Olá!

Você já descobriu o que te traz paz? Já descobriu qual a morada que te deixa em paz? Já descobriu o caminho que te leva à paz em meio à guerra?

Estou exatamente onde deveria estar e fazendo exatamente o que deveria fazer. Isso é paz. (Pág.: 107)

Dentre as abordagens que o livro traz, a paz na guerra, o amor e a ligação entre dois seres em meio ao caos - conflitos pessoais, conflitos de caráter e sentimentos - são as principais inspirações que marcam o texto de Sara Pennypacker, PAX, um dos lançamentos da Editora Intrínseca deste ano.

Pax e Peter são inseparáveis, há uma ligação muito forte entre eles mesmo quando, por algum motivo, se separam. Não importa onde estejam, o sentimento e a forte ligação entre eles fazem com que estejam sempre em sintonia. A raposa está agora perdida numa floresta porque o pai de Peter achou que seria melhor abandoná-la já que está indo para a guerra e o garoto, consequentemente, vai ter que morar com o avô - um velho rabugento, com um bom humor quase inexistente. No entanto, quando o garoto de 12 anos percebe que não conseguirá viver em paz sentindo a falta de sua raposa, enquanto ela está perdida e indefesa no meio da floresta, ele decide fugir da casa onde está morando para voltar ao local onde Pax foi deixada, para resgatá-la e levá-la para casa. Durante a árdua caminhada o menino acaba machucando o pé e vai parar na propriedade de uma mulher chamada Vola, que vai ajudá-lo a curar o machucado e a curar as feridas que traz consigo, causada pela mágoa; ela vai preparar o garoto para "luta", para saber se virar na estrada quando, enfim, sair de sua casa para continuar sua busca. Mas o garoto também ensinará muito à mulher, que perdeu uma perna na guerra e se martiriza por suas ações. No final, os dois descobrem algo mais sobre quem realmente são e moldam suas ações.

Enquanto isso, Pax conhece Arrepiada, uma raposa sagaz, traumatizada pelos maus tratos dos humanos, bem como seu irmão mais novo, Miúdo, além de Cinzento, uma raposa valente e que se torna companheiro de Pax. Juntos as raposas vão desbravar a floresta, fugindo dos humanos que estão colocando armadilhas e causando explosões. Nessa caminhada cheia de perigo, Pax aprenderá a caçar e conhecerá um pouco mais sobre suas origens e o seu habitat natural, o qual nunca conheceu pois vou levado por Peter quando ainda era bebê, depois da morte dos pais e dos irmãos.

Enquanto Pax e Peter tentam sobreviver aos percalços durante a caminhada tentando um reencontro, ambos vão descobrir um mundo novo e novos sentimentos. Vão descobrir mais sobre quem são e onde ficam seus respectivos lares.

Pax ocupa as prateleiras de livros infantis, nas livrarias. No entanto, ainda que seja direcionado ao público infantil, não se restringe apenas a ele. Esse  um livro para a criança, para o pai, a mãe, a família; é um livro para qualquer pessoa que, por ser gente, em algum momento torna-se um doente de guerra. O título, que é também o nome dado à raposa da história, está escrito em latim, e significa PAZ.

A narrativa de Pennypacker é leve, mas com um texto rico em significados, analogias, metáforas e referências. A autora escreveu um texto que pode ser considerado simples, mas de forma alguma simplório. E uma das coisas que mais me chamaram a atenção é que ela não subestima o poder intelectual e perceptivo da criança. Geralmente os livros infantis traz textos repletos de diminutivos e situações que são entregues facilmente ao leitor, e isso não acontece com Pax. É um livro que você se sente confortável durante a leitura e que deixa plantado na mente do leitor o desejo de refletir e ir mais além do que está dito em cada página.

A história gira em torno de Pax, a raposa, e Peter, o seu menino, que o pegou quando ainda era um filhote. Os capítulos são intercalados entre o garoto e a raposa, e podemos acompanhar o que cada um está fazendo nessa busca incessante pelo outro. A amizade entre os dois é uma das coisas mais lindas que você vai conhecer no livro e facilmente poderá pensar no seu cachorro, no seu gato, no seu bichinho de estimação, que faz você se sentir em casa, como se já tivesse encontrado um bom lar para viver. Num momento em que estamos frequentemente vendo pessoas - doentes de guerra - maltratando animais, a história de amor entre os dois seres, em PAX, e a ligação que eles têm de sentir o que o outro sente, de sentir a presença um do outro se faz inspiração para o leitor.

