Olá! ♡

Você já teve um amigo imaginário? Eu já tive vários. E com certeza todos eles estão vivos na minha memória, alguns mais do que outros, mas todos aparecem nitidamente quando fecho os olhos e relembro minha infância. Nos meus momentos de infortúnio, na falta de pode, visitar meu mundo paralelo sempre ajudou, era um lugar lindo, e todos os meus amigos preenchiam uma parte do que eu gostaria de ter ou gostaria de ser. E esse é o grande barato de alimentar o imaginário. E é sobre a beleza chamada imaginação, que Michelle Cuevas escreveu. 

Uma autobiografia por Jacques Papier.

Confissões de um amigo imaginário é um livro infanto-juvenil, publicado pela Galera Junior (selo do Grupo Editorial Record), e conta a história de Jacques, um garoto que desconfia fortemente que ninguém gosta dele, nem mesmo o cachorro da casa onde mora com sua irmã e seus pais. Ninguém nota sua presença, todos sempre precisam lembrar que ele também está ali, nem mesmo a professora dá importância quando Jacques suspende a mão para responder a alguma pergunta que ela faça. Fleur é sua irmã e companheira, a conhecedora dos seus segredos e pensamentos. Mas para surpresa de Jacques, um dia ele descobre que ela não é sua irmã de verdade e que é apenas um ser imaginário, obra da imaginação dessa garotinha doce e tão carinhosa. Neste momento, apesar de amar aquela menina que tanto lhe deu atenção, Jacques decide que quer a liberdade para ser o que ele quiser e para buscar o seu verdadeiro eu. É possível ser real quando você não existe fisicamente? Juntos, você leitor e Jacques, vão fazer uma divertida caminhada em busca do significado da vida, irá conhecer várias crianças, cada uma com sua personalidade e peculiaridade, e vai descobrir a grande maravilha, o presente especial que é a invisível maravilha de ser quem se é.

- Eu acho que o problema é - continuei - que eu tenho me perguntado qual o sentido de eu existir, se é que existe algum. Quero dizer, eu vivi oito anos de vida inteiro pensando que era uma pessoa de verdade . E depois eu soube a verdade. E agora, quando penso nisso, percebo que não quero ser o irmão imaginário de alguém. Eu acho que quero ser real." (A luz do Luar - Pág.: 65)

Uma das coisas mais bonitas que temos na vida é a capacidade de imaginar, de muitas vezes sermos criativos e colocar para fora aquilo que foi criado por alguma razão, um dos grandes exemplos disso está em "As Aventuras de Alice no país das Maravilhas", de Lewis Carroll, em que Alice vive seu sonho e aprende muito de si mesma.  Você já se perguntou por que uma criança tem um amigo imaginário? Melhor, não vou restringir isso aos pequenos, mas às pessoas no geral. Quantas vezes falamos, esbravejamos, suspiramos sozinhos ou dizemos em voz alta "eu gostaria de ser assim, de ter coragem de ir lá e fazer, de ser mais ousado..."? Você já parou para pensar que talvez nossa imaginação esteja aqui para nos lembrar de colocar para fora aquilo que somos, mas por alguma razão não temos coragem de deixar em evidência? Precisamos simplesmente SER. É isso! E talvez nossa imaginação e nossos amigos imaginários existam simplesmente para preencher uma lacuna que por algum motivo permitimos ter nas nossas vidas. 

Era uma vez um garoto que não existia de verdade. Ele vivia em uma casa em que tudo era possível , e cada canto era uma descoberta. Uma cerca viva era uma castelo. Um graveto era uma espada. Sementes de dente-de-leão eram a poeira necessária para fazer mágica. (Navegando para longe - Pág.: 81)

Em Confissões de um amigo imaginário conhecemos algumas crianças, cada uma com suas características que fazem delas especiais. Conhecemos o suficiente de suas famílias e entendemos perfeitamente as atitudes de cada personagem, através dos diálogos e discursos, que tem como ponte Jacques Papier. Com capítulos curtos, títulos intrigantes e ilustrações divertidas, a autora presenteia o leitor com uma bela e poética história sobre a importância de ser quem você é, mesmo quando ninguém está reparando em você. Ela deu vida a personagens tão ricos e carismáticos, que vale a pena destacar pelo menos um, e eu escolhi esse personagem porque ele representa a realidade de muitas crianças nesse mundo de acontecimentos instantâneos, discriminação, exclusão e bullying. 

O personagem se chama Bernard e ele é um garoto que vive se escondendo, se excluindo, tentando passar despercebido pelas pessoas e adquirindo mérito nisso. O garoto é o típico estranho da turma, criticado pelo cabelo e pelos óculos. Nunca é escolhido pela turma do futebol e é apaixonadinho por uma garota, a qual observa de longe. Quando Jacques Papier, em uma de suas missões, aparece na vida de Bernard o garoto começa a despertar, aos poucos vai aprendendo a caminhar sozinho e se torna um menino mais confiante.

