Olá, gente! ❤
Hoje é quarta-feira, dia de resenha de uma leitura linda e especial. Por dois motivos: é um dos próximos lançamentos da Editora Seguinte e é um livro que despertou em mim um misto de emoções, logo preciso dividir isso com vocês.
"Não sei outra forma de expressar. E não gosto de não saber. Nada. Não gosto de não saber em geral. Eu devia sempre ser capaz de saber." (pág.:18)
A frase acima é um retrato da personalidade da nossa personagem, a especial e querida Sammie. A garota, que está prestes a se formar sempre planejou a vida e uma de suas metas é assim que terminar a escola viajar para a cidade grande e entrar numa faculdade. Mas para ela não basta sair da escola, ela precisa se formar como a melhor aluna; não adianta mudar-se para a cidade grande, ela precisa sair de lá e entrar como uma ótima aluna também, na faculdade mais renomada do local onde agora será uma novata. Não há nada que fique no caminho da Sammie, nem mesmo a condição genética que tem, que aos poucos será capaz de apagar sua memória e até comprometer sua saúde física. Então, quando se vê obrigada a pensar num plano para driblar a falta de lembranças sobre quem é, onde está, o que deve fazer, ela tem a brilhante ideia de escrever um livro com todas as suas memórias, assim sempre que precisar manter-se atualizada sobre ela mesma - a Sammie do futuro -pode consultá-lo.
No livro de memórias da Sammie você vai saber detalhes sobre o primeiro encontro da garota com Stuart, um jovem escritor que despertou há muito tempo um sentimento nela. Como ela se sentiu, o que ela fez, as mancadas que deu, o que deixou de fazer também. Além disso, ela vai admitir a saudade que sente de Cooper, um amigo de infância que acabou se afastando, vamos descobrir o por quê e como eles voltaram a se aproximar. A vida em casa com a família e os irmãos, com a melhor amiga Maddy, com quem participa de debates na escola (como uma dupla invencível) também estão entre as memórias da menina, que apesar de parecer uma solução simples para o problema vai se mostrar mais difícil do que se espera.
Às vezes a vida é só terrível. Às vezes a vida te dá uma doença estranha. Às vezes a vida é muito boa, mas nunca de um jeito simples.E quando eu olhar para trás vou saber que tentei. (Pág.: 75)
Quando eu soube que esse livro seria lançado no Brasil (foi através do canal É O SEGUINTE!) fiquei muito feliz com a proposta do livro e ao mesmo tempo medroso porque há muitos livros com personagens portadoras de doenças graves e isso acaba caindo na mesmice, tornando-se um tanto previsível. Não diria que "O livro de memórias" é diferente de tudo o que já li, mas posso garantir que a personagem Sammie, que tem uma doença degenerativa chamada Niemman Pick, é um personagem com um grande diferencial, sendo uma grande surpresa para o leitor.
Sammie é decidida, focada e forte. Além disso muito inteligente e possui total consciência de que pode ter sim uma carreira de sucesso. A história não conta com dramas exagerados e uma garota chorando pelas cantos sentindo pena de si mesma em momento algum. Ao contrário, o que ela puder fazer para conseguir alcançar seus objetivos ela faz sem pensar duas vezes. Sim, a garota é um tanto impulsiva e sinceramente, de maneira irritante também, é egoísta. Porém, egoísmo é algo que a gente precisa ter um pouco na vida porque se não pensarmos e nos dedicarmos a nós mesmos pelo menos uma vez nunca teremos feito muita coisa do que queremos. No livro Sammie vive com a mãe e o pai (além dos irmãos), que naturalmente super protege a filha e tenta impedi-la de fazer certas coisas por causa da doença. Mas Sammie não deixa de fazer absolutamente nada do que ela quer. Ela tem um espírito de jogador e não permite ser vencida de forma alguma, nem mesmo pela sua condição.
