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30 de novembro de 2018

Outsider, de Stephen King



Olá!

Você não sabe o prazer que é estar de volta para falar de Stephen King. Vem comigo.


Me permitir ler Stephen King há poucos anos foi um dos acertos literários que fiz. Além de ser um autor muito competente - ainda que em dado momento choque com os absurdos -, me apresenta uma escrita original, coloca tudo no lugar certo e junta todas as pontas que só parecem estar soltas em algum momento. Seus cenários únicos, desenhados com tanta precisão, e a ambientação de suas histórias só as enriquecem. E Outsider é mais um de seus textos que apresenta essas características.

Em Outsider nos deparamos com um crime indescritível e uma investigação inexplicável. O corpo de um menino é encontrado abandonado num parque em Flint City. O menino foi brutalmente assassinado e todas as digitais que são encontradas no cenário do crime é do famoso treinador da Liga Infantil de beisebol conhecido como Terry Maitland. que também é professor de inglês, é casado e tem duas filhas. As digitais, ao olhar do detetive Ralph Anderson, são suficientes para que ele possa ordenar a prisão imediata do treinador e de forma pública, o que faz com que em pouco tempo toda a cidade saiba que ele é o principal suspeito do crime. No entanto, Maitland possui um álibi, mas a convicção do detetive por causa das amostras de DNA exclui totalmente o que o suspeito tem a dizer. O caso então parece resolvido. Mas quando segue a investigação a história revela-se mais complexa do que aparentava ser no início e nem tudo o que parece ser realmente é. Terry Maitlland parece um bom marido, um bom pai também; um sujeito legal e admirado na cidade até então. Mas será que não existe uma máscara para esconder quem realmente ele é? 

Se prepare para muita tensão e uma mistura intensa de sentimentos durante a leitura de Outsider. Mais uma vez as palavras, os detalhes colocados no lugar certo e as imagens nítidas criadas por King envolverá você nessa investigação e nos perigos contidos nela. Não se assuste se você se sentir como um detetive fazendo parte disso. Nem se acanhe se em algum momento desejar uma justiça com as próprias mãos. A ficção pode muito bem se confundir com a realidade quando você reconhecer as problemáticas abordadas no texto. E quais são essas abordagens que pode muito bem fazer parte da nossa realidade?

Primeiro, todos os personagens têm personalidades fortes e muito reais. Sem muito enfeite, sem perfeições. É o ser humano como ele realmente é: com todas as falhas, defeitos, bondades e maldades. Diria até que seus pesamentos sujos estão ali marcando presença também. Diante disso, a justiça falha e policiais aparentemente pouco preparados para lidar com o caso. Na verdade, policiais levados pela emoção e agindo de maneira impulsiva demais. Será que você reconhece essa realidade em algum momento?

O olhar para o racismo também marca presença de maneira sutil no início da história. É como quando uma pessoa alfineta você da maneira mais discreta possível, mas no fundo você sabe que existe uma crítica ferrenha ali e que a gente não pode deixar passar. Outro tema que está presente e que esteve presente também na trilogia Bill Hodges é o suicídio. Coisas pesadas demais para serem carregadas sozinhas por pessoas com seus traumas e insatisfações, pressão muito grande em momentos tristes e diria também desesperadores. Uma lenda muito conhecida por nós e em outros países também marca presença na história. Divirta-se.
Dois garotos negros na calçada, um com um pé e um skate laranja velho, o outro com um verde-limão embaixo do braço, viram o carro entrar no estacionamento do Parque Recreativo Estelle Barga e se entreolharam.
Um disse:
- Tiras.
O outro respondeu, irônico:
- Não diga.
Eles se afastaram sem falar mais nada, dando impulso nos skates. A regra era simples: quando a polícia aparece, é hora de ir. A vida dos negros importa, seus pais tinham lhes ensinado, mas nem sempre para os policiais.
Outsider é dividido em pouco mais de sete partes, cada uma representando um local, uma situação relacionada ao caso - até mesmo das investigações -, a situação de alguém em especial. O título original foi mantido e em sua tradução remete ao modo como os personagens chamam o assassino. Assim como a capa, o título pode entregar muita coisa da história, sugiro que não tente decifrá-la antes de ler. Ao invés disso, se permita ter um reencontro com um personagem da trilogia Bill Rodges e aproveite muito a presença dele. E se sinta confortável com a presença de um autor famoso da literatura do gênero policial, de quem o treinador T. é muito fã. 


Há momentos em que o cansaço nos alcança durante a leitura, reconheço. Muitos detalhes que podem parecer desinteressantes. No entanto, mais para frente tudo se encaixa e você percebe o quanto isso foi necessário. 

Outsider é uma história aterrorizante sobre os fantasmas que nos assombram e nos induz a olhar ao nosso redor e perceber o quanto estamos lutando com nossos demônios e o quanto estamos lidando com monstros o tempo inteiro: alguns disfarçados, outros à mostra. Uma história sobre como a falha na justiça é real e sobre como agir tomado pela emoção pode desencadear grandes tragédias. 

