema que preferir ou que se encaixa melhor nas descrições) e o final, o grande momento final, se ele é realmente feliz ou não vai depender da perspectiva de vida de cada um.
O que é o final feliz para você?
Espero que gostem da história e se emocionem como eu me emocionei, enquanto andava pelas ruas de outono, ao lado de Victor e Luiza.

Bjux,

1 de abril de 2016

{Autoral} O Recitar


Olá, pessoal!

Eu estava com saudade de publicar um texto autoral aqui no blog, mas tenho tido pouco tempo para me perder nos meus devaneios. Sendo assim, decidi postar um conto que escrevi lá em 2012, por um motivo que me encheu de felicidade essa semana: eu reencontrei a mulher que me inspirou a escrever esse conto, depois de quatro anos, estudando na mesma faculdade que eu. Foi uma surpresa e me deixou muito emocionado, visto que me lembrou do momento em que a vi pela primeira vez e da maneira como isso aconteceu.
Espero que recebam esse texto com carinho.


- ♥ O Recitar


Num pedaço de espelho quebrado ela se olha e começa a pintar o rosto de branco. Abaixada num canto da rua, enquanto pessoas caminham apressadas sem perceber o mundo ao redor, a garota com seus olhos expressivos e corpo magro pinta a face com uma tinta branca que lhe encobre todo o rosto, sem deixar à mostra a cor natural de sua pele. No passeio onde lhe serviu de moradia por alguns minutos havia também sua melhor roupa (ainda que no pano pudesse ser visto um furo nada discreto): um macacão preto que não lhe cobria as pernas por inteiro, um chapéu também preto no estilo Charlie Chaplin e um tênis All Star. A bolsa que carrega seus pertences, até então pesada, agora está vazia e firme em uma de suas mãos. Ela está pronta para mais um dia.

Com uma das mãos vazias ela pede a parada de um ônibus que vem passando numa velocidade razoável porque parece que alguém chegou ao seu destino. Uma senhora de cabelos grisalhos desce devagar com a ajuda de um rapaz, agradece ao motorista e desaparece no meio das pessoas que transitam pela cidade.  Ninguém sabe para onde ela foi, mas agora é hora de mais um passageiro entrar no coletivo, que não oferece lugar para se sentar, mas conta com espaço suficiente para que qualquer um possa transitar pelo espaço vazio. Quando entra no ônibus, já vestida com seu personagem, cumprimenta os passageiros com um bom dia feliz e espontâneo, e começa a recitar.

 Do barulho percebe-se o silêncio das vozes que se calam para prestar atenção na garota animada que espalha encanto pelos espaços abertos do ônibus. É como uma canção para os ouvidos e um carinho para a alma de quem acorda cedo para viver um dia de trabalho estressante.

- “Que garota talentosa!” – as pessoas ao redor comentam impressionadas, encantadas. Olhares atentos à espera de um pouco mais do talento admirável que explora o ambiente com propriedade, e possui um tom de voz altivo, capaz de intimidar e ganhar a atenção de qualquer um. Uma cidadã pobre de bens matérias, mas rica de palavras, expressões e gestos que se misturam com seu discurso poético.

Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Olavo Billac, Vinicius de Moraes. Todos esses poetas fazem parte do repertório de poesias recitadas por ela durante a viagem continua. O sertão, a fome, o preconceito e a falta de oportunidade estavam ali, pairando no ar do mundo injusto, da sociedade hipócrita, do discurso moralista, do desamor. Ecoam da voz emocionada e cada vez mais empolgada e enfática da mulher, enquanto ela é tomada por uma emoção que contagia cada um dos passageiros – os que escutavam música e desligaram o som para ouvi-la falar, os que liam algum livro, os que dormiam até. A cada intervalo de uma poesia a outra o público não recolhe aplausos, batem palmas com vontade, enchendo o peito da atriz de satisfação, enquanto ela agradece com os olhos brilhando, como se fosse capaz de entender a Via Láctea, como se pudesse ouvir, conversar, entender estrelas.

Agora é hora de passar o chapéu de mão em mão, às pessoas que estão sentadas. O que ela é? Garota, menina, mulher? Será que é tudo isso? Não se sabe de nada além de que ela veio do Ceará tentar a sorte num lugar desconhecido e desta forma está colhendo o fruto do seu trabalho. O barulho das moedas representam contentamento, prazer e admiração do público que não hesita em contribuir. Dez, cinco, vinte e cinco centavos, um real. Às vezes, talvez, nada de dinheiro, mas uma palavra de carinho daqui, um gesto, um incentivo de lá.