Cuevas nos envolve numa história tão carismática e sensível, capaz de fazer nos sorrir em silêncio e mergulhar de cabeça na história a ponto de ler o livro em apenas um dia. E verdade seja dita, para as crianças esse livro pode funcionar perfeitamente como incentivo ao imaginário, à ideia de deixar a imaginação falar mais alto, bem como alimentar seu processo criativo. No adulto, a válvula de escape é a expressão que mais se aproxima da ideia de se desligar um pouco do mundo real e buscar energia nas possibilidades mil que nos são dadas também pela imaginação e criatividade. E dito isto, fica claro que essa é uma história para a família: as crianças podem ler, o pai a mãe, a tia, o avô também. 

Para ser honesto, eu começava a char que você ficaria boquiaberto com qualquer pessoa se você pudesse ver as partes dela que ninguém mais vê. Se você pudesse ver essas pessoas inventando musiquinhas ou fazendo caretas no espelho; se você as visse dormindo abraçadas com seus cachorros, ou parando para olhar um insetinho caminhar por um galho, ou simplesmente sendo muito diferentes e solitárias e chorando em algumas noites. Ao ver essas pessoas, vê-las realmente, você não conseguiria evitar achar que qualquer pessoa e todas as pessoas são incríveis. (As Partes Ocultas - Pág.: 146-147)

Confissões de um amigo imaginário é aquele tipo de livro que leva para a vida e faz dele seu amigo mais íntimo. Michelle Cuevas nos presenteia com uma história poética e cheia de delicadeza, que nos mostra o quanto nossas criações e a nossa imaginação revelam um pouco mais de quem somos e do que somos capaz de fazer. O livro é TOP 10 de livro infantil, do ano de 2015, da Time Magazine. 

Michele Cuevas se formou no Williams College e tem mestrado em belas artes e escrita criativa pela Universidade da Virginia, onde recebeu o Henry Hoyns Fellowship. Atualmente, se decida completamente à literatura e vive em Berkshire Country, Massachusetts. 

XOXO,
Diih ♡

10 comentários:

  1. Oi, Diego!
    Esse livro parece ser um amor, né? Eu não o conhecia, mas já quero. Acho que o pior em ser adulto é perder esse lado tão incrível que é ser criança. E que bom que temos histórias como essa, indicada para toda e qualquer pessoa.
    Eu lembro vagamente da minha amiga imaginária.
    Ótima resenha.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.blogspot.com

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  2. Olá lindona,
    depois dessa resenha eu vou comprar esse livro. Amei cada detalhe e a capa é perfeita.
    Amei!!!
    Beijocas.

    meumundosecreto

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  3. Oi, Di!
    Eu fui uma criança relativamente solitária. Por isso inventei vários amigos invisíveis. Por isso, eu leria o livro sim e com certeza me identificaria muito com o Jacques.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção seis anos de Caverna Literária
    Promoção Natal Literário

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  4. Oiii Di

    Apesar de não ser muito assídua do genero infanto-juvenil achei o livro uma gracinha, essa capa é linda demais.

    Beijos

    unbloglitteraire.blogspot.com.ar

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  5. Ai que amor. A Galera Junior me cativa muito com suas histórias. Livros com histórias cada vez mais cativantes. Não conhecia muito desse livro, mas já amei. Parece muito envolvente, sem conta que adoro assim personagens mais novos :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  6. Oi, Diego.
    Quem nunca teve um amigo imaginário, né?
    Já tinha visto o livro, mas não lembrava muita coisa sobre ele.
    Pelo que percebi, parece ser uma leitura bem agradável e que passa um série de ensinamentos. Já quero um exemplar pra mim.

    Abraço!
    http://tudoonlinevirtual.blogspot.com.br/

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  7. Oi Diih
    Agora lembrei da minha infância, eu não tinha amigo imaginário, mas meu irmão tinha, até lugar na mesa o amigo dele tinha, e lembro nitidamente do meu irmão brincando com ele.
    Este livro parece ser uma história linda e sensível, fiquei com muita vontade de ler.

    Beijinhos
    Diário de Incentivo a Leitura

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  8. Oi, Diego.
    Puxa, esse livro parece sensacional.
    Eu nunca tive amigos imaginários, mas sei bem como é.
    E esse ser imaginário querer ser real é uma temática muito interessante.
    Abraços.
    Diego || Diego Morais Viana

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  9. Oi Diih!

    Eu tive um só imaginário, mas não durou muito pq nunca tive muita imaginação, uma tristeza! Adorei a premissa do livro, acho que vou gostar bastante, parece ser lindo, bem como a capa!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  10. Oi, Di

    Nossa capacidade de imaginar com certeza é uma das melhores coisas da vida. Eu também tinha um amigo imaginário, o nome dele era Luiz! hahahah
    A capa está muito fofa e acredito que a história seja mesmo muito poética e delicada, mas não é um livro pra mim. Vou ver se o Joãozinho se interessa, aí compro pra ele.

    Beijo
    - Tami
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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