Bjux,
e até mais! ♥️

23 de setembro de 2017

Stephen King no Brasil - HQ e relançamentos


No mês em que o mestre do terror faz aniversário, os leitores e fãs foram presenteados com lançamentos e relançamentos de suas obras. A Suma de Letras, que é a editora que publica os livros de Stephen King no Brasil, relançou algumas de suas obras com capas especiais. Em seguida, a Darkside lançou uma biografia e algumas HQs.


Stephen Edwin King nasceu em Portland, no ano de 1947, e é um dos principais nomes da ficção e contos de terror, o nono autor mais traduzido do mundo. No entanto, embora seja muito conhecido pelas histórias de terror, King também já escreveu histórias dramáticas como Conta comigo, Um sonho de liberdade, contos retirados do livro As Quatro Estações, e o emocionante "À espera de um milagre". É notável a versatilidade do autor, que tem uma narrativa que se destaca pela maneira como insere o leitor na trama e pela crueza nas palavras, além, claro, dos detalhes que arrematam os leitores pela emoção de maneira precisa.

No último dia 21 de setembro Stephen King completou 70 anos. No mês de seu aniversário, além de ter duas adaptações de dois livros seus no cinema (Torre negra e IT), a editora Darkside lançou uma  HQ com uma das histórias mais originais do autor, além de uma Biografia, intitulada Coração Assombrado. A Suma de letras, editora que publica livros do autor aqui no Brasil, também trouxe novidades, relançando algumas de suas principais obras com edições especiais de capa dura.

DARKSIDE


Coração Assombrado é uma biografia de Stephen King e já fora lançada anteriormente pela Darkside, sendo um dos primeiros títulos lançados pela editora, em 2013, e já estava esgotada. Nessa nova publicação em comemoração aos 70 anos do autor, a editora criou uma nova capa, numa edição para colecionadores.


Logo após o relançamento da Biografia, a Darkside anunciou o lançamento da HQ Creepshow, "uma das publicações mais originais de Stephen King". CreepShow é uma histórias em quadrinhos adaptada de um roteiro escrito em parceria com o diretor George Romero. O roteiro deu origem ao cult movie instantâneo, intitulado "Show de Horrores", no Brasil. A edição é em capa dura (estilo darkside de ser). 

SUMA DE LETRAS

A Suma de Letras é o selo da companhia das letras que publica os livros de Stephen King no Brasil. A maioria dos livros do autor publicados aqui, desde Carry a estranha, passando por It: a coisa, até a mais recente trilogia Bill Hodges, é lançada pela editora. Mas nos últimos meses novas edições especiais, com nova arte e capa dura, foram relançadas pela editora, que caprichou muito para a alegria dos fãs e admiradores de King.


Nessa edição especial, O Iluminado ganha tradução revisada, prólogo e epílogo inéditos. O livro apresenta um dos personagens mais lembrados e aterrorizantes, o famoso e inesquecível Jack Torrence. O homem acredita que finalmente encontrou o lugar perfeito para recomeçar, após ser contratado para trabalhar como zelador no Hotel Overlook. No entanto, quando é chegado o inverno, forças malignas habitam o local e tenta se apoderar de Danny Torrance, um garoto com grande poderes sobrenaturais. Mas neles não conseguem. Por isso, aproveitam das fraquezas do novo zelador, que furioso aterroriza a vida da família. O relançamento foi de 28 de agosto de 2017.

  
Relançado no dia 20 de julho de 2017, A hora do lobisomem também chegou para fazer feliz a vida dos amantes de terror e admiradores de King. A edição é também com capa dura e dessa vez tem ilustrações de Bernie Wrightson. A cada vez que a luz cheia brilha sobre a cidade de Tarker's Mill, surgem novas cenas de terror inimagináveis. Quem será o próximo?


A partir de 25 de agosto de 2016 os leitores souberam uma grande novidade: a "Biblioteca Stephen King". E Cujo foi o primeiro relançamento dessas edições especiais de capa dura, feitas para colecionadores. O livro tem uma capa para ninguém colocar defeito, com uma marca da pata do cão raivoso em auto-relevo (eu acredito que é essa a definição).

Cujo é um cão de noventa quilos da raça são-bernardo e vive numa fazenda com seus donos. Um dia foi mordido por um morcego e adquiriu raiva. A transformação de Cujo (...) e como ele destrói a vida de todos à sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionante de Stephen King.




E como a refilmagem de It: A Coisa está sendo exibida no cinema não poderia deixar de fora a apresentação desse livro, um dos maiores publicados pela editora e escrito pelo autor. A obra do medo é um clássico que desperta interesse até dos que não gostam de terror. Se você ainda não foi ver o filme, corra antes que não dê mais tempo. A crítica é muito positiva e o filme realmente tem uma produção espetacular. Gostei muito e falei sobre isso numa postagem anterior. 


Torre Negra (que também está em cartaz nos cinemas), a Trilogia Bill Hodges (cuja série intitulada Mr. Mercedes já está sendo exibida), O bazar dos Sonhos Ruins, Zona Morta, Joilland, entre outros títulos de sucesso do autor também podem ser encontrados no catálogo da Suma de Letras. Aproveitem!