Agora ela agradece. As cortinas precisam se fechar, embora talvez, no fundo saibamos que o show deve – e irá – continuar em algum lugar ali fora, em alguma outra lotação da vida. A porta da frente do ônibus se abre e ela desce no ponto. Vai seguir seu caminho com a riqueza que possui, com as moedas que conseguiu, com a esperança que não há de morrer. Vai embora com a maior riqueza que se pode ter: aquela que está guardada na alma. E daqui vou seguindo meu caminho para a vida que me espera, nos pontos onde preciso parar, esperando ansioso por ela para mais um recitar.  

Diego França ©2012/ 2016

| LEIA a primeira versão do conto|

16 de janeiro de 2016

O Conto: ‘Miguel & Manuela, de Tony Lucas’


, O, pessoas!

Vamos comemorar o dia de hoje porque o dia de sábado é bom e todo mundo gosta. Esse é o meu primeiro final de semana depois da volta às aulas, e por isso fiz uma leitura leve e rápida – na verdade reli -, porém muito gostosa. É sobre ela que escrevo e compartilho com vocês no dia de hoje.


Repararam no nome coloridinho? É para homenagear o romance dos personagens, colorido pelas cores da banda internacional MS MR.
O conto foi escrito pelo meu querido amigo e parceiro, Tony Lucas, e conta a história de Miguel e Manuela. Ambos adolescentes vivendo problemas familiares e fãs da banda MS MR.
Miguel é um rapaz educado, tem uma boa qualidade de vida e vive um dilema dentro de casa: ele não se dá bem com o pai e não se sente orgulhoso dele – problema que envolve valores morais, que quando você ler saberá do que estou falando -, por isso vive inventando mentiras sobre quem ele é. Manuela não vive a mesma realidade financeira de Miguel. Ela trabalha numa farmácia e mora com a mãe, o irmão o padrasto por quem não tem bons sentimentos. A convivência com o marido beberrão de sua mãe submissa dentro de casa faz com que Manuela se sinta sem norte em vários momentos. Mas isso vai mudar. A banda MS MR de alguma forma é a grande culpada disso. Ela vai ser trilha sonora de um encontro e trará toda sua mistura de cores para um possível novo romance que está prestes a acontecer.
Miguel & Manuela é um conto POP e posso escrever três motivos para isso; o primeiro é que se desenrola com o tema de uma banda popular, depois porque os acontecimentos, o relacionamento e os sentimentos dos personagens acontecem muito rápido. Além disso, cultura da tecnologia e o uso de redes sociais, que está cada dia mais aproximando pessoas ou separando-as – neste caso afasta os personagens dos infortúnios das relações conturbadas no ambiente familiar – está claramente presente no texto.
Por todos esses motivos eu poderia dizer que essa é uma história boba e não é o tipo de desenvolvimento que gosto de ler, que me atrai. Porém, o autor conseguiu fazer do conto algo tão atual, que essa construção ligeira, com um relacionamento e sentimentos intensos e imediatos dos personagens funcionou perfeitamente na proposta da narrativa.  
Contada em primeira pessoa – um capítulo narrado por Manuela, outro por Miguel e assim por diante – a narrativa faz uma viagem no tempo: vivemos o presente e relembramos o passado, a partir da realidade de cada um. É contada de forma leve, a escrita do Tony é agradável e a capa do conto é linda demais. 
Fiquei muito feliz de poder acompanhar o progresso e o processo de escrita de Miguel & Manuela de alguma forma. O resultado foi lindo e eu indico que façam essa leitura tomando um chocolate quente – caso esteja chovendo – um café, um suco..., escutando MS MR como eu fiz (a prova está na ilustração da postagem). O conto é tão gostoso de ser lido que você com certeza vai pedir mais da história. 
Você pode baixar o conto pelo site Amazon, é só clicar na imagem abaixo e será redirecionado para a página. E para saber mais e conhecer mais o autor, basta acessar o blog:
www.tonylucasblog.blogspot.com.br

http://www.amazon.com.br/gp/product/B019P9KX8A

Até logo!
Um abraço do Diih

11 de novembro de 2015

[MUSICANDO] 'SEGREDO'


i gente! 
Hoje trago uma TAG fixa aqui do blog, chamada Musicando, onde crio um conto ou uma cena a partir de uma canção. A primeira publicação que fiz foi “Outono na Rua Brooklin” [LEIA] e agora trago mais um tema para vocês. Espero que gostem.
Sugiro que leiam escutando Segredo, da minha amada SANDY.