Uma dos pontos positivos do enredo é a narrativa pouco romanceada. Não é um livro que tenta mostrar um fato trágico e triste, mas também não há enfeites e milagres. Sammie é o que é e precisa aprender a conviver bem com o Niemman Pick. Diria que "O livro de memórias" é um exemplo de luta para todas as pessoas, uma mensagem de "viva a vida da melhor maneira possível e lute com tudo o que tem nas mãos para alcançar seus objetivos". Lulu Santos diria "Vamos viver tudo o que há para viver, vamos nos permitir", e isso traduziria muito bem os sentimentos da Sammie.
Uma das características predominantes na história é o humor. A maneira de falar e as atitudes, diálogos e comparações de Sammie são engraçadas e oferece à garota um carisma admirável. Ela é irritante também e como disse anteriormente egoísta. Ela descobre coisas todos os dias e não se importa em desistir por causa do outro, não dá um passo para trás para abrir espaço para o outro. É o que ela quer, o que ela pensa e o que ela sabe. São características justificáveis, mas que também, em algum momento, se torna algo negativo e irritante na história. Você vai precisar aprender a lidar com isso.
O romance existe e por um bom tempo se faz lindo e apaixonante. Mas há reviravoltas, é claro. Stuart (a paixão antiga da menina) é um amor de rapaz e quando descobre a doença de Sammie, ao contrário do que se possa imaginar, ele não a abandona, muito pelo contrário: ele se abandona. E isso você irá entender melhor quando ler o livro. E aqui está um paradoxo: a garota que pensa primeiramente e sempre nela, e o garoto que deixa de pensar nele para garantir o bem estar do outro. Também na narrativa você verá o resultado disso. Não posso esquecer de Cooper, um garoto totalmente fora de padrão, afastado da garota, que quando descobre a doença se aproxima dela e não a abandona de forma alguma. O valor da amizade, a beleza da amizade que está acima de tudo e até o fim.
Quem assistiu "Como se fosse a primeira vez", com Adam Sandler e Drew Berrymore, um filme de 2004 do diretor Peter Segal, certamente irá lembrar do longa durante a leitura.
Quem assistiu "Como se fosse a primeira vez", com Adam Sandler e Drew Berrymore, um filme de 2004 do diretor Peter Segal, certamente irá lembrar do longa durante a leitura.
"O livro de memórias" é capaz de te fazer rir, se apaixonar, agradecer pela vida, sentir raiva, mas acima de tudo compreender ainda mais do que o amor pode ser capaz. Eu me senti dividido e bombardeado com esses sentimentos durante a leitura, que é como um arranhão proposital para que o leitor crie consciência da vida que tem e do quanto é preciso lutar por ela, para fazer o máximo de coisas possíveis até que não possa mais. E depois de tudo isso, na última página você será pego de surpresa e bombardeado com uma emoção profunda.
Dia 26 de agosto o livro já vai estar disponível para venda e será lançado na Bienal do Livro de São Paulo. Não percam, comprem o de vocês e se encantem com a história. Quem escreveu foi Lara Avery, que nasceu em Topeka e estudou cinema no Macalester College. Autora de livros infantis e de mais duas obras de literatura jovem adulta - Anything But Ordinary e A Million Miles Away -, atualmente mora em St. Paul, Minnesota.
Niemann-Pick é uma condição genética hereditária e muito rara, na qual as pessoas não conseguem metabolizar muito bem o colesterol e outros lipídios (moléculas gordurosas) dentro de suas células. Quantidades nocivas de colesterol se acumulam no fígado e no baço e quantidades excessivas de outros líquidos se acumulam no cérebro. Os sintomas incluem problemas no movimento dos olhos, dificuldade para engolir, fala arrastada e irregular, falta de controle muscular e declínio intelectual progressivo, que pode levar à demência. - Essas informações foi retirada do site https://www1.actelion.com.br/br/pacientes/niemann-pick-c/index.page A doença tem vários estágios, você pode pesquisar mais sobre isso.
XOXO
Diih ❤