E hoje, dia 23 de setembro, vou mediar um encontro de fãs, em Salvador, em homenagem a esse grande e aclamado autor. Será na livraria Leitura do Salvador Norte Shopping. 

XOXO,


11 de setembro de 2017

Uma conversa sobre 'IT - A Coisa' (2017), de Stephen King



Feliz Segunda-feira, pessoal! ☆☆☆
Que feriado maravilhoso esse, não? Espero que tenham aproveitado muito. Eu aproveitei e adiantei muita coisa do trabalho. Paguei contas e também gastei muito (porque não sou de ferro).

E foi num desses dias de folga que aproveitei para assistir ao filme "IT - A Coisa", refilmagem de uma adaptação do livro de sucesso de Stephen King. E não, essa postagem não é uma crítica sobre o filme - até porque não sou nada legal fazendo crítica de filmes - é só uma conversa sobre minha experiência no cinema, sozinho (e sobre isso escreverei outra postagem), para assistir a essa "obra prima do medo"


Na cidade de Derry, no Maine, crianças começam a desaparecer e um grupo de sobreviventes se unem para combater o mal em forma de palhaço, que amedronta a todos eles. A história do palhaço e seus atos violentos é algo que acontece há séculos, e a cada 27 anos ele volta para aterrorizar a cidade. Ele voltou e você já pode "flutuar" também nos cinemas de todo o país.

☆ Gostei muito do que vi, digo só pra começar. Nunca me aprofundei na leitura de IT, sobre o que é a história ou coisa do tipo. Tudo o que sabia sobre "a coisa" é que ele é um palhaço assassino. Logo, quando cheguei ao cinema tudo era muito novo para mim e essa novidade me fez assistir ao filme com um olhar interpretativo sobre o palhaço: Porque um palhaço? Por que matar crianças? Por que se transformar em vários monstros?

Eu cheguei a várias conclusões e percebi que já estava tudo escrito de alguma forma (porque pesquisei muito quando cheguei em casa) , por isso o que vou dizer também não será tão novo para você que já conhece ou simplesmente já procurou saber sobre a história.

Eu amo metáforas e amo as alusões que Stephen King faz nas suas histórias. Se você for ao cinema assistir IT achando que será apenas mais um filme de terror com mortes, demônios e um passado comum a todos os personagens, em que uma pessoa é possuído por uma entidade numa casa onde alguém morreu, você estará fadado a se decepcionar. Particularmente não vejo o que refletir nesses filmes, que só me leva a um olhar religioso superficial. E é essa a diferença de IT. É filme de terror, mas problematiza questões sérias, faz você refletir, te arranha, te belisca. E isso independe do palhaço e do monstro no qual ele se transforma. Você é pego pelo psicológico. 

Uma criança sente medo. O medo, como você deve saber, é algo que todo mundo tem e se não for controlado tende a atrasar a vida de uma pessoa, impedir que ela siga em frente ou saia do mundo comum, realize sonhos. O medo é capaz de destruir alguém. O medo aqui é Pennywise. O medo é algo que a gente não vê, não pega, só sente. E a maneira como King escolheu para falar sobre isso foi dando vida a ele, e essa vida se materializa no palhaço dançarino, que é ridículo e muito malvado. Essa sacada me encantou.

A cada vez que as crianças sentem medo elas estão próximas de serem derrotadas. Então aqui ele me diz: busque, tente ser forte, encare-o! Sinta medo, mas siga mesmo assim ou você será destruído; ele irá engolir você.

O medo é um pai abusivo, por exemplo. A cada vez que o palhaço tenta atacar um dos personagens (mais precisamente a personagem Beverly), ele se transforma naquilo em que a garota tem medo: seu pai. Esse homem que abusa dela todos os dias, com uma mente doentia e psicótica. Somente quando ela encara os fatos e perde o medo é que consegue derrotá-lo. Ela enfrenta-o e mata seus demônios. E não só o abuso é citado na trama. O racismo, o bullying, o preconceito religioso, a violência... tudo isso está envolvido na história, se materializando no palhaço que mora no esgoto. 

Gente, eu me senti tão tenso naquela sala de cinema! Eu queria gritar, queria fazer algo. Me senti aflito demais - e olhe que é raro isso acontecer comigo. Eu amo filme de terror, mas nos últimos tempos tem sido a mesma coisa, tudo muito previsível e cansativo. Já não há mais novidades e esse tipo de sentimento, que finalmente consegui sentir assistindo It. Muita gente não gostou, acho que estão esperando justamente essa coisa comum, igual. Sei lá. 


Volto a dizer: gostei muito do filme (não li o livro ainda). E adorei a mistura de terror com uma dose generosa de sarcasmo, mais humor, mais situações a serem problematizadas. Amei as piadas tão cruas e cheia de acidez. Adorei aquelas crianças tão ousadas (em todos os sentidos) e tão inteligentes (não gosto de filmes que subestimam a inteligencia e ousadia as crianças). Assim como o amor e o ódio andam de mãos dadas, a graça (humor) e o terror também. E vou te contar, é uma mistura que dá muito certo. Mas só se você se propor a sair do comum para fazer um trabalho ousado e bem feito.

