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13 de janeiro de 2016

'A Bailarina Fantasma, de Socorro Acioli'





Olá, gente!
Como estão vocês, leitores apaixonados?

Que saudade que eu estava de escrever uma resenha! O ano acabou e eu decidi relaxar um pouco, curtir minhas férias curtas e só depois começar a ler. E olha, posso falar? A minha primeira leitura do ano foi linda (). E eu quero muito compartilhar com vocês um pouco da história e dos meus sentimentos em relação ao livro “A Bailarina Fantasma”.  


Escrito por Socorro Acioli, “A bailarina fantasma” foi lançado pela primeira vez em 2010 e relançado no último ano, dessa vez pela Editora Seguinte, que fez um trabalho lindo na edição do livro.
Na história conhecemos Anabele, uma garota que vive com o pai na Travessa dos anjos, uma ilha que guarda todas as características de quando passou a existir.  O lugar atrai olhares curiosos por ser afastado e por conta das condições de vida simples dos moradores, que conseguem encontrar a felicidade nas coisas mais simples da vida que levam.

“Tudo naquele lugar era exatamente igual ao que sempre fora. (...) Tudo permanecia na casinha azul com telhado vermelho e fachada estreita onde cabiam somente uma porta, uma janela e, lá dentro, todos os sonhos do mundo.”
Pág. 12

Um dia, o pai de Anabela chega ao seu lar com uma notícia: arrumou um emprego e vai trabalhar na reforma do Theatro José de Alencar, uma casa de espetáculo famosa, inaugurada em 1910, em Fortaleza. Nos dias de trabalho, a menina irá acompanha-lo e fará os exercícios da escola ali mesmo. Mas antes de começarem os trabalhos, uma última apresentação de ballet é apresentada no palco do grande teatro e Anabela vai assistir a apresentação com o pai e a amiga Luciana. É nesta noite que a filha do arquiteto vai conhecer uma bailarina que aparece dançando durante todo o espetáculo. Mas há um problema: somente ela consegue enxergar a garota que veste uma roupa azul, diferente das demais, e dança com tanto amor e leveza naquele palco iluminado. Quem é essa bailarina? O que ela está fazendo ali e porque somente Anabela consegue enxerga-la?
Quando li a sinopse de “A Bailarina Fantasma” fiquei encantado. Eu amo o ballet e adoro a sensibilidade e delicadeza das bailarinas. Além disso, nunca havia lido qualquer texto com bailarinas ou fantasmas, até então, e isso foi o que me chamou atenção e me despertou ainda mais para a leitura do livro. E foi uma experiência maravilhosa porque ele apresenta uma história com uma narrativa extremamente agradável – li em pouco tempo – e uma mensagem de esperança e amor capaz de ultrapassar séculos e dimensões. Além disso é escrita num tom poético e saudoso delicioso.

“No fundo as pequenas mortes da natureza eram para Anabela uma esperança de fazer contato com sua mãe, especialmente quando ela via um misótis - a flor preferida de Melinda – começando a amarelar suas pétalas, dando sinal de que era hora de partir.”
Pág. 15

Quando vi a capa e busquei informações sobre o que iria ler, imaginei que fosse um livro infantil, com um conteúdo bobo e fantasioso. Desse modo fui pego de surpresa. De fato “A Bailarina Fantasma” é um livro infanto-juvenil, no entanto carrega um conteúdo rico, apesar da leveza, de uma sensibilidade profunda e um enredo que mistura elementos sobrenaturais com curiosidades históricas e culturais importantes - inclusive a narrativa escrita por Acioli é baseada numa lenda urbana do teatro. Dessa forma a leitura não está restrita apenas ao público infantil.
Narrado em primeira e terceira pessoa, é possível que o leitor conheça uma visão geral do cenário e da vida dos personagens, mas também nos permite conhecer seus sentimentos. O leitor também viaja no tempo quando é levado a fazer um passeio pelo passado da personagem principal, que é a bailarina fantasma, para entender o momento atual dela. Nesse outro “palco” descobrimos como surgiu o teatro José de Alencar, quem foram os fundadores dele e conhecemos a vida de quem participou da construção da casa. 


Engana-se quem pensa que todo esse processo de ir e vir no tempo da narrativa faz com que ela se torne uma narrativa confusa. A história é dividida em primeiro, segundo e terceiro ato, organizados com subtítulos, dando continuidade a história sem perder o fio da meada. No entanto, apesar de ser um texto coerente, senti falta de um aprofundamento na vida de determinados personagens secundários que compõem a narrativa do tempo passado. Eles foram tão bem traçados que são fáceis de conquistar o leitor e se isso acontece o leitor pede mais deles. Mas se você me perguntar se essa "falta" faz com que a história perca o brilho eu te garanto que não. 
Como disse lá em cima, A Bailarina Fantasma foi minha primeira leitura do ano e tenho que dizer também que foi um prazer viajar com os personagens. A beleza da história, misturada a uma narrativa doce e cheia de informações pertinentes faz desse livro um ótimo representante da literatura nacional contemporânea. Uma história que mostra como o egoísmo pode afetar a vida de uma pessoa e como o amor e a bondade do próximo pode salvá-la desse abismo profundo.

“Um breve instante de amor apaga uma eternidade de tristezas.”
Nota mental:
Durante a minha leitura, pensei: se for para dar uma trilha sonora a essa história, com certeza “Ciranda da bailarina”, de Chico Buarque, é a canção certa.

Um abraço forte. Até a próxima!
 Bjux do Diih ♥.
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