Peter tinha a estranha sensação de que ele e Pax eram um só. A primeira vez foi quando ele  o levou, ainda filhote, para passear. Pax viu um pássaro e começou a forçar  a coleira, tremendo como se estivesse recebendo uma carga elétrica. E Peter viu a ave pelos olhos de Pax: o incrível vôo veloz como um raio, em liberdade e velocidade absurdas. (Pág.: 23)

Além de trazer a questão da amizade entre o menino e a raposa - o ser humano, o ser animal - o texto aborda o caos causado pela guerra e a paz em meio ao caos que ela provoca. Mas isso não se restringe às guerras relacionadas à luta entre pessoas por territórios e espaços, mas sim à guerra que travamos o tempo inteiro na vida: o sentimento que a gente tenta domar e muitas vezes deixamos tomar conta de maneira negativa; a guerra entre o ser e o não ser - o quem sou? A dicotomia "bem e mal" também está presente na história, quando o enredo nos apresenta o entendimento de que nem todas as pessoas agem de maneira igual: não somos ruins, mas também não somos bons. Apenas em algum momento da vida aprendemos a controlar instintos, embora estejamos fadados a falhar de vez em quando.

Todo mundo tem dentro de si uma fera chamada raiva. E essa fera pode até ser utilizada para o bem. Muitas coisas boas vem da raiva que sentimos das coisas ruins, muitas injustiças são consertadas assim. Mas primeiro temos que descobrir como controlá-las." (Pág.: 222)

Sobre as referências que o livro traz, destaco a d' O Pequeno Príncipe, que tem como amiga uma raposa, que traz à tona a importância de cativar o outro. Além disso, Pax aborda claramente a questão da falsidade humana, do adulto e da criança - os adultos não entendem nada. Facilmente podemos lembrar do filme Marley e Eu e Para Sempre, que trazem a relação entre um humano e um animal e a ligação que existe entre eles. 

Pax é uma história de amizade, que encanta o leitor pela simplicidade do enredo, que se faz envolvente e cheio de surpresas. É um livro sobre a paz em maio à guerra, sobre a tentativa de levar a paz ao caos e a tentativa de encontrar a paz na sua moradia - um lar nem sempre é uma casa, mas às vezes pode ser uma pessoa. Uma história poética e encantadora sobre amizade, família e Paz. 

" - Afinal, você quer voltar para casa ou para seu bichinho?Dá no mesmo. - A resposta saiu espontânea e firme, o que o surpreendeu." (Pág.: 95)

XOXO.
Diih.


10 comentários:

  1. Oi, Di <3
    Eu imaginava outra coisa desse livro. Que fosse uma história bobinha. Mas pelo seu texto vi que tem uma mensagem linda para passar. Fiquei com vontade de ler.
    beijão!
    www.jeniffergeraldine.com

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  2. NHAAAAAÁ <3 sabia que você ia gostar! Eu amo essas histórias infantis — elas, muitas vezes, nos mostram lições que livros "mais adultos" não trazem. É muito adorável o amor que o garotinho sente por sua raposa e o que ele faz para tentar reencontrá-la (e vice-versa, o carinho que ela sente por ele é evidente). Eu sou apaixonado por esse livro e mal posso esperar para assistir à adaptação, espero q fique tão boa quanto!!

    Amei as fotos 😍😍

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  3. Olá Diih!
    Que fotos mais lindas <3 e o livro parece ser tudo de bom. Meus olhos já deram uma lacrimejada básica com a sua resenha, imagino quando eu ler o livro inteiro rs.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - SORTEIO HARRY POTTER NO NOSSO FACEBOOK

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  4. Acho errado classificarem esse livro como infantil. Só pela ambientação da guerra já mostra que até pode ser juvenil, mas indicado para crianças, não mesmo. Algumas talvez até gostem, mas parece uma leitura mais "séria" do que elas estão acostumadas a ler. Penso nisso em relação à Soldier, um livro que pela capa ser de cachorro, muitos ligam à uma obra leve e divertida, e o que encontram é totalmente o contrário disso. Soldier também fala de guerra e maltratos, e foi um livro pesado até pra mim. Fiquei com o coração na mão o tempo todo. Por isso até evitei Pax, mas pela sua resenha, acho que vou dar uma chance! Um livro tão bom assim merece!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  5. Menino!!! Suas fotos lacram demais, socorro. Eu quero comprar pax, ta na listinha, a capa é maravilhosa e a história super parece ser também. Amei o post.

    Beijos

    Camila Nasc | Books click
    www.booksclick.com.br

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  6. Oi, Dih!
    Menino, suas fotos como sempre arrasando.
    Essa história só me lembra o filme O Cão e a Raposa e sei que vou chorar horrores quando ler.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Oie
    Como eu quero ler este livro, parece ser uma história linda e comovente.
    Amei suas fotos, como sempre.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  8. Olha quem está de volta apreciando essa resenha maravilhosa, desse livro que é uma coisa de doido de riqueza?
    Dih, como sempre uma ótima resenha, rica em detalhes, mas sem estragar a expectativa de novos leitores - como eu!
    Comprei esse livro na bienal e acredito que lerei em breve, você me deixou com mais vontade.
    Ah... e essas fotos? Não preciso nem dizer, né? Encantadoras!

    Bjs*.*
    MaH

    O que disse, Alice?

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  9. Para tudo kkk não li toda a resenha porque estou lendo o livro e não cheguei ainda numa parte ae haha Gente estou amando esse livro, embora no inicio me deixou meio perdida.
    JP

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