Amei forte! Assistam! ♥
E se você já assistiu me conte o que achou. Adoro conhecer opiniões.

XOXO,





15 de maio de 2017

CUJO, Stephen King



Olá! 

Dizem que King é o mestre do terror, eu concordo. Mas concordo também que o autor é competente no que se refere a fazer o leitor questionar atitudes e escolhas, bem como sabe como escrever, além do sobrenatural, um terror psicológico como ninguém. Há sempre uma realidade muito crua  e "perturbadora" nos seus textos. Talvez a faceta de tocar a ferida do leitor  na questão ética e do caráter humano seja o monstro mais assustador criado por King e aqui está uma grande metáfora dele: CUJO.

Cujo é um são-bernardo que vive numa zona afastada da cidade, com Joe e sua família. Joe é um mecânico conhecido pelo bom trabalho que faz, mas não é muito gentil com seus familiares e vive uma vida cinzenta ao lado da esposa e do filho. É ele que concerta o carro de Vic, um homem trabalhador, que acaba de fundar uma empresa de publicidade na cidade de Castle Rock onde vive com a esposa, Donna, e o filho, Ted. O casal Vic e Donna Treton representa o modelo de família feliz, livre das desavenças e cheios de amor.  Até que as coisas começam a desandar quando a mulher se envolve numa relação com Steve Kemp, um homem extremamente grosseiro e maldoso. A vida desses personagens vão se cruzar em algum momento e entre fantasmas do passado (que pode ser um famoso assassino chamado Frank Dodd, o qual Ted Trenton morre de medo) e sentimentos de culpa e angústia Donna terá que enfrentar um dos maiores pesadelos de sua vida ao lado do filho porque o manso são-bernardo adquiriu uma raiva maligna e não vai deixar escapar fácil quem estiver ao seu redor. 
O morcego se encolheu e mordeu Cujo, rasgando a pele sensível do focinho em um corte longo e curvo, no formato de um ponto de interrogação. Um instante depois, moribundo, o morcego saiu voando aos trancos e barrancos para o fundo da caverna  calcária. O estrago, porém, já estava feito: a mordida de um animal raivoso é mais grave perto da cabeça. porque a raiva é uma doença que afeta o sistema nervoso central (...) E Cujo jamais fora vacinado contra a raiva. 
Cujo foi escrito em 1981, é um dos grandes sucesso de Stephen King e conta também com  uma adaptação para o cinema. O livro foi relançado no Brasil pela Editora Suma de Letras numa edição especial de capa dura, e uma entrevista com o autor no final. A narrativa conta com histórias secundárias, que inicialmente podem parecer não fazer tanto sentido, mas que no decorrer da leitura você percebe o quanto foram importantes. Num dado momento essas histórias se cruzam e o leitor percebe que detalhes mínimos fizeram a diferença e não estão ali de enfeite. Nós temos a história de duas famílias: uma que parece partida e a outra inteira. E temos também uma relação extraconjugal, as insatisfações, o egoísmo. Além do monstro do armário. E todas elas muito bem apresentadas no texto. Todas as situações fadadas a virar uma bola de neve e todas elas de alguma forma falam sobre a liberdade de suas escolhas e as consequências delas.

Por exemplo, uma relação extraconjugal só existe se a escolha for de ambas as partes na maioria das vezes. Donna estava ciente do que aquela escolha poderia causar na sua vida e na vida da família, mas mesmo assim seguiu em frente. Quando decidiu fazer diferente o problema monstruoso já estava causando estragos. Quando o marido descobre e sai de casa, a mulher tem problema com o carro e isso é mais um problema que a leva à casa do mecânico onde está Cujo, o grande "fantasma" materializado no cão são-bernardo, que pode ser a representação do monstro do armário, tão temido por Tad.

A linguagem muitas vezes escrachada de King e o sarcasmo que existe nas suas narrativas também está presente aqui, se misturando com a tensão da trama que não acontece de imediato. O inicio da narrativa é bem parada e pode até ser desinteressante para algumas pessoas. Mas acreditem, ela melhora consideravelmente. Os detalhes em excesso colocados no decorrer da narrativa nos aproximam muito da história e funcionam como pontes que nos leva a fazer um passeio pelas histórias, até que possamos estar mais envolvidos do que possamos imaginar.

Se você espera um livro assustador, com criaturas e seus poderes sobrenaturais, saiba que esse não é Cujo. Aqui o terror é psicológico, faz uma crítica às escolhas, ao egoísmo humano, e aos problemas que podem se transformar em monstros aterrorizantes. 

|A adaptação de Cujo para o cinema foi lançada em 1984 e foi dirigida por Lewis Teague. Sobre o filme eu poderia dizer que é um resumo bem feito do livro, que comumente nos apresenta mais informações sobre a história. Eu assisti e fiquei satisfeito. Levando em conta o ano em que foi lançado e a tecnologia da época, achei um filme bem feito.