 

Quase duas da madrugada e enquanto o mundo inteiro dorme levanto-me da cama, desço as escadas em direção à cozinha e pego um copo d’água. Em seguida, caminho até a sala e fico parada em frente à janela olhando para a rua, bairro em silêncio, uma ou duas luzes acesas. Há dias não consigo dormir bem, com uma insônia que não me deixa em paz. Há dias que a minha insônia se tornou reflexo da saudade que não passa. Eu estou pensando em você, no que poderia ter sido, em tudo o que faltou acontecer.
Vinte anos se passaram e é curioso como ainda consigo lembrar o seu sorriso e em tudo aquilo que vivemos juntos. Todas as aventuras na rua principal da cidade, aposta de corrida na praça onde eu sempre vencia você ou simplesmente você se permitia ser vencido. De noite eu olhava pela janela do seu quarto e acho que só de ver a luz acesa meu mundo se transformava num lugar perfeito para viver. Outras vezes falávamos ao telefone, enquanto nos olhávamos por esta mesma janela e era como se estivéssemos a poucos passos um do outro. Mas agora é só uma lembrança e eu me sinto envergonhada porque lá em cima meu filho dorme no quarto ao lado do meu e o meu marido dorme ao meu lado na cama. Eu não sei explicar essa bagunça dentro de mim. Sou apaixonada por ele, mas nunca esqueci você nem sequer por um segundo. E para o meu desespero, muitas vezes te desejo aqui perto, nem que seja para te ver na janela da casa de frente para a minha.
Desde quando você foi embora naquela primavera porque seus pais precisaram se mudar para a Inglaterra, por anos pedi a Deus todos os dias para que você fosse aquele com quem eu me casaria no final de tudo. Eu tentei seguir meu caminho, com a ideia sempre em mente de que eu poderia namorar ou simplesmente me envolver com qualquer outro rapaz, mas um dia você voltaria e nos casaríamos. Porque você foi o primeiro e eu gostaria que fosse o último também. Tola que fui! Percebi que eu não estava vivendo um personagem de filme com final feliz e deixei que a realidade tomasse conta. Nós perdemos o contato um do outro de vez e mesmo que eu te procure nunca consigo encontrar indícios de onde você esteja agora, se está casado e se já tem uma família e filhos lindos como você. Eu me perdi de você e você se perdeu num mundo sem mim. Será que também me procura? Será que também pensa em voltar?
Muitas coisas mudaram durante esse tempo. Mudei de casa e agora moro em outra rua, mas no mesmo bairro. Casei com um homem incrível que me ama, me respeita e juntos tivemos um filho inteligente e tão doce e especial, que eu digo que ele é o melhor presente que tive na vida. Certo, isso é um clichê, mas toda mãe é assim e eu estou inserida nessa classe. Eu também consegui um emprego novo como diretora na maior editora do país e logo realizarei aquele sonho de publicar um livro.  Lembra que eu sempre desejei isso? Você dizia que estaria na primeira fila com um livro para eu autografar no dia do lançamento. Eu adoraria que você estivesse aqui, Pedro. Mas acho que já não tem lugar para nós. Mesmo assim vou contar nossa história, quem sabe você leia em algum lugar nesse mundo e então abra um sorriso, percebendo que eu nunca, nem sequer por um minuto, me esqueci de você.
- Elisa! – Meu marido para no meio da escada e me chama.
- Oi! Desculpa, estava sem sono e com calor, vim tomar um pouco água e já volto para a cama. – digo de maneira calma.
Ele chega mais perto e me abraça.
- Alguma coisa está preocupando ou incomodando você? – ele pergunta com aquele jeito amigo de ser.
- Não, é só que não consigo dormir mesmo Muita coisa no trabalho para resolver...
- Você sabe que pode contar comigo sempre! Estamos juntos nessa e eu prometi que lutaríamos juntos para enfrentar qualquer problema. Você se lembra disso? – Faço que sim com a cabeça. Ele sorri e me beija na testa, em seguida volta para o quarto.

Lágrimas caem dos meus olhos neste momento. Culpa. Tristeza misturando-se à felicidade, mas acima de tudo saudade. Amor. 
2015 © Diego França

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