Você já se imaginou vivendo numa cultura totalmente diferente da sua, com conceitos e crenças que vão contra tudo o que você realmente acredita? É até difícil imaginar quando  a gente vê tantos rituais e costumes tão contrários aos nossos, não é mesmo?

Mas e quando você não concorda com as imposições, que existem dentro de seu próprio país?

 Marjani Satrapi é uma iraniana que lutou por aquilo que acreditava, muitas vezes batendo de frente, de maneira corajosa com seus opressores. 

Quando tinha apenas dez anos de idade, Marjani Satrapi foi obrigada a usar o véu islâmico e estudou numa sala de aula só para meninas. Sua família era muito politizada e se envolveu com questões políticas, como os movimentos comunistas e capitalistas no país antes da revolução iraniana, em 1979, uma revolução que "lançou o Irã nas trevas do regime xiita". Satrapi sempre teve consciência política e sempre esteve disposta a lutar por seus direitos como cidadã e como mulher, principalmente pela sua liberdade de expressão. Participou de protestos, discutia política em casa com os pais e familiares, bateu de frente com a diretora da escola onde estudava, desobedeceu as leis e deu festas, dançou, fez e contou sua história. 


Sua autobiografia em quadrinhos foi publicada em quatro volumes, que agora podem ser lidos num só livro, lançado pela "Quadrinhos da Cia", um selo de publicações de HQs da Companhia das Letras. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar. 

Persépolis é uma história emocionante e, como foi escrito na frase acima (que está na sinopse do livro) mistura drama e comédia e aproxima você do Irã. É uma verdadeira "aula" de geografia, história, educação e um exemplo de luta não só pelos seus direitos de escolha, pelo seu espaço, pela sua voz, mas também uma luta por quem você é. Através das experiências vividas pela autora e protagonista da história é difícil que o leitor não se sinta motivado ou inspirado a buscar seus direitos e enxergar a hipocrisia na sociedade.

A história mostra a infância de Marjane, quando estava começando a conhecer e entender o mundo e todas as injustiças que existe nele; quando presenciou a primeira guerra no seu país e precisou muitas vezes se esconder no porão de cara com os pais, um lugar seguro que os protegiam das bombas que eram jogadas na cidade. O período da adolescência, seguido pela fase adulta, foram dois períodos marcados por questões voltadas para a consciência da mulher sobre sua independência e seu relacionamento com o sexo oposto - citando também as relações homossexuais. Imagino quantas pessoas se sentiram encorajadas nesse momento! Às vezes a gente só precisa de um incentivo, que nos diga "estamos juntos nessa" para que possamos falar sem medo e garantir nossos direitos. Ninguém luta sozinho, e o conceito de "sororidade" pode ser muito bem aplicada nessa parte da história. 


Eu não disse tudo o que poderia: que ela era frustrada, pois aos 27 anos, que ela me proibia o que era proibido para ela. Que casar com alguém que a gente não conhece, pelo dinheiro, é prostituição. Que apesar das mechas e dos batons ela agia que nem o Estado. Que... Etc... Naquele dia metade da classe virou as costas para mim.

Persépolis também é um filme, baseado na história em quadrinhos, e estreou no Festival de Cannes em 2007, também na França, Bélgica e aqui no Brasil. 



Persépolis me fez rir, mas me fez chorar também. Todos os assuntos políticos, toda a vida social da mulher sendo colocada abaixo do homem são problemáticas tão antigas e ao mesmo tempo tão atuais, que é impossível você não se sentir tocado e incentivado a querer lutar contra isso até o fim. São as risadas e as lágrimas, bem como a sensação de ira - provocada pelos traços, fatos e diálogos - que desperta no leitor aquilo que chamamos de consciência. 

É agora que você tem que aprender, tem a vida inteira pra se divertir! O que você quer ser? Neste país você precisa saber mais do que ninguém para sobreviver!

Espero que você que ainda não leu tenha o prazer de se divertir e se emocionar com Persépolis.

XOXO
Diih.



10 comentários:

  1. Oi Diih
    Sempre via este livro por aí, mas nunca tinha lido nada sobre e fiquei surpresa com a temática. Fiquei com vontade de ler e assistir ao filme que eu nem sabia que existia.
    Adorei sua resenha.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Nessa espero que leia. E o filme também foi uma surpresa para mim porque eu também não sabia, fui fazer pesquisas sobre o assunto e descobri o filme. Vou assistir logo, logo.

      Bjux.

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  2. Oii moço Diego,
    Eu vi essa HQ HOJE na biblioteca da escola, dei uma folheada mas fiquei meio assustado com o tamanho e acabei deixando de lado e nem li a sinopse, mas depois de ler sua resenha eu acho que vou TENTAR dar uma chance pra essa big HQ hehe.

    Beijos!
    http://lendocomobiel.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Di!
    Acho que ainda não li essa história por conta de ser em HQ e não tenho costume de ler Hqs hahahhaha Mas com certeza vou dar uma olhada no filme
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Oi Diih
    não costumo ler HQ e nem desperta meu interesse,mas adorei sua resenha.
    abraços
    http://febredelivro.blogspot.com.br/

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  5. Oiii

    Eu já tinha visto a capa desse livro muitas vezes, mas nem imaginava seu conteúdo e muito menos que se tratava de tirinhas.
    Mas achei bem legal o estilo do livro!!

    Beeijos

    ooutroladodaraposa.com.br

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  6. Oi Diih,
    Não conhecia o livro e já percebi que veio para ser marcante, né?
    Cheio de assuntos que geram discussões e emocionam.
    Fiquei interessada!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  7. Oizinho!
    Fiquei super interessada no livro, qualquer livro que nos dá mais vontade ainda de lutar contra tudo isso é uma ótima leitura.
    Amo livros de quadrinhos e ele tratar de assuntos tão importantes dá só um toque a mais pra gente se apaixonar <3
    Beijão

    querosermiranda.blogspot.com.br

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  8. Li essa semana e amei! O filme tb é muito bom.
    Adorei as fotos e o texto.
    A HQ sera discutida no Leia Mulheres Salvador agora em agosto.
    Vc vai?
    Bjs

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  9. Olá, Dih!
    Desde quando foi lançada essa HQ já chamou minha atenção *-* A estória parece ser ótima! Muito divertida e cativante. Espero que mude o olhar de certas pessoas com a cultura ;-) Quero!
    Beijos, Garota Vermelha
    www.livrosdagarotavermelha.com.br

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