Bjão,






23 de janeiro de 2017

'ÚLTIMO TURNO', STEPHEN KING - #3 TRILOGIA BILL HODGES



Olá!
Você está lendo um relato do mais novo e declarado fã de Stephen King, muito prazer.

Ano passado comecei a ler a trilogia Bill Hodges, do Stephen King, que estava na promessa de virar uma série nos Estados Unidos. Da série já não li mais notícias, mas do último livro eu só posso dizer que é agoniante, atormentador e muito dramático também. Terminei a leitura com um misto de saudade, alegria e tristeza.

Em Mr. Mercedes nos deparamos com a cena dramática e desesperadora de pessoas tentando sobreviver a um atropelamento provocado por um assassino dentro de um Mercedes roubada. Em Achados e perdidos histórias se cruzam e personagens vítimas do massacre se destacam. Mas quem fica mesmo em apuros é Peter Saubers, filho de um rapaz que ficou com sequelas depois do dia aterrorizante. O garoto vai precisar muito da ajuda de Hodges e seus amigos, Holly e Jeremy, para se livrar de um assassino (ele matou um autor famoso), que saiu da prisão e está sendo procurado. Pete encontrou alguns cadernos e segredos que pertenciam ao ladrão e assassino, mas agora que está livre decidiu ir buscá-los. 

Já no terceiro livro da trilogia, Último Turmo, acompanhamos Bill Hodges e seus amigos na batalha para descobrir novos atos de maldade e descobrir quem está por trás deles. O leitor embarca numa história agoniante, sobrenatural, com peixinhos coloridos, hipnose e suicídios. Mas também muita emoção e drama. O assassino do Mercedes está num estado deprimente no hospital há cinco anos e aparenta não dar nenhum sinal de que pode melhorar completamente. No entanto, o detetive aposentado desconfia que o rapaz possa estar fingindo. Será mesmo? Quando coisas estranhas começam a acontecer dentro e fora do hospital Hodges começa a desconfiar que apesar do olhar frio e da imobilidade do assassino cruel ele possa fazer maldades sem sequer sair da cama. Afinal, ele teve um prazer sem limites de jogar um Mercedes em cima de centenas de pessoas. Brady Hartsfield pode ser capaz de qualquer coisa.

Esse é o último livro da trilogia Bill Hodges publicada pela Suma de Letras aqui no Brasil e apresenta King num ato versátil de escrita. Conhecido como o mestre do terror, o autor de Cujo, Joyland, entre outros outros livro de sucesso, mostrou que pode também prender o leitor com um romance policial completo, que não deixa a desejar para o leitor apaixonado pelo gênero.

|Como sempre faço com livros de série não vou apresentar aqui maiores acontecimentos sobre a história porque quem ainda não leu as histórias anteriores podem encontrar algum spoiler, portanto vou falar mais sobre o que o autor aborda no livro e coisas que o leitor vai encontrar na leitura.|

O Assassino do Mercedes vai entrar em ação outra vez, não de corpo presente mas com poderes que desenvolve durante o tempo em que está na cama do hospital. Coisas estranhas começam a acontecer e o sobrenatural passa a fazer parte da história, que é feliz no enredo policial e investigativo. O uso da tecnologia, característica da narrativa do primeiro livro da série, também está presente nesse desfecho porque faz parte do estilo de vida de Brady Hartsfield, que sempre foi muito inteligente nessa área. Aliás, o assassino é um rapaz muito inteligente, que arquiteta muito bem seus planos, mas herói é herói e Bill Hodges junto aos seus amigos do Achados e Perdidos pode reafirmar isso.

Vou sempre citar a narrativa impecável e competente do autor, que não segue um tempo cronológico no desenvolvimento da história. Vamos seguindo, juntando peças, explorando espaços junto ao narrador, que nem sempre entrega tudo de cara, mas induz o leitor a sentir, viver os questionamentos que apresenta em diversos momentos. Os detalhes também ajudam, a linguagem pertinente e muitas vezes chula também aproximam mais o leitor do personagem e da história, uma forma de prendê-lo pelo "absurdo".

Brady pegou Scapelli, a vaca sádica que torceu seu mamilo. Agora, vai cuidar da putinha Robinson. A morte dela vai atingir o irmão, mas essa não é a melhor parte. Vai enfiar uma faca no coração do velho detetive. Essa é a melhor parte.

Thriller, terror, policial, não importa o tipo de história a maldade é bem feita, bem escrita e bem detalhada. E ÚLTIMO TURNO não foge à regra. Brady é extremamente maldoso e frio e vai arquitetar muito bem seus planos, mesmo que talvez ele não dê certo o tempo inteiro. Mas há um assunto que King abordou nesse livro que é muito delicado e recorrente nas sociedade, nos últimos anos principalmente entre os jovens: o suicídio. A maldade de Brady não está para matar as pessoas com as próprias mãos, mas sim para fazer o outro acabar com a própria vida, se apropriando do problemas que os afligem. Brady pode ler mentes e a partir daí fará diversas pessoas renderem-se à prática suicida porque o suicídio pode não ser indolor, mas é contagioso. 

