♥ Olá, gente!
Como estão vocês, leitores apaixonados?
Que saudade que eu estava de escrever
uma resenha! O ano acabou e eu decidi relaxar um pouco, curtir minhas férias
curtas e só depois começar a ler. E olha, posso falar? A minha primeira leitura
do ano foi linda (♥). E eu quero muito compartilhar com
vocês um pouco da história e dos meus sentimentos em relação ao livro “A
Bailarina Fantasma”.
Escrito por Socorro
Acioli, “A bailarina fantasma” foi lançado pela
primeira vez em 2010 e relançado no último ano, dessa vez pela Editora
Seguinte, que fez um trabalho lindo na edição do livro.
Na história conhecemos
Anabele, uma garota que vive com o pai na Travessa dos anjos, uma ilha que
guarda todas as características de quando passou a existir. O lugar atrai olhares curiosos por ser
afastado e por conta das condições de vida simples dos moradores, que conseguem
encontrar a felicidade nas coisas mais simples da vida que levam.
“Tudo naquele lugar
era exatamente igual ao que sempre fora. (...) Tudo permanecia na casinha azul
com telhado vermelho e fachada estreita onde cabiam somente uma porta, uma
janela e, lá dentro, todos os sonhos do mundo.”
Pág. 12
Um dia, o pai de Anabela chega ao seu lar com uma notícia: arrumou um emprego e vai trabalhar na reforma
do Theatro José de Alencar, uma casa de espetáculo famosa, inaugurada em 1910,
em Fortaleza. Nos dias de trabalho, a menina irá acompanha-lo e fará os
exercícios da escola ali mesmo. Mas antes de começarem os trabalhos, uma última
apresentação de ballet é apresentada no palco do grande teatro e Anabela vai
assistir a apresentação com o pai e a amiga Luciana. É nesta noite que a filha
do arquiteto vai conhecer uma bailarina que aparece dançando durante todo o
espetáculo. Mas há um problema: somente ela consegue enxergar a garota que
veste uma roupa azul, diferente das demais, e dança com tanto amor e leveza
naquele palco iluminado. Quem é essa bailarina? O que ela está fazendo ali e
porque somente Anabela consegue enxerga-la?
Quando li a sinopse de “A Bailarina
Fantasma” fiquei encantado. Eu amo o ballet e adoro a sensibilidade e
delicadeza das bailarinas. Além disso, nunca havia lido qualquer texto com
bailarinas ou fantasmas, até então, e isso foi o que me chamou atenção e me
despertou ainda mais para a leitura do livro. E foi uma experiência maravilhosa
porque ele apresenta uma história com uma narrativa extremamente agradável – li
em pouco tempo – e uma mensagem de esperança e amor capaz de ultrapassar
séculos e dimensões. Além disso é escrita num tom poético e saudoso delicioso.
“No fundo as pequenas mortes da natureza eram para Anabela uma
esperança de fazer contato com sua mãe, especialmente quando ela via um misótis
- a flor preferida de Melinda – começando a amarelar suas pétalas, dando sinal
de que era hora de partir.”
Pág. 15
Quando vi a capa e busquei informações
sobre o que iria ler, imaginei que fosse um livro infantil, com um conteúdo
bobo e fantasioso. Desse modo fui pego de surpresa. De fato “A Bailarina
Fantasma” é um livro infanto-juvenil, no entanto carrega um conteúdo rico,
apesar da leveza, de uma sensibilidade profunda e um enredo que mistura
elementos sobrenaturais com curiosidades históricas e culturais importantes - inclusive a narrativa escrita por Acioli é baseada numa lenda urbana do teatro. Dessa forma a leitura não está restrita apenas ao público infantil.
Narrado em primeira e
terceira pessoa, é possível que o leitor conheça uma visão geral do cenário e
da vida dos personagens, mas também nos permite conhecer seus sentimentos. O
leitor também viaja no tempo quando é levado a fazer um passeio pelo passado da personagem principal,
que é a bailarina fantasma, para entender o momento atual dela. Nesse outro
“palco” descobrimos como surgiu o teatro José de Alencar, quem foram os
fundadores dele e conhecemos a vida de quem participou da construção da casa.
Engana-se quem pensa que
todo esse processo de ir e vir no tempo da narrativa faz com que ela se torne
uma narrativa confusa. A história é dividida em primeiro, segundo e terceiro
ato, organizados com subtítulos, dando continuidade a história sem perder o fio
da meada. No entanto, apesar de ser um texto coerente, senti falta de um
aprofundamento na vida de determinados personagens secundários que compõem a
narrativa do tempo passado. Eles foram tão bem traçados que são fáceis de
conquistar o leitor e se isso acontece o leitor pede mais deles. Mas se você me
perguntar se essa "falta" faz com que a história perca o brilho eu te garanto que
não.
Como disse lá em cima, A
Bailarina Fantasma foi minha primeira leitura do ano e tenho que dizer
também que foi um prazer viajar com os personagens. A beleza da história, misturada a
uma narrativa doce e cheia de informações pertinentes faz desse livro um ótimo
representante da literatura nacional contemporânea. Uma história que mostra
como o egoísmo pode afetar a vida de uma pessoa e como o amor e a bondade do
próximo pode salvá-la desse abismo profundo.
“Um breve instante de amor apaga uma eternidade de
tristezas.”
♥Nota mental:
Durante a minha leitura,
pensei: se for para dar uma trilha sonora a essa história, com certeza “Ciranda
da bailarina”, de Chico Buarque, é a canção certa.
Um abraço forte. Até a próxima!
Bjux do Diih ♥.
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