Medos comuns com os quais adolescentes como Ellen convivem como uma espécie de desagradável ruído de fundo, podem ser transformados em monstros devastadores. Pequenos balões de paranoias podem ser inflados até estarem do tamanho dos balões da Macy's no desfile de Ação de Graças.

Último Turno é um livro que apesar de envolver assassinatos, o sobrenatural e apresentar mortes, nos fala também de amor e companheirismo, mas não amor romântico. Estou falando do amor amigo que conquista quem está lendo e isso se dá através da amizade entre Hodges, Holly e Jeremy, entre a relação que ele tem com os antigos colegas de trabalho; se dá também pela empatia que o narrador consegue despertar em você em relação aos personagens. Mas as sutis informações sobre a importância de darmos valor à vida e à importância de observar o outro, de perceber quando ele precisa de ajuda ganha destaque e elogio. 

E o pensamento que ocorre a ele é complicado demais, carregado demais com uma mistura de raiva e dor para que seja articulado. É sobre a forma como algumas pessoas jogam fora o que outras venderiam a alma para ter: um corpo saudável e sem dor. E por que? Porque estão cegos demais. traumatizados demais ou voltados demais para si mesmos para ver além da curva escura da terra até o próximo nascer do sol. É só continuar respirando. 

Embora tenha sentido que há muita repetição de informações nessa história e isso tenha me incomodado, essa observação não diminuiu minha empolgação e meu olhar positivo sobre o livro. Stephen King pode até ter deixado informações de sobra, mas não nos deixou faltar nada. O enredo está muito bem ligado ao outro e nos apresenta um desfecho talvez inesperado, dramático, triste e emocionante. 

É uma trilogia que vale a pena! Eu indico!

XOXO, ☆



14 de novembro de 2016

‘ACHADOS E PERDIDOS', STEPHEN KING’ - #2 TRILOGIA BILL HODGES



Oi, gente!♡

Em maio deste ano postei a resenha de Mr. Mercedes |Leia Aqui|, o primeiro livro da trilogia Bill Hodges, um thriller policial do mestre Stephen King. Em Mr. Mercedes Bill Hodges, um policial aposentado luta para encontrar e prender o assassino da Mercedes, um homem que matou diversas pessoas ao jogar o carro em cima de uma multidão que estava à procura de emprego. O primeiro livro da série foi espetacular e o sucesso se repete em "Achados e Perdidos", o segundo livro da trilogia.

Em Achados e Perdidos vamos conhecer uma história sobre o poder da literatura de mudar vidas - para o bem, para o mal, para sempre. John Rothstein é um autor consagrado, um verdadeiro gênio da literatura e Morris Bellamy é seu fã. Mas o rapaz não está nada satisfeito com o final que Rothstein deu ao seu personagem preferido, tão pouco com a ideia de que o autor se aposentou e decidiu não mais continuar a publicar a história. Por isso, Bellamy decide invadir sua casa e roubar os cadernos que Rothstein guarda com inéditas produções. em seguida decide matá-lo. Depois disso, Bellamy esconde a caixa com o dinheiro que roubou e os cadernos, depois disso vai preso por estuprar uma mulher num bar e a justiça decide dar a ele prisão perpétua. Décadas depois, Peter Saubers, filho de um dos atingidos pelo assassino da Mercedes, encontra os cadernos e o dinheiro justamente no momento em que sua família passa por uma situação financeira ruim. Peter, com apenas 13 anos de idade, saberá imediatamente o que deverá fazer com esse dinheiro, mas sua decisão colocará toda a família em perigo trinta e cinco anos depois, quando Morris sai da prisão (pelo bom comportamento que teve). É então que o detetive Hodges entra em ação junto aos seus ajudantes, Holly e Jerome, para proteger o garoto e sua família da maldade do bandido que ainda mais perigoso e vingativo.

A qualidade da trama de King é incontestável e em Achados e perdidos ela é mantida, seguindo os passos do primeiro livro da série - embora tenha algumas ressalvas a comentar mais a frente. E o grande vilão da história é mais uma vez um rapaz cínico, violentamente frio e cruel. Uma das coisas que o autor sabe fazer é traçar a personalidade dos seus personagens para o bem ou para o mal. Neste caso, Morris Bellamy é um rapaz que vive numa família estruturada financeiramente, mas não tem uma boa relação com a mãe. Na sua adolescência e menor idade sofreu abuso sexual na detenção para menores infratores, o que só aumentou sua ira e alimentou sua característica de pessoa violenta o que facilmente problematiza a questão da punição do menor de idade e quem ele virá a ser no futuro.

O outro personagem, que vai bater de frente com Morris, é Peter, um garoto que vê os pais brigarem o tempo inteiro, principalmente depois que seu pai ficou impedido de andar depois de ter sua perna esmagada pela Mercedes que Brady dirigia. O garoto acompanhava sua irmã durante as brigas, distraindo-a, e de alguma forma, apesar de ser inteligente, tornou-se um garoto frio, mas sem perder a característica "bondosa" que tem, porém sem ser um garoto perfeitamente exemplar.


A narrativa continua sendo em terceira pessoa e também é dividido em partes (Tesouro enterrado, Velhos Amigos e Peter e o Lobo). Aqui temos duas histórias e uma quebra tempo: primeiro a história do assassinato do autor consagrado, John Rothstein e a história do bandido (uma alusão ao lobo) perseguindo o garoto (ironicamente a chapeuzinho vermelho, que saiu do caminho 'certo' para ir por uma trilha que o deixou vulnerável ao lobo) que encontrou o "tesouro" que ele roubou, que é quando envolve nosso detetive especial Hodges e se passa no tempo presente. 

Mais uma vez o leitor está diante de uma história agoniante e cheia de ação, mas contada de forma leve e original - a escrita de King é sublime e causa um feito inexplicável no leitor. Nada é forçado e as situações vão sendo complementadas, as histórias se encontram de forma natural. No entanto, algo nesse livro me incomodou. Durante muito tempo na história o pai de Peter, que foi vítima da Mercedes no primeiro livro (nós só vamos saber disso neste segundo volume), aparece no livro e durante a parte mais intensa ela simplesmente desaparece e não participa dessas cenas finais. A gente sabe onde ele está, mas fiquei inconformado com isso porque gostaria de saber o final dele também. Será que foi esse o sentimento de Morris quando viu o final do personagem em quem se espelhava? Ele simplesmente não aceitou. Ele não queria esse final, ele queria mais. 

Você entende o que King faz com você? Ele insere você de tal forma na história, que você começa a se colocar no lugar dos personagens e fazer parte da história. Mas King também peca, e pecou neste livro com cenas de lutas genéricas demais. Uma das cenas mais importantes e definitivas do livro é bem fraca e se sua escrita causa um efeito grande sobre nós, um dos momentos que poderia ser melhor deixa a desejar. 

Achados e perdidos é mais uma livro brilhante que desloca você do seu mundo real para viver as agonias de uma trama cheia de crueldade, injustiça, e com personagens e situações completamente reais. É a continuação da trilogia Bill Hodges, que antecede o último livro intitulado "Último turno", que já está à venda pela Editora Suma de Letras. Eu indico a leitura e convido você que já leu os dois primeiros livros a fazer essa última leitura comigo. Se ainda não leu, fica o convite para se aventurar e desvendar crimes cruéis, junto a Bill, Jerome e Holly.

XOXO,
Diih

26 de maio de 2016

‘Mr. Mercedes, Stephen King’ - #1 Trilogia Bill Hodges



Olá! pessoas!
Vamos de Stephen King hoje?

É com muito prazer que escrevo sobre mais um livro do autor, que como vocês já sabem é um mestre do terror e suspense. Na verdade, poderia dizer que King é um mestre da escrita em si, independente do gênero. O livro da vez é Mr. Mercedes, o primeiro da trilogia Bill Hodges, lançado esse ano, pela editora Suma de Letras.


Mr. Mercedes representa a grande novidade de Stephen King no Brasil em 2016. O livro faz parte da trilogia Bill Hodges, lançado em 2014 nos Estados Unidos, e narra a história de um psicopata que utiliza um Mercedes para causar uma tragédia.

Numa agitada cidade do Centro-Oeste centenas de pessoas desempregadas fazem fila numa feira de emprego, ansiosos para conseguir trabalho, quando de repente surge um carro avançando para a multidão. Oito pessoas morrem, muitas pessoas ficam feridas e o assassino consegue fugir. Meses depois, o policial Bill Hodges ainda está assombrado pelo crime bárbaro não solucionado, quando recebe uma carta, cheia de sarcasmo, daquele que causou a morte de pessoas inocentes naquela madrugada fatídica. O policial já aposentado decide então agir de novo para prevenir outra tragédia. Brady Hartsfield vive com a mãe e se sente orgulhoso de ter causado tantas mortes sobre quatro rodas. Apenas o policial Bill, com mais dois novos aliados, podem prender o Assassino da Mercedes, que agora tem um plano diabólico, que se não for impedido a tempo será bem-sucedido e vai matar ou ferir dessa vez milhares de pessoas. É preciso correr!

Se existe uma coisa que King sabe fazer perfeitamente é suspense. Com uma escrita que continua espetacular e um enredo que mesmo não apresentando grandes novidades é capaz de nos surpreender, o autor nos mostra que é possível escrever uma boa nova história, resgatando elementos de outras narrativas, dialogando com elas. Quem não lembra de IT, que tinha como personagem um palhaço que matava criancinhas? E quem não se lembra de “Christine” também, um carro que aparentemente possuía vida própria?


Mr. Mercedes não é um livro que apresenta uma narrativa diferente de tudo o que já foi escrito por King. Certamente você irá perceber de cara o diálogo entre outras obras do autor. No entanto, as referências estão enredadas de maneira sublime na narrativa, que em 2015 ganhou o prêmio Edgar Awards - dado anualmente pela Mysteri Writers Of America -, como melhor romance. Pudera! S.K. consegue prender o leitor facilmente, utilizando uma narrativa confortável, utilizando artifícios que vai além de fatos marcantes. Os detalhes nos momentos corretos, termos propositalmente interativos capazes de levar ao leitor a catarse, por exemplo.


- Quando você lê essa frase dentro do contexto, percebe o efeito emocional que o termo  "Elas estão lindas" lhe causa. 

A história se faz uma verdadeira luta contra o tempo e se desenvolve apresentando o ponto de vista de Hodges e Hartsfield, ambos personagens fortes e marcantes. Brady, o Assassino do Mercedes, como também é conhecido, impressiona pela mente doentia, pelo sarcasmo e pela frieza; o detetive aposentado, o solitário Bill Hodges, com sua personalidade espantosamente humana. Sem esquecer dos personagens secundários muito bem inseridos e contruídos, como por exemplo Jerome, que tem uma doçura na alma e uma simplicidade encantante. Esse personagem me fez lembrar muito o protagonista de Joyland.

Não sei se Mr. Mercedes pode ser considerado um dos melhores livros de King, mas com certeza mantém a mesma característica primorosa dos demais. Mr. Mercedes não é um simples suspense, é um relato do que há por detrás de uma mente doentia e o retrato fiel do bem e do mal, dolorosamente expostos numa ficção que não deixa a desejar.

O segundo livro da série, intitulado “Achados e perdidos”, será lançado no final de junho.


~ Bjux

25 de setembro de 2015

{Resenha} Joyland, Stephen King




Olá!
Algum visitante perdido nesse mundo chamado Vida & Letras ainda?

Andei sumido por uma questão pessoal e, além disso, a falta de conexão com a internet só dificultou ainda mais o que já estava difícil. Mas agora estou de volta e trago para vocês a resenha de Joyland, livro do (Rei) Stephen King, lançado em julho deste ano pela Suma de Letras.  


***
Joyland é um grande parque localizado em Heaven’s Bay, na Carolina do Norte onde Devin Jones – universitário estudante de letras (colega meu!) – vai trabalhar temporariamente, em 1973. Dev ou Jonesy (como é chamado pelos colegas no parque) está tentando esquecer sua namorada e tem o coração partido. No entanto, com o trabalho naquele ambiente onde se “vende diversão”, o estudante fará novos amigos e conhecerá a história de uma garota chamada Linda Gray, morta misteriosamente naquele lugar, transformando-se num fantasma - reza a lenda. A partir desse momento, sua ex- namorada, Wendy, ficará cada vez mais esquecida porque um garoto muito doente e com um dom especial surge na vida de Dev e se junta a ele na investigação da morte da garota que teve a garganta cortada no Horror House.  

Esse é um dos melhores livros que já li este ano. King criou uma atmosfera romântica e misteriosa, ao mesmo tempo em que construiu personagens apaixonantes e diálogos que prendem o leitor facilmente. O cenário da Carolina no Norte e os detalhes inseridos sobre o lugar, inseridos na medida, nos leva ao local onde a trama acontece.  E o livro não tem capítulos! Um coraçãozinho marca a troca das cenas que não são enormes, o que não conseguiu me incomodar.

Um dos critérios que me fazem gostar de um livro é justamente a personalidade do protagonista. Eu posso dizer que terminei o livro apaixonado por Devin e seu jeito doce, tímido e apaixonado de ser. Ele não é um personagem caricato, tão pouco superficial, ao contrário. Temos aqui um herói com todas as características realistas. Além dele, conhecemos a senhora Shoplaw, dona de um hotel que não é de luxo, mas tem um ambiente agradável e organizado. Ela é uma mulher decida e de personalidade história. Erin e Ton também são personagens que marcaram com o jeito amigo, real e especial de ser, mas que também não diria serem personagens de extrema importância, porém na cocha de retalhos que a história se faz eles foram essenciais. E como não falar do menino Mike?! Sobre esse garoto não quero escrever muito, mas com certeza é capaz de emocionar o leitor desde a primeira aparição.

Apesar de terem me indicado o livro como um Thriller, eu não taxaria a história com esse gênero. Joyland mostra a vida de um estudante que tem o coração partido e vai investigar a vida de uma mulher que morreu no seu ambiente de trabalho alguns anos antes de ele ir trabalhar lá. Mas o suspense maior só acontece nas últimas páginas, no final do livro, e não dura muito. Não há medo, nem um suspense que chame a atenção. Eu fui conquistado mais com a história do protagonista do que com a descoberta do assassino de Linda Gray. No entanto, em poucas páginas o autor conseguiu criar um suspense até então esquecido na maior parte do livro e nos deixa de boca aberta quando revela o assassino. Não há pistas que nos levem a ele.

É realmente uma leitura digna! Para o primeiro livro que li, fui feliz. É uma história profunda que tem suas pitadas grandes de diversão e que nos surpreende e emociona. Joyland além de te deixar encantado com o cenário maravilhoso que foi criado pode também ser uma história triste.  Adorei a leitura e indico!


Essa leitura faz parte do projeto de leitura coletiva, que esse mês teve como tema a leitura de um Thriller. Confira resenhas de outros Thrillers nos blogs:


É isso, pípol!
Encontro vocês logo, logo.
Bjux do Diih


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